O cinema brasileiro ganhou uma nova vitrine digital. Lançada pelo Ministério da Cultura (MinC), a plataforma Tela Brasil já está disponível gratuitamente e reúne 555 obras audiovisuais produzidas entre 1910 e 2025, incluindo longas, curtas, médias-metragens, telefilmes e séries.

O acesso acontece por meio da conta Gov.br e, neste primeiro momento, a plataforma está disponível na versão web. Aplicativos para Android e iOS devem ser lançados nas próximas semanas.

Além de clássicos como “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “A Hora da Estrela” e “Terra em Transe”, o catálogo também oferece uma oportunidade de conhecer produções realizadas na Região Norte ou que abordam a Amazônia sob diferentes perspectivas. Há desde registros históricos do início do século XX até curtas contemporâneos de fantasia, suspense e ficção histórica.

Confira alguns dos filmes nortistas disponíveis na plataforma:

Amazônia e Rio Exposição de 1922 (1922) — Silvino Santos

Com cerca de 40 minutos de duração, a obra reúne imagens registradas por Silvino Santos entre 1919 e 1926. Considerado um dos pioneiros do cinema amazônico, o diretor documenta paisagens, atividades econômicas e o cotidiano da região Norte, além de registrar a Exposição do Centenário da Independência realizada no Rio de Janeiro. O filme integra o Projeto Nitratos da Cinemateca Brasileira.

Príncipe da Encantaria (2018) — Izis Negreiros

Produção amazonense voltada ao público infantil, o curta acompanha Aninha, uma menina que escuta da avó a história de Benito, o boto-cor-de-rosa. Ambientado às margens do Rio Negro, o filme valoriza o imaginário amazônico e as narrativas tradicionais da região.

Raimundo Quintela – O Caçador de Vira-Porco (2018) — Robson Fonseca

Representando o Pará, o curta mistura suspense, ação e humor. A trama acompanha Raimundo Quintela e seu ajudante Nairton na investigação de misteriosos ataques a galinhas em uma comunidade. O filme conquistou três prêmios no Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte em 2020.

Jamary (2021) — Begê Muniz

Misturando fantasia e mitologia indígena, a produção acompanha uma jovem que encontra o Anhangá, entidade presente em diferentes culturas indígenas amazônicas. O filme utiliza elementos fantásticos para refletir sobre os impactos do desmatamento e da destruição ambiental.

Cabana (2023) — Adriana de Faria

Um dos curtas nortistas mais premiados dos últimos anos, “Cabana” acompanha duas mulheres ligadas ao movimento da Cabanagem que precisam escapar das autoridades enquanto se escondem em uma cabana na floresta amazônica. O filme é protagonizado por Isabela Catão e Rosy Lueji.

Alexandrina – O Relâmpago (2022) – Keila-Sankofa

Grande filme de Keila-Sankofa, a produção faz cinema de invenção um campo fértil de contestação, que ousa rasgar os registros do perverso e mentiroso passado, onde Alexandrina, mulher preta da Amazônia, que antes fora reduzida a objeto de estudo, esvaziada do seu vasto repertório de conhecimento e logo jogada ao limbo do suposto esquecimento; agora é o presente.

Transamazônia (1973)

Produzido durante a ditadura militar, o documentário registra a construção da Rodovia Transamazônica. Hoje, o curta funciona como um importante documento histórico para compreender as narrativas oficiais de desenvolvimento da época e suas relações com a Amazônia e os povos indígenas.

O Cinegrafista de Rondon (1979)

A produção revisita a trajetória de Luiz Thomaz Reis, cinegrafista que acompanhou as expedições do Marechal Rondon pelo interior do Brasil. O filme combina imagens históricas, fotografias e registros de equipamentos utilizados pelo pioneiro do cinema documental brasileiro.

Plácido de Castro (1973) — Renato Neumann

Utilizando imagens de arquivo e material histórico, o documentário aborda a exploração da borracha na Amazônia e os conflitos envolvendo Brasil e Bolívia no início do século XX. A narrativa destaca a figura de Plácido de Castro e sua importância para a formação territorial da região.

Ao reunir obras de diferentes épocas e estilos, a Tela Brasil oferece um panorama raro da produção audiovisual amazônica, permitindo que novas gerações tenham acesso tanto a registros históricos fundamentais quanto a produções recentes que ajudam a contar as múltiplas histórias da região.