Caçadores do Fim do Mundo começa com o herói do filme, interpretado por Dave Bautista, explicando em uma narração em off como o mundo foi para as cucuias depois de uma violenta tempestade solar, que praticamente acabou com a tecnologia do planeta e coisa e tal… E com dois minutos de filme, eu já cansei. Existe jeito mais preguiçoso de se começar uma obra cinematográfica?

Infelizmente, as coisas não melhoram muito depois dessa abertura. Bautista faz o papel de Jake, um ex-militar que vive no mundo pós-apocalíptico caçando itens para clientes poderosos. Um dia, ele é recrutado pelo “rei” August (participação de Samuel L. Jackson) para ir até a França obter nada menos que a Mona Lisa, que estaria guardada segura num bunker. Bem, o cara é fã de arte, o que se vai fazer? A contragosto, Jake aceita e embarca numa aventura junto da combatente Drea (Olga Kurylenko) para chegar ao tal bunker. O filme é baseado numa HQ escrita e desenhada por Scott Chitwood, Paul Ens e Wayne Nichols, a qual eu não li.

O filme, esse sim, é uma decepção em praticamente todos os aspectos: roteiro é raso e sem imaginação, e o próprio Bautista, que se provou um bom ator ao longo dos anos, parece cansado e apático em cena. Caçadores do Fim do Mundo marca seu segundo trabalho seguido com o diretor J.J. Perry – eles fizeram juntos Killer Game (2024) para o Prime Video – e a julgar por este, seria melhor eles reverem essa parceria.

Perry é um ex-dublê que virou diretor, por isso mesmo é uma pena que justamente onde o filme deveria brilhar, as cenas de ação, é onde ele também desaponta. Montadas com planos rápidos que as deixam caóticas, as cenas de perseguição e lutas são desinteressantes e nem aproveitam a premissa do filme. Além disso, encenar todas as perseguições e tiroteios em cenários fajutos como fábricas abandonadas e pedreiras vazias – verdadeiros clichês dos filmes de ação/sci-fi – denuncia que esta é uma produção de orçamento enxuto onde os cineastas acabaram tendo que se virar com seus recursos limitados.

Uma rápida pesquisa, aliás, mostra que Caçadores do Fim do Mundo, claro, teve uma produção tumultuada: quase ia ser feito em 2018, depois foi retomado, e o resultado se vê na tela, lançado numa época de descarte pelos produtores para tentar recuperar um pouco do investimento.

De resto, é o mesmo filme pós-apocalíptico preguiçoso que costumávamos ver na época das videolocadoras, mas agora filmado com valores de produção modernos – mais ou menos.  Nada em Caçadores do Fim do Mundo é convincente – até os vilões são fraquíssimos, e porque a erupção solar foi tão séria se os personagens aparecem com geradores e eletricidade em várias cenas?

No fim das contas, é um Mad Max dos pobres. Pelo menos, de forma não intencional ele já diz a que veio logo de cara: a encrenca fica clara para o espectador logo nos primeiros minutos, e depois é tentar controlar o tédio pelos 90 minutos seguintes.