Com quase 20 anos de carreira, Brian Skiba encontra a oportunidade de trabalhar com um dos maiores elencos da carreira em “Caçada Final”. Na produção, o diretor comanda nomes como Alec Baldwin, o parceiro Stephen Dorff e Tom Welling, o eterno Superman da série Smallville. 

“Caçada Final” acompanha a saga dos madeireiros Sam (Alec Baldwin) e Jack (Clive Standen) – um novato em seu primeiro dia de trabalho. Os dois descobrem um laboratório de metanfetamina escondido no interior da floresta e se tornam alvo de uma organização criminosa. Junto com Ike (Stephen Dorff), um guarda-florestal e velho amigo de Sam, são obrigados a fugir e lutar por suas vidas enquanto são caçados pelo cartel de drogas.

Aproveitando o lançamento de “Caçada Final” no Brasil com exclusividade no Adrenalina Pura +, serviço de streaming totalmente voltado a filmes de ação, suspense e terror, o Cine Set conversou com Skiba. Confira abaixo tudo sobre o bate-papo:

Cine Set – “Caçada Final” é definitivamente um filme de ação absoluto. Em que filmes do gênero você se inspirou? 

Brian Skiba – Cresci nos anos 80 e 90, então eu era um grande fã de O Vingador do Futuro. Tudo que o Paul Verhoeven fazia eu assistia umas mil vezes, incluindo também Robocop assim como os filmes do Arnold Schwarzenegger. Esses clássicos que têm histórias muito simples e com muita ação. Meu coração mora onde a ação está. 

Cine Set – Qual cena de ação foi a mais difícil de se fazer em “Caçada Final”? E por quê? 

Brian Skiba – Explodir um trailer com dois homens em frente a ele foi difícil. Até porque eu era um dos caras que tinha que pegar fogo (risos). Éramos eu e meu amigo, o coordenador de dublês do filme. Quis dobrar minha função. Sei que sou o diretor e  não um dublê, mas gosto de fazer coisas loucas. Disse, então, para colocarmos fogo um no outro. Fizemos isso e o cara que deixou a gente em chamas não se tocou de que tinha que sair do caminho do enquadramento. Ele ficou ali e a gente tinha bombas atrás de nós. Os caras das câmeras gritavam: “sai da frente da câmera!”. Eu me virei e gritei para ele: “corre!”. Eu estava pegando fogo. Finalmente, ele saiu do enquadramento e conseguimos fazer a tomada das coisas explodindo. Quando você coloca tantos elementos diferentes desde efeitos especiais a ação, até explosões e quatro câmeras, você fica mais envolvido e tudo vira mais intenso conforme as cenas vão acontecendo e você tem que estar muito preparado.

Cine Set – E há muitas explosões nesse filme, certo? 

Brian Skiba – Sim, sim, e quase tudo prático. Tivemos apenas algumas melhorias nos fogos na pós-produção. 

Cine Set – O protagonista é um homem perturbado pela culpa em busca de vingança. Como você acha que o público vai se relacionar com ele? 

Brian Skiba – Ele é um homem de família com uma linda mulher e uma linda filha. Acho que a relação do público pode vir daí. Ike é um policial, então tem sua honra e integridade, tentando fazer a diferença no mundo. É um homem bom que passou por circunstância infelizes. Diante de tudo isso, espero que as pessoas se identifiquem com ele. 

Cine Set – Como foi pra você trabalhar com uma lenda como Alec Baldwin? 

Brian Skiba – Alec é o máximo! Realmente gostei da companhia dele. Ele ama atuar e tem uma verdadeira paixão por isso. Cresci assistindo Caçada ao Outubro Vermelho, os filmes de Jack Ryan. Poder trabalhar com pessoas que eu cresci admirando e agora poder tê-las nos meus próprios filmes é uma baita realização. Ao mesmo tempo, é legal aprender com elas, que sempre estiveram nesse negócio. Alec é alguém que adora compartilhar suas experiências e como ele sente que as coisas deveriam ser para que fiquem melhores. 

Cine Set – O filme é quase totalmente gravado em uma floresta. Quais dificuldades isso traz para a produção, para o elenco, etc? 

Brian Skiba – A grande questão é a distância. Se você não tem algo, não pode apenas descer a rua e comprar. Eu vivo em Los Angeles e se você não tem alguma coisa, ela está a um telefonema de distância.  Em uma Cowichan Bay da vida (vilarejo na ilha de Vancouver, no Canadá) você tem que fazer acontecer. Se um de seus equipamentos de iluminação ou uma câmera dá problema, isso vai te custar metade de um dia; se não, mais. Temos backups e múltiplas câmeras por precaução para caso aconteça alguma coisa. 

Cine Set – Eu vi que você dirigiu e montou o filme. Você acha que isso te traz mais controle sobre o resultado final do filme? 

Brian Skiba – Não é necessariamente sobre ter controle para mim, é sobre contar a  história. E também eu gosto de editar. Estou tentando me afastar um pouco mais. Prefiro ficar mais no set esses dias do que editar, mas é algo que eu realmente gosto de  fazer. Tem outras pessoas por aí que fazem isso melhor do que eu. Estou tentando deixar mais pra elas. Mas o motivo pelo qual eu editei é porque realmente eu tinha tempo e porque gosto muito. 

Cine Set – Inclusive, eu também já dirigi e editei um curta-metragem independente. Então, admiro diretores que também editam seus próprios filmes. 

Brian Skiba – Sim, editar é um desafio. E se você, como diretor, já editou alguma coisa alguma vez antes e coloca isso lado a lado e for bem-sucedido, isso te ajuda no set,, especialmente para saber o que filmar. Há pessoas que filmam demais ou de menos ou não sabem que planos realmente querem, deixando isso para o diretor de fotografia realmente dirigir o filme. Acho que diretores que editam são diretores melhores, porque entendem os planos que precisam para contar sua  história. 

Cine Set – Como você enxerga os filmes de ação atualmente? 

Brian Skiba – Existem muitas maneiras diferentes de pensar um filme de ação. Tem gente que aposta quase tudo nos efeitos especiais — e, sinceramente, acho que o público está começando a se cansar disso. Já vimos cidades sendo destruídas de todas as formas possíveis. Passamos por uma fase de deslumbramento, tentando fazer o maior espetáculo visual que desse pra imaginar. E a Marvel, de certa forma, já explorou tudo isso ao máximo: qualquer ideia de efeito visual absurdo ou história gigantesca, eles já fizeram.

Agora, sinto que o público não reage mais da mesma forma. Por isso, acredito que estamos caminhando para uma escala menor, voltando a contar histórias mais íntimas, mais pessoais. E acho que é pra esse lado que o cinema de ação está indo — algo mais na linha de Logan e filmes desse tipo.