Não restam dúvidas de que “Uma Batalha Após a Outra” é o favorito ao Oscar 2026. Agora, qual será o tamanho deste domínio?

Neste novo vídeo aqui do canal do Cine Set, eu falo sobre se o drama do Paul Thomas Anderson pode superar “Oppenheimer” e “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” como o maior vencedor das edições recentes da festa da Academia. 

POUCAS CHANCES DE VITÓRIA

Na minha estimativa, acredito que “Uma Batalha Após a Outra” consiga 11 a 14 indicações, ficando fora apenas de Efeitos Visuais e Canção Original. De resto, há possibilidades concretas de participar.  

“Uma Batalha Após a Outra” deve apenas concorrer em três categorias sem chances de vitória. 

 

Figurino traz a Kate Hawley como grande favorita por “Frankenstein” com o Paul Tazewell, de “Wicked – Parte 2”, com chances de repetir o bicampeonato.

Já em Maquiagem e Penteado e Design de Produção, os duelos entre as duas fantasias se repetem com novamente o filme do Guillermo del Toro na dianteira. 

Nestas três categorias, o longa da Warner iria mais por osmose, ou seja, na esteira da enxurrada de indicações que tende a levar, conseguiria espaço em Design de Produção, Figurino e Maquiagem e Penteado. Se a lógica prevalecer, porém, tudo leva a crer que fique de fora. 

Já a Chase Infiniti luta para ser indicada a Melhor Atriz. A categoria conta com três nomes certos: Rose Byrne, Renate Reinsve e Jessie Buckley.

Restam duas vagas e a estrela de “Uma Batalha Após a Outra” terá rivais de peso: Emma Stone conta com o prestígio de duas vitórias do Oscar, Kate Hudson faz um papel típico para temporada de premiações com “Song Sung Blue”, Amanda Seyfried está forte em “O Testamento de Ann Lee” e ainda há Jennifer Lawrence e Tessa Thompson correndo por fora. A sorte de Infiniti é a força do longa do Paul Thomas Anderson, capaz de levá-la a ser uma das finalistas.

CHANCES DE VITÓRIA

De agora em diante, “Uma Batalha Após a Outra” entra para brigar por vitória em todas as categorias. Três delas estão nas áreas técnicas. 

Michael Bauman chega forte para ganhar o Oscar de Melhor Direção de Fotografia logo na primeira indicação da carreira. O principal rival dele será o Autumn Durald Arkapaw, de “Pecadores”. Nesta década, a categoria somente fez a dobradinha com Melhor Filme em 2024 com “Oppenheimer”. 

Em Melhor Som, o principal desafiante será “F1”: grande parte da imersão oferecida pelo filme do Joseph Kosinski nas pistas da Fórmula-1 se deve justamente a este setor. Seria um resultado que lembraria “Ford Vs Ferrari”, ganhador da categoria em 2020. Ainda assim, será uma disputa pesada entre as duas produções da Warner. 

O Jonny Greenwood surge com a maior chance da carreira de vencer Trilha Sonora. Novamente, o grande adversário é “Pecadores” e o Ludwig Göransson. Aqui, porém, o guitarrista do Radiohead pode se beneficiar do fato do sueco já possuir duas estatuetas da categoria contra nada dele. Isso pode ajudar a criar uma narrativa favorável a ele, semelhante ao que o Paul Thomas Anderson deve ter nas categorias principais. De qualquer forma, não é um prêmio garantido para “Uma Batalha Após a Outra”. 

Direção de Casting será mais um embate entre “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores”. Aqui, vejo vantagem para o filme de vampiros pelo fato de que dificilmente ele conseguirá vitórias individuais, fora que seria uma maneira de prestigiar um conjunto de atores predominante negros, quase sempre deixados de lado nas categorias de atuação.  

De qualquer maneira, “Uma Batalha Após a Outra” está forte em Casting até porque faria sentido consagrá-lo pelo fato de ter um elenco que estará em peso nas categorias de atuação. Mesmo sem ser o favorito, há possibilidades reais de vitórias.  

Melhor Ator Coadjuvante oferece duas oportunidades de vitória. Apesar de ter bastante espaço no filme, Sean Penn chega com menos chances de vitória. O personagem odioso, a antipatia da imagem do astro e, principalmente, o fato de já ter duas vitórias no Oscar dificultam uma nova conquista. O favorito mesmo é o Benicio Del Toro: o Sensei do porto-riquenho rouba a cena como o guia do protagonista. Não à toa vem aparecendo em todos os prêmios da temporada com destaque.  

O Stellan Skarsgard é o principal adversário do Del Toro, mas, “Valor Sentimental” ainda não vingou como esperado na temporada. Se o ator sueco e a Neon conseguirem emplacar a narrativa de que esta é a maior chance da carreira de ganhar a estatueta, talvez, complique para o Del Toro, mas, vejo o Sensei muito forte. 

 

Com uma atuação soberba que domina “Uma Batalha Após a Outra” nos primeiros 30 minutos, Teyana Taylor é o nome a ser derrotado em Melhor Atriz Coadjuvante. A vitória somente não pode ser considerada garantida pela concorrência ser muito forte, incluindo, Elle Fanning, de “Valor Sentimental”. Por outro lado, a queda de “Wicked – Parte 2” dificulta as chances de Ariana Grande que poderia rivalizar mais forte com ela.  

Acredito que Del Toro e Teyana devem confirmar este favoritismo durante os prêmios televisionados como Critics Choice e Globo de Ouro. Se saírem vencedores dos dois, serão imbatíveis. 

O Leonardo DiCaprio também chega forte em Melhor Ator, mas, o perfil do personagem me parece muito incerto apostar em uma segunda vitória do astro na categoria.

Com muito hype e uma narrativa favorável desde a última temporada, Timothée Chalamet surge como favorito por “Marty Supreme”. A juventude, entretanto, pode atrapalhar em uma categoria que prestigia veteranos historicamente.

Com isso, Wagner Moura e Ethan Hawke entram como possíveis surpresas. 

FAVORITISMO ABSOLUTO

Se eu não jogo minhas fichas no DiCaprio em Melhor Ator, as próximas categorias considero certas de vitórias para “Uma Batalha Após a Outra”. 

O Andy Jurgensen é mais do que favorito para ganhar Melhor Montagem. O impressionante trabalho de dar ritmo frenético a uma história épica ambientada em duas décadas com apoio da trilha sonora de Jonny Greenwood é o coração do filme do Paul Thomas Anderson. Fora que não há rivais que ameacem na categoria; este Oscar já está na conta.  

Roteiro Adaptado é outra categoria em que “Uma Batalha Após a Outra” deve vencer sem maiores dificuldades. “Hamnet” era a maior ameaça, mas, o desempenho tímido do drama coloca a Chloé Zhao com muitas dificuldades de reverter este cenário. Favorece ainda mais o fato de sido a função pela qual PT Anderson mais foi indicado no Oscar com cinco nomeações até agora. Aqui, começa a consagração dele definitivamente. 

O meio da aclamação fica com o Oscar de Melhor Direção: “Uma Batalha Após a Outra” marca a quarta indicação do californiano na categoria. Para além da excelência técnica, há ainda o simbolismo de PT Anderson em bancar um super filme de ação com orçamento de US$ 150 milhões, repleto de estrelas a partir de um material original complexo e sem fazer concessões absurdas. Uma raridade em tempos tão padronizados em Hollywood.  

A única possível ameaça é caso a Academia esteja absolutamente encantada com o Jafar Panahi e toda sua trajetória de resistência política. Do ponto de vista de qualidade artística, passaria longe de ser absurdo, mas, acho altamente improvável Hollywood abrir mão de consagrar o PT Anderson por quem quer que seja. Para o diretor de “Foi Apenas um Acidente”, há categorias como Roteiro Original e Filme Internacional. 

 

Por fim, “Uma Batalha Após a Outra” está com as duas mãos na estatueta de Melhor Filme. A vitória no Gotham Awards e nos prêmios regionais da crítica dos EUA já abriram o caminho para um resultado quase unânime ao longo da temporada. Deve repetir o resultado no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG, DGA, PGA e Bafta.  

“Pecadores”, “Marty Supreme”, “Hamnet” e “Valor Sentimental” tiveram tempo para se firmar como rivais, mas, não conseguiram. No momento, “Foi Apenas um Acidente” insinua que pode rivalizar um pouco mais, porém, considero muito difícil. Paul Thomas Anderson passou muito tempo sem vencer nada no Oscar com derrotas duras como ocorreu com “Magnólia” e “Sangue Negro”, além de esnobadas inexplicáveis no caso de “O Mestre”. 

2026 é o ano para pagar esta dívida e ela será feita com juros e a devida correção monetária.