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Alerta de Spoiler!

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O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma série que vem numa escala crescente. Seus episódios são muito elogiados pelo público e pela crítica e conseguem fazer uma ligação direta — ainda que discada — com os eventos que acontecerão em Game of Thrones. Dito isto, quero começar essa conversa dizendo que “Em nome da mãe” é o episódio que melhor consegue me tocar em pontos diferentes, porque ao mesmo tempo em que ele entrega uma das cenas mais dolorosas do conto homônimo de George R.R Martin, a narrativa de Parker expande as perspectivas sobre Dunk (Peter Claffey) e as questões pessoais que realmente o acompanham.

Seven, o episódio anterior, deixou nítido que o amigo de Egg (Dexter Sol Ansell) nunca foi armado cavaleiro, por isso cabe a Baelor (Bertie Carvel) ser aquele que orientará e motivará o seu grupo para o combate. É interessante que a direção e o roteiro optem por fazer algo mais direto ao ponto, sem enrolação para chegar no momento de duelo. 

A fotografia se constrói a partir da escolha de planos e de movimentação de câmera centralizadas nos protagonistas deste confronto: Dunk e Aerion (Finn Bennett). Claro que, como fã, eu gostaria de ver o duelo entre Baelor e Maekar (Sam Spruell), mas nisto encontramos algo curioso da direção de Owen Harris: todos tem ao menos uma passagem pela câmera central, mas o que interessa de verdade são os protagonistas. Harris acerta ainda quando trabalha a sonorização do campo de justas em paralelo com a fotografia. A impressão que tenho é de estar debaixo da armadura de Dunk, como se experimentasse todas as sensações que o personagem tem no momento exato em que as sente. 

Neste processo, a narrativa nos denuda momentos da vida do cavaleiro andante, como o menino que vivia na Baixada das Pulgas em pleno auge da rebelião Blackfyre. Vemos o quanto ele sempre foi alguém gentil e suscetível a pessoas mais impetuosas que o cercavam — e não é por uma questão obtusa que envolva o personagem, mas sim seu medo de entrar em movimento e perder algo que ele já não tem. Além disso, Duncan carrega uma esperança e ingenuidade que chegam a ser cômicas, uma vez que a vida está sempre cobrando um preço a ele, ora custando o dobro de moedas que possui, ora tirando a vida de alguém próximo a si. 

Esses momentos da vida pregressa do parceiro de Egg podem soar, a princípio, como um grande filler no meio da batalha, no entanto serve para o rompimento total do Duncan que experimenta esse duelo com aquele que chegou em Vaufreixo após enterrar o cavaleiro a quem servia. Ele sai da sombra de sir Arlan (Danny Webb) e o episódio nos conduz a compreender quem é o Dunk para além da profissão e do apadrinhamento. Não temos mais os questionamentos iniciais que o cavaleiro fazia na busca por encontrar sua identidade e seu lugar no mundo, a partir da percepção sobre a figura de referência que ele possuía dentro da cavalaria. Não há mais questionamentos em torno de si mesmo nem as auto afirmações que tanto ouvimos nos episódios anteriores. “Em nome da mãe” dá ao Cavaleiro Alto a sua própria história carregada de perdas e de encontros ocasionais e assim nós conseguimos remontar um pouco sobre essa figura calada, gentil e que está galgando o seu lugar no mundo de Westeros. 

Outro ponto interessante visto aqui é a forma como Sir Arlan entra na vida de Dunk, o salvando despretensiosamente de uma morte eminente literal e figurativamente. A Baixada das Pulgas realmente parece o pior lugar para se viver e crescer que existe em toda Westeros, e a atitude do cavaleiro faz com que o então adolescente consiga partir deste ambiente em busca de um acolhimento a distância e que você teme tocar e se aproximar, como alguém que nunca teve o pertencimento, mas está constantemente em seu encalço. 

Por isso, para mim, “Em nome da mãe” é um capítulo sobre identidade, a busca pelo pertencimento e a perda de referências. O curioso em meio a tudo isso é a escolha do título. Poderia remeter a qualquer um das sete faces da Fé dos Sete, mas por quê a mãe? Longe das piadas de Lyonel Baratheon (Daniel Ings) e de como a ausência da mãe de Dunk é relembrada nesse episódio, penso em um lado dessa divindade que é a misericórdia e como ela está atrelada alguns fatos corriqueiros como o encerramento do confronto dos sete, como o público abraça Dunk e também na figura majestosa de Baelor Quebra-lanças. 

Vou quebrar meu próprio estilo de análise para abrir meu coração a você que me lê e aviso que os spoilers estarão por aqui. Não consigo assistir ao final desse quinto episódio, sem me debruçar em lágrimas. Como fã e leitora desse universo, eu já sabia o que ia acontecer com a Mão do Rei, mas é sempre um baque assistir um personagem que é tão querido encontrar um fim trágico. A morte do Baelor sempre é um momento triste para mim, porque o personagem mostrava ter realmente o preparo e a postura para assumir a gestão dos Sete Reinos. Além de estarmos diante de um raro Targaryen cujos deuses não amaldiçoaram com a loucura e nem a fixação por dragões. Sua morte nos braços de Dunk, após o juramento da espada ao Targaryen, e sob o olhar de Egg sempre é um momento triste para mim. Foi quando li e foi quando assisti. 

Este é o sentimento que me domina ao final desse episódio: a tristeza da partida do dragão maior que a região da Colina. Ao mesmo tempo, o desligamento do cordão umbilical de Duncan com Sir Arlan realmente nos oferece possibilidades para o futuro do personagem e assim nos encaminhamos para o final da primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos.