Para quem é cinéfilo, gosta de cinema, entende de cinema, trabalha com cinema etc., é preocupante o rumo que o audiovisual está tomando como um todo. Não vou me aprofundar em um tema tão sensível, mas o fato é que Hollywood está cada vez mais capenga em relação ao que produzir. Todo dia há um novo reboot, adaptação, as famigeradas cinebiografias, remakes, prequels e por aí vai.
Fica a pergunta: para quê?
Ora, para lucrar! Vivemos em uma sociedade capitalista, afinal. Mas será que vale a pena remexer em clássicos para obter mais dinheiro?
Ao assistir “Apartamento 7A”, o prequel de “O Bebê de Rosemary” (1968), clássico do terror de Roman Polanski, fica claro que Hollywood precisa se reinventar urgentemente e deixar de mexer em casa de marimbondos.
O filme de Natalie Erika James (Relíquia Macabra, 2020) pode até ser bem-intencionado, mas, como se diz, de boas intenções o inferno está cheio; era melhor ter passado sem essa. Seu filme nada mais é do que praticamente um remake de “Rosemary”. As intenções, as relações, as alucinações, está tudo aqui.
Todavia, a cenografia realmente é incrível, o prédio é sinistro e há umas três sequências interessantes. E para por aí. Nem o talento de Julia Garner nem a atuação sombria e pontual de Dianne Wiest (como é bom vê-la em cena, né? Que atriz!) — assumindo o papel de Minnie, que em 1968 foi defendido por Ruth Gordon (que venceu merecidamente o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante) — são suficientes para justificar este filme.
É inevitável a comparação com a outra obra, que é a máxima do gênero, onde Polanski trabalha nas sutilezas. Aqui, há os famosos jumpscares para causar desconforto, que, na verdade, provocam é vergonha alheia.
De todo modo, o filme não é ruim; já vimos piores. Porém, este passa longe de ser uma obra relevante. Tirando a entonação da voz de Wiest, que dá algum arrepio em cenas pontuais, “Apartamento 7A” é mais um filme que gastaram milhões por nada. Totalmente esquecível e desnecessário.













