Os Sopranos, A Escuta, Sex and the City, Succession, The Leftovers, as primeiras temporadas de Game of Thrones… Não faz tanto tempo que a HBO era uma gigante do mundo das séries e minisséries. Toda noite de domingo era um lançamento mais aguardado do que outro e fenômenos que dominavam a conversa de todos. A emissora dominava o Emmy e Globo de Ouro, além de ser a queridinha da crítica mundial.

Infelizmente, os tempos mudaram e a HBO, apesar de ainda produzir grandes séries como The Pitt e Hacks, vive uma crise criativa. Parceria da emissora com a DC Studios, Lanternas comprova isso logo no primeiro episódio. Não bastasse os 60 minutos para lá de mornos, o capítulo apresenta o gancho mais batido para fisgar o público: saber quem matou tal personagem. Aqui, no caso, o sujeito atende por Hal Jordan.

Poderia ser um choque matar o Lanterna Verde logo no primeiro episódio da série em que ele dá o nome. Basta, entretanto, ver os principais projetos da HBO nos últimos anos para notar como esta é uma estratégia já manjada para manter o público disposto a conferir disposto a voltar todo domingo. Foi assim com Big Little Lies, True Detective, The White Lotus, Mare of Easttown até a recente DTF St. Louis. As duas primeiras resistiram apenas à primeira temporada  e depois perderam fôlego, enquanto a terceira nunca mais atingiu o mesmo nível do ano inicial. No caso de Lanternas, temo que nem isso consiga.

O episódio inaugural até começa bem com o jovem John Stewart (Aaron Pierre na fase adulta) assistindo a revelação de quem era o primeiro herói intergaláctico conhecido a viver no planeta Terra. Logo de cara, Hal Jordan se mostra uma figura interessante por não trazer o ar triunfal de um homem poderoso; na verdade, temos uma pessoa cansada e marcada pela perda do pai ainda na infância. Ao longo do episódio, Kyle Chandler aprofunda este Lanterna Verde porra-louca, inconsequente e nada sério a ponto de quase matar o parceiro de trabalho em um acidente de carro ou causar brigas nos bares para conseguir acesso à delegacia da cidade. Nada muito diferente do que já vimos ocorrer na Marvel com o egocêntrico Tony Stark ou na fase beberrão do Thor, mas acaba por ser um salto de qualidade para o personagem da DC após a chatíssima versão nos cinemas protagonizada por Ryan Reynolds.

E sorte a nossa Chandler saber aproveitar este Hal Jordan, afinal, todo o resto trafega pelo mais profundo marasmo. A historinha envolvendo um tiroteio em um jogo de futebol americano universitário e toda a situação da milícia comandada por William Macon (Garret Dillahunt) são apresentadas de forma tão superficial e nada marcante que fica a dúvida se elas serão capazes de render tanto assunto para segurar uma temporada inteira. Stewart ficou com a esposa do suposto vilão? Pouco importa.

O diretor James Hawes se mostra pouco inventivo para criar alguma estética própria para Lanternas, soando um genérico de qualquer filme ou série adolescente. Para piorar, não há uma sequência de ação empolgante ou efeito visual para ficar na memória.

Para além de ter Chandler, a sorte de Lanternas é contar com uma base fiel de fãs da DC e de Hal Jordan. Somente eles poderão ser capazes de manter o interesse na nova série da HBO. Tomara que o segundo episódio dê uma guinada de personalidade e mude a sensação de preguiça que dominou este capítulo inicial. Caso contrário, não haverá o famoso ‘quem matou’ para manter o interesse.