Se Não Fosse Você, adaptação do romance de Colleen Hoover, acompanha a reconstrução de uma família abalada pela perda e pela traição. Morgan e Clara Grant tentam retomar a relação mãe-filha após a morte de Chris, marido e pai, enquanto lidam com a devastadora descoberta de que ele mantinha um caso com Jenny, irmã de Morgan. Jonah, viúvo de Jenny, também precisa enfrentar seu próprio luto e a culpa que surge de forma inesperada nesse emaranhado de relações. O filme investiga, assim, os segredos e ressentimentos que se acumulam quando uma tragédia abala a confiança e a convivência entre aqueles que deveriam se apoiar mutuamente.
No entanto, a narrativa sofre com o excesso do melodrama: Se Não Fosse Você abraça lágrimas, reviravoltas e confrontos emocionais de forma quase contínua, e nem sempre consegue equilibrar intensidade com naturalidade. Alguns momentos, especialmente reações das personagens e diálogos explicativos, soam artificiais, como se o roteiro se preocupasse mais em comover do que em desenvolver a veracidade emocional da história. Jonah, apesar de central para o conflito, é subexplorado, seu sofrimento e dilemas poderiam trazer profundidade, mas aparecem muitas vezes apenas como elementos de tensão, sem a complexidade que merecem.
Ainda assim, as atuações sustentam o filme: Allison Williams, como Morgan, transmite peso e culpa com credibilidade, enquanto Mckenna Grace, como Clara, expressa confusão e ressentimento de forma convincente. É na relação entre mãe e filha que o filme encontra seu núcleo mais forte, mesmo quando a direção narrativa recorre a soluções previsíveis ou prolonga excessivamente cenas de tensão emocional.
Visualmente, o filme opta por uma estética limpa e focada nas expressões, o que reforça a intimidade do drama, mas carece de variação e textura nas cenas mais intensas; por diversas vezes, as alternativas de locações e cenários, parecem muito alheias aos personagens . Algumas escolhas de ritmo e montagem poderiam tornar a narrativa mais orgânica, permitindo que a intensidade emocional surgisse de forma natural em vez de calculada.
Como adaptação, Se Não Fosse Você respeita o tom do livro, um romance sobre os restos do amor, que surgem em momentos difíceis, mas no cinema a dor vem amplificada, mais teatral, mais visível. É bonito, às vezes excessivo, mas sempre sincero. E se falta contenção, sobra emoção, um filme que prefere errar pelo exagero do que pela indiferença.












