Nada de surpresa: Sean Baker é o ganhador do Oscar 2025 de Melhor Direção.
Neste novo vídeo, apresento os motivos que levaram a esta importante conquista da mente por trás de Anora.
MOTIVO 1: BUSCA POR CINEMA MAIS AUTORAL
O primeiro motivo que levou a este resultado se deve à aposta da Academia em um cinema mais autoral, diferente do que domina Hollywood.
A vitória de Sean Baker é a terceira consecutiva de um diretor norte-americano em Melhor Direção e mantém a intenção da Academia em prestigiar cineastas que trabalham em obras originais com grande personalidade.
Os Daniels, de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, conseguiram driblar os preconceitos contra a ficção científica, enquanto Christopher Nolan foi consagrado com uma cinebiografia mais clássica, mas partindo de um rigor técnico absurdo.
Sean Baker segue mostrando o lado menos glamuroso do American Way of Life a partir de protagonistas inusitados e agora se vê consagrado por isso.
MOTIVO 2: VITÓRIAS CHAVES NA TEMPORADA
O segundo motivo desse resultado foi a construção da temporada feita por Sean Baker.
Primeiro com a vitória da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Já nesta temporada, ele pode até ter perdido o Globo de Ouro, Critics Choice e o Bafta, mas venceu o Sindicato dos Diretores, o DGA.
Nas 10 últimas temporadas, a única vez que o resultado foi diferente entre os dois eventos foi com Sam Mendes, de 1917, e Bong Joon-Ho, de Parasita no Oscar 2020.
Somado à ascensão de Anora, que levou os principais precursores, a vitória de Baker virou algo extremamente esperado.
MOTIVO 3: SEM MEDALHÕES, ACADEMIA PROCUROU O NOVO
A temporada de 2025 foi bem diferente para a categoria de Melhor Direção.
Não tivemos as presenças tradicionais de gigantes como Martin Scorsese, Clint Eastwood ou Steven Spielberg, nem de figuras que se tornaram frequentes como os mexicanos Guillermo del Toro, Alejandro González Iñárritu e Alfonso Cuarón, ou ainda americanos mais tradicionais como Paul Thomas Anderson, David Fincher e Damien Chazelle.
Foi uma corrida com todos os cinco indicados fazendo sua primeira indicação. Para deixar o cenário mais imprevisível, demorou bastante para que um filme se destacasse e se tornasse o favorito. Mas, quando isso aconteceu, favoreceu bastante Sean Baker, até porque havia a sensação de que, se fosse a hora de consagrar um nome querido do cenário independente dos EUA, seria com ele.
Cinéfilo de carteirinha e usuário mais notório do Letterboxd, Sean Baker construiu uma carreira que chamou a atenção do mundo do cinema quando Tangerine, um longa todo gravado em um iPhone e com a temática trans em uma época pré-MeToo, ganhou prêmios ao redor do planeta. Depois, bateu na trave do Oscar com Projeto Flórida, dividiu Cannes com Red Rocket e, agora, encontra a consagração no Oscar com Anora.
MOTIVO 4: TRABALHO EXCEPCIONAL
Tudo isso sempre com filmes de baixo orçamento que viram gigantescos na tela.
Por fim, é claro, está o trabalho excepcional de Baker em Anora. Afinal, o diretor oferece uma coesão enorme ao caos.
Trabalha tantas variantes dentro do mesmo filme, mudando as tonalidades a cada minuto.
Somente a sequência dentro da casa, funcionando da maneira como acontece, já faz com que esta estatueta não possa ir para outra mão que não seja a dele.















It only works when I’m Juan de Nova Island.