O Oscar não é uma premiação perfeita; passa longe disso, aliás. E muitos grandes filmes acabam ficando fora do radar.
Muitas vezes, isso se deve a estratégias ruins de campanhas dos estúdios, falta de visão da Academia e outros fatores.
Neste novo vídeo do Cine Set, apresento 10 filmes que mereciam ter sido mais valorizados no Oscar 2025.
Antes de tudo, quero estabelecer um critério aqui com vocês: vou incluir apenas filmes que poderiam ter tido alguma chance de aparecer no Oscar. Por mais que goste de “Malu”, “O Dia que Te Conheci” e “Greice”, três ótimos filmes brasileiros, não havia a menor chance de eles sequer chegarem perto da premiação. Não por questões de qualidade, é claro, mas sim devido aos critérios estabelecidos pela Academia e à enorme campanha milionária necessária para que um filme tenha alguma possibilidade de indicação.
RIVAIS
O primeiro filme subvalorizado no Oscar 2025 pode até ter uma ou outra indicação, mas bem abaixo do que merecia.
“Rivais” foi o filme mais comentado do primeiro semestre em uma história onde o sexo e o desejo se tornam o combustível de um duelo esportivo. Pensar em Melhor Direção e não ver Luca Guadagnino indicado é simplesmente absurdo, assim como Zendaya, Mike Faist e Josh O’Connor seriam relegados a azarões nas atuações. O consolo pode ser a presença em Montagem, onde o filme seria o vencedor moral.
Caso tivesse sido lançado no segundo semestre de 2024, “Rivais” poderia ter sido mais bem-sucedido nesta temporada de premiações.
THELMA
“Thelma” também foi deixado de lado na corrida do Oscar 2025. Tudo bem que a categoria de Melhor Atriz está acirrada como não se via em temporadas anteriores, mas June Squibb deveria, pelo menos, estar nas conversas.
Aos 95 anos de idade, ela encarna uma espécie de Tom Cruise da terceira idade em uma comédia que brinca com filmes de espionagem. A veterana carrega o filme nas costas de forma impecável.
Quem não viu, recomendo que assista: é um dos filmes mais divertidos de 2024.
ASSASSINO POR ACASO
Falando em diversão, “Assassino por Acaso” é um dos melhores filmes da carreira de Richard Linklater, diretor da trilogia “Antes do Amanhecer” e “Boyhood”. A partir da história de um professor que se disfarça de assassino profissional em uma parceria com a polícia, Glen Powell brilha ao encarar as múltiplas personas de um profissional desse tipo. Uma indicação a Melhor Ator o consagraria em um ano no qual foi o grande nome de Hollywood.
“Assassino por Acaso” também merecia uma indicação em Roteiro Adaptado. Pena que a acidez e a leveza do Linklater não encontram muito eco dentro da Academia.
CLUBE DOS VÂNDALOS
Deslocado da última para a atual temporada de premiações, “Clube dos Vândalos” nem chega a ser um filme incrível, mas poderia ter sido indicado em, pelo menos, três categorias: Figurino, Direção de Arte e Melhor Atriz com Jodie Comer. No meio de um elenco predominantemente masculino, ela se destaca por ser a personagem mais incisiva de todas, transitando entre ser o ponto de razão da turma, mas também com uma dose de fascínio por aquele universo e por aquelas pessoas.
Na minha visão, seria razoável que ela tivesse mais força no debate da categoria, assim como June Squibb. Infelizmente, ambas ficaram de fora, pois os dois filmes não conseguiram se firmar na temporada.
LOVE LIES BLEEDING
Apesar de subestimado, “Love Lies Bleeding” tem grandes qualidades, especialmente na direção de fotografia e na atuação hipnotizante de Katy O’Brian.
Duas cenas marcam o filme: o concurso de fisiculturismo e a sequência final. Poderia ter entrado no debate da embolada categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.
BIRD E A SEMENTE DO FRUTO SAGRADO
“Anora”, “A Substância” e “Emilia Pérez” são os filmes que saíram do Festival de Cannes ainda na disputa pelo Oscar 2025. Esta lista, no entanto, poderia ter mais dois filmes que mereciam maior destaque na temporada.
“Bird” foi exaltado pela imprensa mundial como um dos melhores filmes da competição pela Palma de Ouro. Considerado um drama emocionante sobre a jornada de crescimento, havia uma expectativa de que poderia chegar forte a Melhor Filme, Direção com Andrea Arnold, Ator Coadjuvante com Barry Keoghan e em Roteiro. Infelizmente, não aconteceu nada disso, com a MUBI preferindo focar toda a campanha no terror de Coralie Fargeat.
“A Semente do Fruto Sagrado” também ficou preterido pela Neon, que concentrou seu foco na comédia de Sean Baker. Uma pena, pois era perfeitamente possível obter indicações para Roteiro, Ator com Missagh Zareh e, principalmente, para o diretor Mohammad Rasoulof, símbolo da luta da classe artística contra a censura no Irã.
FURIOSA
“Furiosa: Uma Saga Mad Max” foi outro filme que merecia melhor sorte no Oscar. A superprodução mantém a loucura e a intensidade do filme de 2015, apostando novamente todas as fichas na ação. Não ver o filme sendo levado a sério no debate para Som, Montagem e Direção de Arte, além de Ator Coadjuvante com um Chris Hemsworth insano no melhor trabalho de sua carreira, mostra como o espaço concedido a “Estrada da Fúria” foi um lapso, e não uma regra da Academia.
MEGALÓPOLIS
Junto com “Coringa: Delírio a Dois”, “Megalópolis” foi o filme mais contestado de 2024. A viagem no tempo de Francis Ford Coppola, em uma reflexão sobre política e arte, não tinha o objetivo de gerar consensos, algo fatal para uma corrida pelo Oscar. Ainda assim, deveria ser um candidato com chances em áreas técnicas como Maquiagem e Penteado, Figurino, Efeitos Visuais e Direção de Arte, além de ser interessante vê-lo cogitado para Roteiro e Direção.
JURADO NÚMERO 2
Deixei o caso mais inexplicável para o final, até por se tratar de um dos melhores filmes de 2024, disparado.
A Warner tinha em mãos o, teoricamente, último filme de Clint Eastwood e simplesmente o descartou. Se fosse uma produção apenas razoável como “Cry Macho” e “A Mula”, faria sentido, mas “Jurado Número 2” está entre os melhores trabalhos da carreira da lenda. Trata-se de uma produção sobre justiça no sentido mais amplo, debatendo as questões morais que envolvem desde o cidadão comum até as instituições.
“Jurado Número 2” deveria estar na briga pela vitória em Melhor Filme, Direção com Clint Eastwood, Nicholas Hoult no páreo para Ator, Toni Collette com grandes chances em Atriz Coadjuvante, Roteiro Original figurando entre os finalistas facilmente, além de Montagem e Direção de Fotografia.
Simplesmente absurdo o que fizeram com o filme.




















