O que é um llanero? Algo como um peão ou um filho do curral, como um deles parece se auto-definir. Eles vêm da Venezuela e se assentam em Roraima, longe de seus llanos, em uma longa penitência. O diretor Fernando Millán documenta tudo isso com um digital dos mais áridos, cheio de contrastes e luzes estouradas. Mas que, apropriadamente, não deixa de ter uma estranha beleza em preto e branco.
Daí em diante, “Llaneros em Boa Vista” passa seus 17 minutos de duração mergulhando o espectador no universo musical dos llaneros. Depois de um tempo, um padrão começa a se delinear: entre uma música e outra, o filme apresenta depoimentos entrecortados por imagens aparentemente retiradas de alguma reportagem televisiva. Fatalmente, a recorrência cansa. Melhor seria ficarmos apenas com os rostos e vozes dos llaneros, que nos dizem tudo que precisamos saber sobre o lugar de onde vêm.
Felizmente, o preto e branco estourado logo vem ao nosso resgate. A qualidade pictórica das cenas na Feira dos Garimpeiros, por exemplo, parece mesmo denotar o calor do lugar, seu caráter imediato. Por que então, quando dotado de um material tão interessante, Millán segue apostando nas armadilhas mais convencionais do documentário jornalístico, não sabemos.
Há em algum lugar, em meio ao caráter de reportagem televisiva, um bom documentário de cinema aqui. Um filme poético e forte, engraçado e comovente, como as músicas entoadas pelos cantautores venezuelanos. Mas “Llaneros em Boa Vista” é por vezes deixado de lado para dar lugar aos lugares-comuns, às escolhas corretas e pouquíssimo inspiradas.
Os louros talvez devam ir, portanto, ao diretor de fotografia Benjamin Mast, que segue encontrando maneiras criativas de colocar a câmera no espaço, no aqui e agora, ao longo de todo o filme.











