Ambientado na Londres dos anos 1930, O Crítico é baseado no livro homônimo de Antony Quinn e narra a história de Jimmy Erskine, um renomado crítico de teatro que se aproveita de sua posição de prestígio para manipular as pessoas ao redor em benefício próprio. Protagonizado pelo indicado ao Oscar Sir Ian McKellen e coestrelado por Gemma Arterton, Mark Strong, Lesley Manville e o ator anglo-brasileiro Alfred Enoch, o thriller dirigido por Anand Tucker explora temas como ambição, poder e os conflitos sociais latentes em um período pré-guerra na capital britânica.
Sir Ian McKellen, conhecido por interpretar Magneto na franquia X-Men e Gandalf na trilogia O Senhor dos Anéis, está impecável no papel do crítico rígido e manipulador, que, ao mesmo tempo, tenta sobreviver em uma cidade que o rejeita socialmente. Por ser homossexual, Jimmy Erskine sofre preconceito das autoridades, e em alguns momentos percebemos que sua vida amorosa é apenas tolerada por conta da influência cultural. Uma das cenas mais marcantes do longa é quando o personagem rememora, de forma sensível, o momento em que conheceu Oscar Wilde na juventude, uma lembrança que ressoa fortemente, já que o dramaturgo também foi alvo de homofobia e chegou a ser preso por “sodomia”, sendo considerado subversivo na época.
A direção de arte de Aline Leonello é competente ao recriar os espaços da década de 1930, trazendo à tela ambientes que refletem não apenas o período, mas também as tensões sociais da época. É possível notar, nos detalhes, como as residências variam entre os personagens mais pobres e os mais abastados, reforçando visualmente as camadas de desigualdade que permeiam a narrativa.
No entanto, um dos pontos problemáticos de O Crítico está no figurino, assinado por Claire Finlay. Apesar da ambientação de época exigir um cuidado estético rigoroso — sobretudo nas roupas femininas — algumas peças não expressam com força a personalidade das personagens e não alcançam a sofisticação esperada. O resultado é um figurino que, por vezes, destoa da riqueza visual dos anos 1930. Outro elemento que compromete a imersão é a caracterização da personagem Nina Land, interpretada por Gemma Arterton: a peruca utilizada pela atriz em diversas cenas se mostra artificial, o que prejudica sua naturalidade em tela e denuncia certa negligência técnica nesse aspecto.
Ainda assim, Arterton entrega uma atuação sensível e cheia de nuances. Sua Nina é carismática e cativante desde os primeiros minutos de tela, conquistando o público com delicadeza e força emocional. Se, na trama, sua personagem é criticada por não atingir os padrões dramáticos exigidos por Erskine, na vida real, Arterton prova ser mais do que capaz. Sua performance sustenta grande parte do peso dramático do filme.
Mark Strong também se destaca com uma atuação sólida. Conhecido por interpretar figuras sérias e imponentes, aqui ele demonstra versatilidade ao dar vida a um personagem mais melancólico e introspectivo, mantendo a mesma qualidade dramática de seus papéis anteriores.
A narrativa, contudo, sofre com uma certa indecisão tonal. O filme começa flertando com o romance e o drama de bastidores, mas gradualmente envereda pelo suspense — uma virada de direção por parte de Anand Tucker que soa pouco orgânica. Essa mudança de tom deixa algumas subtramas mal resolvidas, como o arco do personagem de Ben Barnes, que carece de desenvolvimento e termina como uma ponta solta na história.
Em resumo, O Crítico é um filme que brilha principalmente pelas atuações, com destaque para McKellen, Arterton e Strong, mas que tropeça em algumas escolhas criativas e técnicas que poderiam ter sido mais refinadas. Ainda assim, é uma obra envolvente, com bons momentos, que provavelmente fará jus ao livro de Quinn e para os fãs de narrativas teatrais e da atmosfera política e social da Londres dos anos 1930.















