De Tânia Maria a Teyana Taylor, Caio Pimenta traz as previsões iniciais para o Oscar 2026 de Melhor Atriz Coadjuvante.
POUCAS CHANCES
Um trio querido de cinéfilos e amantes de séries aparece com poucas chances de indicações.
Destaque em “O Urso”, a Ayo Edebiri apostou pesado para chegar ao Oscar com “Depois da Caçada”. As controvérsias envolvendo o drama do Luca Guadagnino passam muito pelas escolhas da construção da personagem dela, responsável por acusar o professor vivido pelo Andrew Garfield de assédio sexual. Não creio que ela resistirá às polêmicas assim como o filme.
Elogios sobram em relação a “O Bom Bandido”, considerado uma das boas surpresas do ano. Ainda assim, imaginar a Kirsten Dunst conseguindo ir tão longe aqui parece improvável em meio a um duelo com filmes mais bem posicionados na temporada.
A Margaret Qualley chegou perto da indicação na categoria neste ano com “A Substância”. Desta vez, infelizmente, a atriz não terá maiores chances com “Blue Moon”. Mesmo que o filme cresça, a tendência é a Sony Pictures Classics concentrar a campanha no Ethan Hawke e Andrew Scott.
Falando de atrizes que quase foram indicadas em temporadas anteriores, a Nina Hoss passou perto do Oscar com “TÁR”. Para a festa do ano que vem, a alemã aparece com “Hedda” em que interpreta o interesse amoroso da personagem-título.
Na peça do Ibsen, o papel é masculino, mas, na versão da Nia DaCosta, foi adaptado para uma mulher. Apesar da boa atuação, a imprensa internacional aponta que a personagem da Nina está muito a reboque da protagonista, passando longe de ter momentos próprios de maior destaque. Para piorar, “Hedda” ainda não decolou como a Amazon/MGM esperava, logo, a vejo correndo bem por fora.
Após brilhar na trilogia de terror comandada pelo Ti West, a Mia Goth encontra um desafio à altura do talento dela como a principal personagem feminina de “Frankenstein”. Nas críticas da imprensa mundial em Veneza, pouco se destacou o trabalho da atriz em relação ao falado sobre Jacob Elordi e Oscar Isaac. Uma reviravolta para crescer na temporada parece improvável demais.
Encerro o time de poucas chances no Oscar 2026 de Atriz Coadjuvante com a Tânia Maria. Dona da pensão onde moram refugiados políticos da ditadura brasileira, a intérprete potiguar rouba cada cena que participa com um humor e sagacidade impressionante. Até mesmo atores experientes como Wagner Moura e Hermila Guedes parecem se render encantados a ela toda vez que está em cena.
Neste momento, parece bastante improvável que consiga a vaga, mas, caso “O Agente Secreto” siga crescendo com Wagner Moura consolidado em Melhor Ator, mais gente pode também se encantar com Tânia. Há possibilidades de crescer ainda que seja bastante difícil de ficar entre as finalistas.
CHANCES MÉDIAS
Duas estrelas de “Pecadores” abrem o grupo com chances médias de indicação. A Hailee Steinfeld volta a encontrar um bom papel nos cinemas como a jovem apaixonada pelo personagem do Michael B. Jordan que se transforma em uma perigosa vampira. Já a Wunmi Mosaku representa a força da mulher negra norte-americana com cenas poderosas na primeira parte do filme.
O grande risco para duas é ambas dividirem votos e acabarem enfraquecendo uma à outra. Caso a Warner opte por priorizar alguém, a escolha natural seria a Mosaku até pela temática racial que envolve “Pecadores”; logo, faz mais sentido prestigiar uma intérprete negra do que uma branca.
Por outro lado, a Steinfield é mais conhecida do grande público e da própria Academia, afinal, foi indicada ainda criança em “Bravura Indômita”, fora que ela possui um destaque mais regular na trama. Escolha dura para a Warner e o Oscar.
Emily Blunt e Jennifer Lopez tinham boas perspectivas, mas, o caldo parece entornar para as duas. O fracasso de bilheteria e o desempenho nada animador junto à crítica fizeram “Coração de Lutador” cair bastante nas apostas para o Oscar. Se a situação ficou complicada para o Dwayne Johnson, o cenário é ainda mais delicado para Emily Blunt em uma personagem que até tenta buscar um certo naturalismo, mas, é apenas caricata.
Para piorar, o sucesso de “Marty Supreme” no Festival de Nova York deve colocar “Coração de Lutador” totalmente de escanteio na corrida interna na A24. Se a Emily Blunt chegar entre as finalistas, será pelo prestígio acumulado.
“O Beijo da Mulher-Aranha” é a grande aposta de toda a carreira da Jennifer Lopez para ser indicada ao Oscar. Além de protagonizar, ainda produz o musical do Bill Condon. Mesmo com os elogios vindos desde Sundance, a habilidade reconhecida na dança e no canto, além da expansão da personagem em comparação à versão vivida por Sonia Braga, a J.Lo simplesmente não decola na temporada, nunca colocada como um nome forte para a categoria.
Aqui há um pouco de resistência a ela como atriz, implicância de que ela faz nas telas aquilo que já faz nos palcos e o próprio filme que não empolgou até agora. A situação parece até mais difícil agora do que foi quando a J.Lo acabou esnobada por “As Golpistas”: ali, a estrela sempre esteve próxima da indicação, algo bem diferente da atual temporada.
A Emily Watson faz a mãe de William Shakespeare em “Hamnet” roubando a cena nos breves momentos em que aparece. Longe do Oscar desde 1999, a britânica pode se beneficiar caso o drama da Chloé Zhao cai nas graças da Academia como esperado.
Zoey Deutch tem a missão duríssima de reviver a Jean Seberg nos bastidores do clássico “Acossado”. Mais até do que atuação elogiada, a caracterização visual chamou a atenção da crítica e público em “Nouvelle Vague”.
O grande problema para ela é mesmo o filme do Richard Linklater, o qual sequer conseguiu a vaga francesa em Melhor Filme Internacional.
GRANDES CHANCES
Hora de abrir o time com chances grandes de indicação. Pela corrida estar realmente embolada, são nove nomes lutando por três vagas.
“Marty Supreme” conta com duas delas: a Gwyneth Paltrow era cotada desde o início da temporada. Fazendo uma mulher envolvida com a máfia do pingue-pongue que se relaciona com o personagem do Timothée Chalamet, ela pode voltar ao Oscar após a vítima por “Shakespeare Apaixonado”.
A exibição no Festival de Nova York reacendeu os holofotes sobre Odessa A’zion. Com apenas 25 anos, ela seria um perfil de indicação e até possibilidade de vitória que a Academia ama: jovens, talentosas e belas estrelas. Nem preciso ir muito longe para lembrar que a Mikey Maddison derrotou Demi Moore e Fernanda Torres assim no Oscar 2025.
Laura Dern e Regina Hall também surgem com grandes chances de indicação. Com “Is This Ting On?”, a primeira busca retornar ao Oscar após a vitória com “História de um Casamento”, enquanto a segunda luta para ser vista como uma intérprete capaz de mandar bem no drama após se destacar na comédia.
O The Guardian classificou a atuação da Laura Dern como encantadora, enquanto o The Hollywood Reporter aponta o trabalho dela e do Will Arnett como excelentes por serem tão naturais. “Is This Thing On?” pode até não ser aquela produção que chega para ganhar o Oscar, mas, tem potencial para se colocar entre os finalistas das principais categorias. Com o prestígio e a influência que possui, a atriz é um nome muito pesado para a indicação.
Vejo mais dificuldades para a Regina Hall: ok que “Uma Batalha Após a Outra” chega extremamente forte, o que pode fazer o longa do Paul Thomas Anderson empilhar indicações. Porém, do trio feminino, ela é quem menos tem espaço de tela e uma personagem bem menos marcante em comparação à Teyana Taylor e a Chase Infiniti, esta deslocada para a categoria principal. Claro que pode ser finalista, mas, não vejo tão forte quanto suas concorrentes.
Enquanto as atenções de “Valor Sentimental” estão todas no Stellan Skarsgaard, Renate Reinsve e Elle Fanning, a Inga Ibsdotter Lilleaas pode ser a surpresa em Atriz Coadjuvante. Fazendo a irmã da protagonista, ela possui momentos-chaves do drama norueguês em que não fica atrás do trio principal. Considero nome forte para uma das últimas vagas.
Se a Academia for indicada uma mesma produção duas vezes em Atriz Coadjuvante, acredito em chances maiores para “Valor Sentimental” do que “Uma Batalha Após a Outra”.
Ariana Grande fará o raio cair duas vezes no mesmo lugar? Na primeira parte de “Wicked”, Glinda roubou a cena de tal modo com seus trejeitos exagerados que se tornou nome obrigatório em Atriz Coadjuvante. Já no encerramento do épico musical, os excessos podem até não chamar a atenção, mas, a virada de chave da personagem tem potencial de trazer novos contornos enriquecedoras para a intérprete explorar.
E a Glenn Close? Todos que assistiram ao terceiro filme da série “Entre Facas e Segredos” em Toronto fizeram questão de exaltar a veterana como um dos destaques do numeroso elenco. A veterana interpreta Martha Delacroix, beata e maior frequentadora da igreja onde o suspense se passa adotando uma linha estranha e assustadora, segundo a imprensa norte-americana.
O ponto central é se a Academia estaria disposta a indicá-la para perder novamente. Tudo aponta que será muito improvável a Glenn Close vencer o Oscar por este trabalho, especialmente, em uma categoria equilibrada como a atual. Daí, fazer a estrela perder a estatueta pela nona vez não faria sentido; seria até uma crueldade.
A Amy Madigan completa o time com grandes chances. Com aquele ruivo e totalmente esquisita, ela cria uma figura enigmática em “A Hora do Mal”. Impossível não ficar apreensivo e esperar sempre o pior quando ela aparece. Uma das melhores vilãs do cinema de terror na década.
Há um apelo do público e da crítica para a indicação da Madigan até pelo inusitado em uma categoria que foi bastante convencional nas últimas duas temporadas. Também seria a única forma de prestigiar “A Hora do Mal”, o terror mais interessante de 2025. O risco de esnobada, entretanto, está sempre ali até pelas resistências históricas com o gênero na Academia.
FAVORITAS À INDICAÇÃO
Vamos, então, às duas candidatas que considero garantidas para a indicação e, no momento, favoritas para a vitória.
Chegou a hora da Elle Fanning finalmente ser indicada ao Oscar. “Valor Sentimental” deve fazer aquilo que “Um Completo Desconhecido” não conseguiu. No drama do Joachim Trier, ela interpreta uma superestrela de Hollywood encantada pelo diretor vivido pelo Stellan Skarsgaard.
“Valor Sentimental” está sendo considerado uma virada de chave na carreira da Fanning a ponto do nome dela ser apontado como certo na categoria desde Cannes. Como já falei no vídeo, a Academia ama prestigiar jovens estrelas e, com 27 anos, a americana cairia perfeitamente neste perfil histórico. A indicação é certa e a vitória não é nada impossível.
A favorita, entretanto, reside na Teyana Taylor. Em uma atuação indomável e hipnotizante, ela domina a primeira parte de “Uma Batalha Após a Outra”. Basta colocar o olho nela que fica compreensível como homens tão diferentes como os vividos por Leonardo DiCaprio e Sean Penn ficam loucos por ela.
A Teyana chama tanta atenção que você fica querendo mais e mais por ela na história. Não à toa que o fantasma dela permeia toda a trama ao longo de décadas e gerações. A vitória dela em Atriz Coadjuvante é a aposta mais certa que “Uma Batalha Após a Outra” tem nas categorias de atuação, visto que o DiCaprio e Penn terão desafiantes mais pesados em suas respectivas disputas.
Não duvido absolutamente nada que a Teyana Taylor domine sem maiores dificuldades Melhor Atriz Coadjuvante até o Oscar 2026.
Na minha visão, as indicadas serão: Teyana Taylor, Elle Fanning, Ariana Grande, Inga Ibsdotter Lilleaas e Gwyneth Paltrow.
































