Caio Pimenta analisa o panorama para uma possível vitória de Wagner Moura no Oscar 2026 de Melhor Ator por “O Agente Secreto”.

AS DECEPÇÕES DA TEMPORADA

Certamente muita gente fica sempre desconfiada quando tem um otimista na sala, logo, antes de falar das chances de vitória, é preciso mostrar porque a presença do Wagner Moura entre os indicados de Melhor Ator é praticamente certa.  

A temporada de premiações da categoria masculina deixou muitos grandes candidatos pelo caminho. 

A maior de todas as decepções foi o Jeremy Allen White: o astro consagrado por “O Urso” tinha tudo para chegar a Melhor Ator até pelo perfil histórico da Academia indicar intérpretes vindos de cinebiografias. “Springsteen”, entretanto, é tão morno para o padrão do gênero que simplesmente não saiu do lugar. 

Mesmo com o status de lenda viva, o Daniel Day-Lewis também não empolgou em “Anemone”, estreia do filho dele, Roman, na direção. Situação semelhante ao Russell Crowe em “Nuremberg” com direito a uma transformação visual que não comoveu ninguém.  

Hugh Jackman fazendo uma versão de si mesmo, um tantinho mais cafona em “Song Sung Blue” serviu apenas de escada para Kate Hudson, essa sim com chance de indicações em Melhor Atriz. Nem todo carisma do mundo do Brendan Fraser alavancou “Família de Aluguel”, enquanto Will Arnett deve quebrar o histórico do Bradley Cooper em levar seus protagonistas ao Oscar em “Isso Ainda Está de Pé”. Por fim, Colin Farrell sequer deu as caras com o esquecível “Balada de um Jogador”. 

CORRENDO POR FORA

Sem essa turma toda, reduziu bastante no número de candidatos com chances reais de indicações. Com isso, se forma quatro blocos na busca pelas vagas de Melhor Ator.  

Dwayne Johnson, Oscar Isaac, Lee Byung-hun e Jesse Plemons formam o grupo com menos possibilidades. The Rock chega com o prestígio popular e a imagem de uma estrela dos filmes de ação se desafiando no maior papel dramático da carreira. A entrega física somada à transformação visual criam um combo perfeito. “Coração de Lutador”, entretanto, passou longe de convencer durante toda temporada e a sensação de que Dwayne revive a época de lutador cria barreiras contra ele na Academia. 

 

Oscar Isaac traz como maior ativo estar em um filme que certamente será um dos líderes de indicações do Oscar 2026, além de viver um personagem histórico. Infelizmente, a estrela em busca da primeira indicação passa longe de ser o que “Frankenstein” possui de melhor, inclusive, no elenco em que Jacob Elordi rouba a cena. 

Lee Byung-hun aposta na força internacional para conseguir a vaga por “A Única Saída”. O problema é que há um brasileiro mais bem posicionado em uma categoria que raramente abre espaço para produções de língua não-inglesa e o suspense sul-coreano também vem caindo nas últimas semanas. 

E ainda há o Jesse Plemons: por mais que já tenha sido premiado em Cannes, o destaque de “Bugonia” ainda passa longe de ser visto em Hollywood como um ator protagonista. Com o desempenho excelente de Emma Stone roubando a cena na dramédia do Yorgos Lanthimos, esta imagem se reforça ainda mais. 

Para este quarteto avançar, precisa de uma reviravolta bem grande na categoria. Na minha visão, o terceiro bloco da categoria disputa duas vagas em Melhor Ator. 

GRANDES CHANCES DE INDICAÇÃO

Joel Edgerton busca a primeira indicação da carreira por “Sonhos de Trem”, queridinho indie da temporada. O australiano joga com o prestígio de uma carreira muito bem construída nos últimos e um personagem nada fácil por internalizar muito do sofrimento, inclusive, o pior de todos.  

Se não dá para desistir de “Sonhos de Trem”, um filme bem irregular, é justamente pelo talento do Joel Edgerton. 

Michael B. Jordan também luta pela primeira indicação ao Oscar com “Pecadores”. O astro conta com o apoio popular, mas, principalmente, pela força e visibilidade do suspense do Ryan Coogler na temporada. Interpretar um personagem duplo com todas as pequenas nuances, além de estar praticamente o tempo inteiro em tela, o fortalece demais. 

Apesar de adorá-lo como o Killmonger em “Pantera Negra”, é inegável que “Pecadores” seja, até aqui, o grande trabalho da carreira do Michael B. Jordan. O sentimento de que ele faz por merecer esta indicação de longa data ajuda a criar um clima para lá de favorável ao californiano. 

 

Com quatro indicações ao Oscar, o Ethan Hawke aparece com trabalho mais desafiador da parceria dele com o diretor Richard Linklater. Em “Blue Moon” fazendo o compositor Lorenz Hart, o ator domina a cena do início ao fim dando vida a uma figura complexa e amargurada.  

O grande problema aqui para o Hawke é o fato de “Blue Moon” ser o filme com a menor visibilidade entre os principais cotados para Melhor Ator, inclusive, inferior a “O Agente Secreto”. Por isso, o drama da Sony Pictures Classic depende tanto do boca a boca da imprensa para se viabilizar. A campanha vem dando certo com as indicações de Hawke ao Globo de Ouro e Critics Choice. Caso fique entre os finalistas, pode ser uma surpresa capaz de crescer rumo à vitória. 

OS FAVORITOS

O Wagner Moura está no segundo bloco de Melhor Ator, sendo o terceiro nome mais forte da categoria. Antes de falar dele, entretanto, hora de comentar sobre os favoritos para o Oscar 2026. 

Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet prometem fazer um duelo pesado no Oscar 2026. O ganhador da estatueta por “O Regresso” se beneficia de estar em “Uma Batalha Após a a Outra”, o filme da temporada, com um personagem que atravessa as duas décadas da trama entregando a versatilidade do ator tanto no drama quanto no humor.  

O astro de “Marty Supreme” também está do início ao fim no drama do Josh Safdie em um papel que segue mostrando as razões dele ser o grande nome da atual geração. O hype vindo deste ano em que quase venceu a categoria por “Um Completo Desconhecido” o favorece demais na disputa. 

Os dois, entretanto, tem adversidades no meio do caminho: DiCaprio é aquele ator que os votantes podem querer deixar para depois premiá-lo, afinal, a regularidade dele faz com que sempre esteja concorrendo. O fato de “Uma Batalha Após a Outra” provavelmente dominar as muitas categorias, incluindo, os prêmios de coadjuvante, permite a Academia abrir um espaço em Melhor Ator para outra produção sair consagrada.  

Por fim, o perfil do personagem – um maconheiro revolucionário malucão – não é tão típico de ser premiado no Oscar. O último excêntrico, mais fora da curva a ganhar o prêmio foi o Denzel Washington em “Dia de Treinamento”.  

Já o Chalamet teve a dura lição que ser jovem em Melhor Ator não é uma boa caso você tenha planos para vencer. Este pode ser sempre um calcanhar de Aquiles. Também me perguntou se “Marty Supreme” é tão querido como se imaginava. Até considero que vai ter um bom número de indicações, mas, questiono se será tão incontestável junto aos votantes europeus e internacionais.  

AS CHANCES DE WAGNER

Com tantas incertezas em relação aos favoritos, por que não acreditar que uma surpresa possa ganhar espaço para vencer Melhor Ator? É aqui que o Wagner Moura pode se beneficiar. 

O brasileiro aparece logo abaixo de DiCaprio e Chalamet na corrida rumo ao Oscar. Até o momento, Wagner gabaritou na temporada ao participar do Gotham, Critics e Globo de Ouro. Falando nesta premiação, o baiano aparece como favorito a Melhor Ator de Drama. Caso de fato consiga repetir o feito de Fernanda Torres, o protagonista de “O Agente Secreto” se coloca em posição altamente vantajosa pela visibilidade da festa bem próximo ao início da votação das indicações ao Oscar.  

Vale lembrar que, diferente da Fernanda no Globo de Ouro deste ano, o Wagner Moura é conhecido pelos pares nos EUA por ter feito filmes e séries em Hollywood com importantes nomes da indústria. Isso, inclusive, pode favorecê-lo a chegar no SAG Awards: caso ele consiga se inserir em uma festa voltada para celebrar estrelas norte-americanas, a situação fica muito boa para ele, pois, mostra que há força em Los Angeles e Nova York.   

Conseguindo atrair os votos britânicos e internacionais, o Wagner embaralha o panorama diante do DiCaprio e Chalamet. Se vencer o SAG ou o Bafta, cria-se a tempestade perfeita para a vitória difícil, mas, marcante do brasileiro em Melhor Ator no Oscar 2026.