Embora o episódio final da temporada sempre seja o mais aguardado e, por vezes, aclamado nos seriados, muito da expectativa sobre ele é construída no episódio anterior, responsável por unificar narrativas e preparar um bom desfecho. Sabendo disso, o showrunner Eric Kripke cria um cenário perfeito para o final do segundo ano de “The Boys” com um capítulo basicamente completo: em apenas uma hora, a série varia facilmente entre momentos dramáticos, chocantes, reveladores e, é claro, hilários. Tudo isso ainda carrega como plano de fundo um discurso crítico sobre preconceito e xenofobia e diversas pistas sobre as perguntas deixadas pela trama. 

Aproveitando cada segundo, o episódio começa passando a mensagem mais crítica que “The Boys” possui. Logo de cara, temos um personagem desconhecido, uma pessoa comum, sendo bombardeada com o discurso xenofóbico, nacionalista e bélico encabeçado por Homelander (Anthony Starr) e Stormfront (Aya Cash). O resultado da convivência e reforço dessas informações é o início de um ciclo vicioso de violência e preconceito. Durante toda a temporada, essa intenção de falar sobre “super-terroristas” sempre esteve presente, porém, esse é o episódio que escancara tal discurso, mostrando suas consequências práticas. 

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Já na trama principal, tanto Os Sete quanto The Boys se preparam para o julgamento da Vought sobre o uso de Composto V em seus heróis. Apesar de ser esperado que o episódio leve o público até o Congresso, essa expectativa fica bem esquecida devido às tramas correlatas. Primeiramente, temos Starlight (Erin Moriarty) sendo descoberta e exposta como uma infiltrada na Vought, resultando na desastrosa missão de Hughie (Jack Quaid) em resgatá-la. Tal dinâmica mais voltada para a ação e humor ácido funciona muito melhor que o romance entre os dois, mantendo um bom ritmo no episódio. 

Enquanto isso, Butcher (Karl Urban) é cada vez mais explorado como um personagem solitário, sendo extremamente satisfatório obter as respostas deixadas pela temporada sobre sua vida pessoal. Da mesma forma, Kimimo (Karen Fukuhara) e Frechie (Tomer Capon) possuem um bom destaque para dar continuidade ao episódio anterior; aqui, o único erro seria encerrar suas histórias junto com a temporada, caindo no grande clichê de mostrar o passado do personagem antes que ele morra sem maior importância para a série. 

EXPECTATIVA ALTA PARA DESFECHO

Agora assumidos também para o público, Homelander e Stormfront não possuem grandes cenas sádicas ou chocantes neste episódio, mas, ficam destinados a seus discursos e oratórias, o que pode ser tão cruel quanto as sequências explícitas. O resultado desta dinâmica é o estopim para o episódio final e uma motivação plausível para o enfrentamento entre Os Sete e The Boys, afinal, desde os primeiros episódios, a narrativa entre Homelander e seu filho é abordada, finalmente sendo revelado o motivo. 

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Por outro lado, sem avançar na narrativa, Maeve, Deep e A-Train permanecem estáticos durante a temporada. Tudo bem, suas histórias já apresentam sinais de que serão importantes para o desfecho, entretanto, para isso, os personagens ficam presos em momentos fracos e até mesmo esquecíveis, sem tendências para o humor ou drama sequer, com exceção de Maeve que encontra uma luz no fim do túnel (e do episódio), provavelmente para justificar uma aparição decisiva futuramente.   

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Com diversas linhas narrativas convertendo ao julgamento no Congresso, “The Boys” encerra o episódio de forma chocante e igualmente divertida. Apesar de parecer bem controverso descrever dessa maneira, a série prova com esse episódio que sabe ser séria quando quer como em suas cenas iniciais de crítica social, porém, também sabe ser sádica ao ponto de colocar pequenas tendências ao humor durante um massacre. Essa dosagem entre diferentes gêneros e histórias mantém uma expectativa muito alta para o último episódio e, mesmo sem grandes vazamentos sobre a trama, ainda é possível aproveitar as referências, easter eggs e pistas deixadas durante toda a série para pensar em um final nada menos que memorável. 

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