Situações que estabelecem uma corrida contra o relógio apostam na intensidade, ingrediente essencial para qualquer filme de ação. Em um gênero que necessita de um conflito enérgico para manter a atenção do público na tela, Golpe Explosivo não nega a natureza protocolar, mas sacrifica o básico em prol de reviravoltas deslocadas que falham em surpreender e subir o nível da produção.

A premissa evoca bastante o oscarizado Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow. Ambos os filmes lidam com a pressão e a angústia de desarmar uma bomba. O fato da bomba estar localizada dentro da cidade de Londres e precisar que a população seja evacuada do local aumenta ainda mais o senso de urgência. Logo de início, o filme prende a atenção justamente por trazer uma situação que já gera um cenário de ansiedade crescente e constante. Paralelamente, existe uma subtrama envolvendo um assalto a banco, que ratifica ainda mais a sensação de urgência proposta.

A tensão é orquestrada pela trilha sonora, presente durante todo momento do filme. Ela amplia a inquietação da narrativa, sem perder a força. Optando para um realismo cru, a direção de David Mackenzie dispensa uma estilização visual da ação. Ele trata e entende a seriedade da situação. Todos os protocolos de isolar o local e contatar o exército, comandos para desarmar a bomba de forma segura, organizações estratégicas de como controlar a explosão e cuidados ao manusear a bomba são executados ao que aconteceria na vida real, concedendo um caráter bastante verossímil.

Por escolher uma condução mais direta ao ponto, o longa comete o erro de deixar seus personagens de lado. Nenhum deles criam alguma conexão ou simpatia, acertando em cheio no sentimento de indiferença. Tanto Theo James como Aaron Taylor Johnson (como mais um protagonista sem sal para sua carreira) não tem suas motivações e desenvolvimento bem estruturados e claros pela narrativa, apenas seguem o que a trama pede. Isso torna o filme distante, pois não tem ninguém para se importar ou torcer, prejudicando a ligação do público com o filme.

Além disso, a história resolve se dividir em duas partes. A primeira é focada no desarmamento da bomba e a segunda no planejamento do assalto e o entrelaçamento entre as tramas. Enquanto a primeira parte se mantém sólida e competente, a segunda se perde nas suas ambições. A adrenalina prometida no desfecho perde importância para o roteiro apresentar reviravoltas sobre a história com o objetivo de surpreender o público. Como as personagens não ganham a atenção da audiência, elas acabam soando vazias e desnecessárias e o pior de tudo, telegrafadas.

No papel, a ideia das reviravoltas é uma jogada interessante para subverter a previsibilidade do roteiro e dar um ar inteligente para a obra em um gênero que não precisa obrigatoriamente utilizar isso. No entanto, o filme força uma tentativa de conexão com os personagens tardiamente. Parece que o filme se lembra dos personagens só no final, inserindo um epílogo explicativo mal integrado na trama para dar o mínimo de contextualização. Em suma, essas surpresas que o filme traz só são atiradas sem nenhum peso.

Tropeçando nas pretensões, Golpe Explosivo funciona bem na primeira metade quando entrega uma ação frenética e pragmática. Porém, escorrega ao tentar ser mais esperto inundando o roteiro de surpresas que dariam certo se houvesse um investimento no lado humano da história. Embora buscasse fugir do genérico, ela acaba justamente se tornando o que mais temia, um filme de ação comum, previsível e frágil.