A arrecadação federal com apostas esportivas e cassinos online alcançou R$ 5,62 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, de acordo com o relatório mensal da Receita Federal divulgado nesta terça-feira (23). O valor corresponde à soma de tributos pagos por empresas do setor, incluindo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS e Cofins, além de contribuições previdenciárias e outros encargos vinculados à atividade.
A formalização e regulamentação das operadoras, que passou a vigorar neste ano, impulsionou a expansão tributária e abriu espaço para discussões mais amplas sobre o universo dos jogos. O cinema, por sua vez, não fica alheio a esse movimento: ao longo das últimas décadas, produções audiovisuais vêm explorando a interseção entre tecnologia e jogos, refletindo mudanças sociais e culturais em torno do tema.
O Cine Set já destacou como a roleta ganhou espaço em diversas produções cinematográficas ao longo da história, reforçando o fascínio do público pelas dinâmicas dos cassinos online. Filmes que levam essa temática para as telas mostram não apenas o glamour do jogo, mas também os dilemas e riscos que o acompanham.
Nesse mesmo caminho, algumas obras priorizaram a tecnologia como elemento central na narrativa, ampliando a discussão sobre como jogos e sistemas digitais transformam comportamentos e relações humanas. Entre as produções que unem tecnologia e jogos, seis se destacam:
Tron (1982) – Considerado um marco na representação da informática no cinema, o longa apresenta um programador que é transportado para dentro de um sistema digital, transformando jogos de arcade em batalhas virtuais.
Jogador Nº 1 (2018) – Dirigido por Steven Spielberg, o filme projeta um futuro em que a realidade virtual domina a vida social. O enredo mostra como jogos digitais se tornam ferramentas de interação, poder e disputa econômica.
Free Guy (2021) – Nesta comédia de ação, um personagem secundário de um jogo de mundo aberto descobre sua autonomia. A narrativa explora inteligência artificial, realidade virtual e os limites entre o real e o digital.
eXistenZ (1999) – De David Cronenberg, a trama discute realidade simulada e jogos imersivos por meio de dispositivos biotecnológicos. O longa aborda dilemas éticos e filosóficos sobre identidade e controle em universos artificiais.
Detona Ralph (2012) – A animação da Disney revisita clássicos dos games, trazendo personagens digitais para além de suas funções originais. A produção mistura nostalgia e reflexão sobre convivência no ambiente tecnológico dos jogos.
Black Mirror: Bandersnatch (2018) – O filme interativo da Netflix rompe a linearidade tradicional, permitindo ao espectador tomar decisões que moldam o destino do protagonista. Essa proposta reflete diretamente a lógica dos videogames e a interatividade crescente do audiovisual.
Além do espaço nas telas, os hábitos de jogo no país também chamam atenção. Dados de um cassino online autorizado no Brasil, referentes a agosto de 2025 mostram que os caça-níqueis foram a categoria mais popular, respondendo por 93,36% das rodadas. Em seguida aparecem os crash games (4,38%) e a roleta (1,03%). Outras modalidades, como vídeo bingo, game shows, dados, blackjack, bacará e pôquer, aparecem com participação menor.
Nos cassinos ao vivo, a roleta lidera com 63,16% das rodadas, seguida por shows (22,18%), dados (9,27%), blackjack (2,63%) e bacará (2,38%). Esses números revelam a diversidade de preferências no país, com predominância dos jogos rápidos e de acesso simplificado, mas também espaço para modalidades tradicionais em ambiente digital regulado.
Essas obras evidenciam como a linguagem cinematográfica incorpora os avanços tecnológicos para discutir jogos, ora como entretenimento, ora como crítica social. Ao mesmo tempo, mostram como o cinema acompanha a transformação cultural e econômica de um setor que, no Brasil, acaba de ganhar novo fôlego com a legalização dos cassinos e a regulamentação das apostas esportivas.













