De “Argo” a “A Grande Aposta”, Caio Pimenta segue elegendo os melhores vencedores de Roteiro Original Adaptado do Oscar entre 2000 a 2025.

15. ARGO

Crítica: Argo, de Ben Affleck

A décima quinta colocação do meu ranking de Roteiro Adaptado fica com “Argo”.

O Chris Terrio deixa a delicada relação entre EUA e Irã em segundo plano para focar no suspense e na espetacular história de salvamento de um grupo de americanos em plena revolução no país do Oriente Médio no fim dos anos 1970. Desta forma, o roteiro foca na força do cinema como algo capaz de realizar grandes feitos mesmo fora dos estúdios e das telonas.

Naquele temporada, apesar de “As Aventuras de Pi” ser um forte competidor, “Argo” era o melhor dos cinco finalistas. Vitória justa.

14. OS INFILTRADOS

O número 14 desta lista fica com o ganhador do Oscar de 2007.

Em alta naquele período, William Monahan foi premiado por “Os Infiltrados”. Adaptando “Conflitos Internos”, sucesso do cinema de Hong Kong, para o cinema americano, o roteirista coloca aquele jogo de gato e rato muito bem encaixado no universo de Boston. Tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes conseguem ser desenvolvidos de forma primorosa em um roteiro redondo.

Pode até faltar um pouco mais de incisividade e malícia para “Os Infiltrados” ir além do ótimo suspense que é, mas Monahan entrega de forma exemplar o que promete. Naquela temporada, a Academia tinha excelentes opções, entre elas, “Filhos da Esperança”, “Pecados Íntimos” e “Notas Sobre um Escândalo”. Até gosto do resultado, mas, já que o longa do Martin Scorsese venceu Melhor Filme e Direção, a Academia poderia ter diversificado mais aqui.

13. 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO

 “12 Anos de Escravidão” conquistou a estatueta em 2014. John Ridley adapta para as telas a trajetória de Solomon Northup, um homem livre feito escravo no sul dos EUA. De maneira realista, o roteiro embarca na insanidade da escravidão a partir do pesadelo do protagonista e daqueles que o cercam, em uma trajetória de vários anos, onde somente a fé serve como âncora para não cair.

Aqui é um caso complicado: apesar de gostar demais de “12 Anos de Escravidão” e a vitória passar longe de ser um resultado absurdo, a Academia tinha ali à disposição “Antes da Meia-Noite“, o provável derradeiro filme da trilogia comandada por Richard Linklater, e o excepcional texto de Terence Winter em “O Lobo de Wall Street”. Estes dois seriam os meus votos.

12. O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI

Peter Jackson, Philippa Boyens e Fran Walsh conseguiram o tão desejado Oscar de Roteiro Adaptado com “O Retorno do Rei”. Foi uma vitória da trilogia tão celebrada, um feito histórico do trio, visto o desafio de adaptar o clássico de Tolkien. Em relação ao terceiro longa, apesar da gordura da reta final, eles trazem como maior mérito costurar tantas linhas narrativas que acontecem simultaneamente sem deixar os personagens pelo caminho, e ainda retirar acertadamente todo o expurgo do Condado, o que poderia fazer a produção terminar com 5 horas de duração.

Claro que aqui bate o coração brasileiro, e o meu desejo era a vitória de Braúlio Mantovani por “Cidade de Deus”. Porém, a Academia não tendo premiado Peter Jackson e companhia nos dois anos anteriores, não havia como o resultado ser diferente. Uma pena.

11. CONCLAVE

O Oscar conquistado por Peter Straughan com a adaptação de “Conclave” neste ano aparece na décima primeira posição. O britânico consegue o feito de agradar tanto aos fãs do best-seller, apresentar a história de forma complexa e acessível aos que não conheciam o livro, além de construir grandes personagens, ricos e fascinantes em um jogo de interesses que prende a todos do início ao fim.

“Conclave” pode até pecar por não ser mais incisivo politicamente, a ponto de cair em uma certa ingenuidade em certos momentos, mas isso não diminui a qualidade do roteiro. Aqui, favorece também o fato de os candidatos não serem dos mais empolgantes; no máximo, “Nickel Boys” era quem mais poderia chegar perto. Resultado acertado da Academia.

10. O PIANISTA

“O Pianista” abre o TOP 10 da lista. Ronald Harwood adota uma postura objetiva, direta e até seca para abordar a trajetória de Władysław Szpilman. Essa abordagem realça a naturalidade da barbárie, o que deixa tudo ainda mais assustador à medida que o protagonista tenta escapar dos nazistas.

Por isso, o momento em que a arte consegue uma ponte mínima de humanidade é tão simbólico e forte. “O Pianista” superou candidatos muito fortes, entre eles, “Chicago” e “As Horas”. Que temporada pesada e grandiosa para Roteiro Adaptado.

9. MEU PAI

Florian Zeller venceu o Oscar de 2021 com a adaptação da própria peça. O roteiro de “Meu Pai” é um quebra-cabeça dos mais engenhosos para dar a dimensão ao público da perda de noção espacial e temporal de uma pessoa com Alzheimer. Aliado ao visual e a uma atuação brilhante de Anthony Hopkins, o texto fica ainda mais valioso.

Mesmo duelando com o todo-poderoso “Nomadland”, Zeller passou por cima e acabou não dando chances para o rival. “Meu Pai”, aliás, considero que poderia ter crescido mais na reta final e ameaçado o drama de Chloé Zhao, não fosse a temporada do Oscar de 2021 tão atípica por conta da pandemia.

8. INFILTRADO NA KLAN

O Oscar de 2019 de Melhor Roteiro Adaptado foi histórico: por “Infiltrado na Klan”, Spike Lee recebeu a primeira — e até hoje única — estatueta dourada da carreira. Aqui, o roteiro não quer saber de sutileza nem de mensagens simbólicas: o discurso é cristalino contra os racistas, incluindo o então presidente dos EUA, Donald Trump. Tudo isso em uma história divertida baseada em um caso real.

Foi uma temporada bem boa de indicados, com “Se a Rua Beale Falasse”, de Barry Jenkins, “A Balada de Buster Scruggs”, dos irmãos Coen, e ainda “Poderia Me Perdoar?”. Ainda assim, não havia como o resultado ser diferente.

7. SIDEWAYS

Depois da indicação por “Eleição”, a dupla Alexander Payne e Jim Taylor venceu o Oscar com “Sideways” em 2005. Esta é uma vitória clássica da boa história, de ótimos personagens respeitando a inteligência do público. Uma dramédia como raramente é vista e que Payne até hoje não consegue repetir à altura.

E o Oscar de 2005 de Melhor Roteiro Adaptado foi algo impressionante: tinha “Antes do Pôr-do-Sol”, o melhor da trilogia de Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy; “Diários de Motocicleta”, de José Rivera; “Menina de Ouro”, de Paul Haggis; e ainda o simpático “Em Busca da Terra do Nunca”. Sinceramente, qualquer um que fosse o vencedor aqui estaria ótimo.

6. A GRANDE APOSTA

Como traduzir uma crise financeira imobiliária abordando subprimes e outros jargões econômicos pouco conhecidos do grande público? E como fazer isso ser atrativo? Charles Randolph e Adam McKay driblam esse desafio com sarcasmo, cinismo e bom humor em “A Grande Aposta”. Isso, entretanto, não significa que o roteiro não dê a dimensão exata de como aquela irresponsabilidade do mercado financeiro provocou o estrago na vida de milhões.

Igual a Alexander Payne, Adam McKay não conseguiu mais atingir o mesmo nível alcançado em “A Grande Aposta”. No Oscar de 2016, somente “Carol” era um rival capaz de duelar contra o vencedor.