Por décadas, o terror tem uma das suas principais vertentes no subgênero zumbi como ficou claro nos últimos anos com os sucessos de Extermínio, o game The Last of Us e a série The Walking Dead. O indonésio O Elixir é uma obra que bebe muito dos maneirismos desse tipo de terror ao mesmo tempo que arrisca ter alguma identidade. 

Ambientado em uma vila do país do Sudeste Asiático, o filme retrata a história de uma família de classe média alta que se encontra desestruturada por várias questões e tem no patriarca Sadimin (Donny Damara), dono e fundador de uma rede farmacêutica, a solução financeira final que tanto precisam. Sadimin tem em mãos um frasco contendo a dose de um elixir verde, fabricado com a intenção de rejuvenescimento e vida longa. Testando em si mesmo e com bons resultados aparentes, decide não vender mais o produto. No entanto, a euforia se torna caos quando percebem que em contato com o elixir, os indivíduos tendem a se transformam em zumbis incontroláveis e famintos. 

Dessa forma, antes de tudo, a premissa parte de conflitos familiares diversos sem nenhuma pressa de diminuir um drama novelesco presente. A filha mais velha de Sadimin, Kenes (Mikha Tambayong) enfrenta o divórcio com o marido ao lado do filho pequeno; o herdeiro mais novo, Bambang (Marthino Lio) é o filho preguiçoso sem pretensões na vida que possui relação ruim com o pai; Karina (Eva Celia Latjuba) era a melhor amiga de Kenes, mas acaba se casando com o pai dela. Ao soar como folhetim exagerado, O Elixir tenta conectar todas essas relações frágeis em arcos narrativos – que serão vistos mais tarde em sua construção.

Quando finalmente assumido como um filme de zumbi passados 30 minutos, a produção cresce de maneira vertiginosa, pois a linha criativa se destaca em meio a tantos poréns. A direção de Kimo Stamboel promove articulações interessantes ao saber conduzir tensão imprevisível em várias direções. Escolhas de close-ups certeiros e demonstração de território cercado ao mostrar hordas de mortos nos lugares dão ênfase em uma direção notável e divertida, nos imergindo de verdade nesse contexto apocalíptico.  

O cenário bucólico e isolado da vila é tomado por inúmeros zumbis que se proliferam intensamente e, numa inter-relação, é bom apontar como esse alcance ritmado do aumento de zumbis vale também para a questão narrativa haja vista como o processo é contado desde a sua forma embrionária, dando a obra, pontos de catarse de terror com o seu andamento.

Diante dessa natureza, temos monstros realmente violentos e insaciáveis. Existem alguns pontos característicos nas transformações que permitem personalidade aos zumbis, como, por exemplo, grandes contorcionismos e grunhidos que chamam atenção pela semelhança aos sons de velociraptores de Jurassic Park. Outro êxito do filme indonésio é a fúria implacável dos mortos perante às vítimas; não há lugar seguro, nem domínio de alguma certeza, nem mesmo personagens mais inocentes são poupados em cenas violentas, mostrando o senso de urgência e de caráter brutal da produção, lembrando o sul-coreano Invasão Zumbi pelo dinamismo e presença das criaturas.

Infelizmente, a comparação para por aí: algo forte a se ter como ressalva é o movimento previsível do roteiro que não oferece nada muito desafiador para a ações dos personagens do longa. Personagens estes  que não ganham maiores contornos devido ao fraco desempenho dos atores, e há momentos pontuais para cada, mas que nada é correspondido. O Elixir é prova de que muito esforço e competência em um âmbito não será capaz de salvar um projeto cujas ideias estão enraizadas em um terreno muito desgastado do gênero.