Chegamos à última coluna de domingo de 2025. Pra ela queria algo relacionado ao Natal – não necessariamente um filme natalino, mas como já tinha usado na minha cota anual de “De Olhos Bem Fechados” (1999), contei com a ajuda dos especialistas nessa missão. A conclusão foi no óbvio, mas divertidíssimo “Um Herói de Brinquedo”.
Dirigido por Brian Levant, a trama percorre um pai desesperado (Arnold Schwarzenegger) que precisa driblar um time de Papais Noel desonestos, um carteiro maluco é uma horda de outros pais para encontrar um brinquedo famoso na véspera do Natal.
Tive um tempo maravilhoso assistindo esse filme. Os exageros típicos da comédia física dos anos 80-90 evocam alguns dos momentos mais cômicos de “Corra que a Polícia vem Aí” (1988), e o charme do longa se encontra exatamente esse exagero assumido. O filme transforma a simples compra de um presente em uma epopeia urbana, quase um esporte radical movido à ansiedade, buzinas, empurrões em loja de brinquedo, perseguições no playground e brigas num galpão de papais noeis golpistas.
Schwarzenegger, sai de seu habitat natural de ficções científicas e vilões, para um homem comum correndo contra o tempo não para salvar o mundo, mas seu casamento e a felicidade de seu filho. Ele obviamente não é um bom ator, mas é carismático e é impossível não rir ao vê-lo trocar as armas por bonecos de ação que evocam seu passado, de certa forma. Ainda assim, seu antagonista, o carteiro vivido por Sinbad, consegue roubar a cena desde sua primeira aparição na porta da loja de brinquedos. Se o filme estava em uma direção morna até ali, sua entrada desabafando sobre as dificuldades de ser pai e depois brigando com uma senhora por usar casaco de pele, o levam para uma escalada de risadas pela próxima 1 hora.
Bem por trás da comédia escancarada, o longa tenta fazer uma crítica ao Natal consumista, onde amor vira sinônimo de presente raro e presença é substituída por promessas exageradas. Mas é algo que realmente não faz diferença no resto da história além das primeiras cenas – em que vemos Arnold dando mais atenção aos clientes de sua empresa do que à seu filho, perdendo espaço e importância em meio a tantas loucuras em busca do famoso Turbo Man. O filme nunca perde seu tom acolhedor: tudo é barulhento, caótico e um pouco absurdo – exatamente como as semanas que antecedem o Natal para muita gente.
A resolução, que tendia a ser previsível, é feita elevando por mil toda a loucura que vimos até então, com os tradicionais desfiles de Natal dos Estados Unidos se transformando num campo de batalha e trazendo à vida aquelas figuras que são o alvo de disputa de dezenas de pais ao longo da história.
No fim, “Um Herói de Brinquedo” quer ser confortável, engraçado e deixar aquela sensação quentinha de que, apesar de todos os tropeços, ainda dá tempo de acertar. É um lembrete de que o Natal pode ser bagunçado, exagerado e barulhento, e ainda assim, cheio de amor.
Da equipe do Cine Set, um feliz Natal e próspero Ano Novo a todos os leitores. Nos vemos ano que vem.














