“Wicked” chegou aos cinemas com desconfiança após o fracasso de “Cats”, mas conquistou a crítica e o público.

Hoje, dá para cravá-lo tranquilamente entre os finalistas de Melhor Filme, porém, parece que ele pode ir além disso.

Neste novo vídeo no Cine Set, apresento sete motivos para acreditar que a adaptação da Broadway pode vencer o Oscar de Melhor Filme.

FATOR 1: POSSÍVEL LIDERANÇA NAS INDICAÇÕES

O primeiro motivo para acreditar que Wicked é um candidato forte para ganhar Melhor Filme está na provável liderança de indicações que o musical deve ter.

A superprodução da Universal Pictures deve praticamente “gabaritar” nas categorias técnicas: está mais do que garantido em Direção de Arte, Figurino, Efeitos Visuais, Som, Maquiagem e Penteado. Há boas possibilidades ainda de aparecer em Trilha Sonora, na contestada Direção de Fotografia e na Montagem.

Para se credenciar como candidato forte a Melhor Filme, precisaria garantir uma vaga em Roteiro Adaptado, algo possível, ainda que a concorrência esteja extremamente pesada. Se Wicked conseguir, aliás, será péssima notícia para o brasileiro Ainda Estou Aqui. Nas atuações, Ariana Grande em coadjuvante e Cynthia Erivo em atriz principal devem ser indicadas. Jon M. Chu corre por fora, mas vejo potencial para crescer em Direção.

No melhor dos cenários, com Direção e Roteiro Adaptado, Wicked alcança 13 indicações. Na pior hipótese, oito. Acredito que o musical ficará no meio termo, com algo entre 9 e 10 indicações, conseguindo incluir Montagem e a indicação para Jon M. Chu.

Somente três filmes podem ameaçar a liderança de Wicked nas indicações: Emilia Pérez, com a ajuda de duplas indicações em Atriz Coadjuvante e Canção Original; Duna 2, que poderia superá-lo com seu predomínio nas áreas técnicas; e O Brutalista, que deve ter bom desempenho tanto nas categorias principais quanto nas técnicas.

FATOR 2: BOM INÍCIO NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

O segundo ponto a favor de Wicked foi o bom começo de temporada de premiações, obtendo reconhecimentos que nem imaginava ter.

Venceu o National Board of Review (prêmio conquistado em 2018 por Green Book), foi eleito o filme do ano pelos críticos de Washington e lidera as indicações ao Critics’ Choice, sendo lembrado em 11 categorias, o mesmo número de Conclave.

A virada decisiva pode ocorrer no Globo de Ouro: se vencer o favorito Anora em Comédia/Musical, a superprodução ganha muita força.

FATOR 3: FOCO TOTAL DA UNIVERSAL PICTURES

Wicked também se beneficia do caminho aberto pela Universal Pictures nesta temporada. Dentro do estúdio, o musical não tem concorrência interna.

Situação bem diferente, por exemplo, de O Brutalista, que divide as atenções com Sing Sing, e até da Netflix, que, apesar de ter Emilia Pérez como carro-chefe, precisa ficar de olho em Angelina Jolie em Maria, com ótimas chances de levar Melhor Atriz.

Apenas Anora, da Neon, tem um estúdio para chamar de seu, assim como Wicked.

FATOR 4: DIÁLOGO COM DIVERSAS ALAS DA ACADEMIA

O quarto fator está na capacidade de Wicked de dialogar com muitos setores da Academia. É um musical, gênero adorado pelo lado mais tradicionalista da Academia, mas com um ritmo que consegue atrair os mais jovens. Tem um elenco que mescla prestígio na indústria, com nomes como Cynthia Erivo, Michelle Yeoh e Jeff Goldblum, e uma estrela pop como Ariana Grande.

O musical traz todo o prestígio de um dos maiores sucessos da Broadway, conhecido por 11 entre 10 votantes do Oscar. Ainda há a questão racial abordada com sutileza, para que não seja considerado apenas uma aventura bobinha.

A maior barreira do filme pode ser junto aos votantes internacionais: estarão dispostos a premiar, pelo segundo ano consecutivo, uma superprodução de Hollywood? Ainda mais quando têm nas mãos um queridinho do cenário independente como Anora, uma obra desafiadora tecnicamente como O Brutalista e até mesmo uma produção globalizada como Emilia Pérez? São fatores que podem pesar contra Wicked.

FATOR 5: TEMPORADA SEM FAVORITOS

Ainda assim, nenhum desses três, mesmo com todo o perfil de vencedor do Oscar, se firmou como favorito na temporada até o momento.

Nesta altura do campeonato, em outras edições, Oppenheimer, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, Ataque dos Cães, Nomadland, Green Book e Roma já tinham conquistado esse status.

A situação de Anora, Emilia Pérez e O Brutalista neste ano é diferente. Logo, se Wicked conseguir chegar com força e começar a levar prêmios, há uma boa chance de conquistar esse status.

FATOR 6: APROXIMAÇÃO COM O PÚBLICO

O sexto motivo está na recente luta da Academia em buscar aproximação com o grande público. Sem os índices de audiência de antigamente, o Oscar tenta, através dos indicados, gerar essa conexão. A ampliação do número de indicados a Melhor Filme de 5 para 10, as apresentações musicais históricas de Lady Gaga e Ryan Gosling são exemplos disso.

Uma vitória de Wicked manteria essa toada vista nas últimas edições com Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, queridinho das redes sociais, e Oppenheimer, grande sucesso de Christopher Nolan impulsionado pela dobradinha com Barbie. Levando em conta que os outros três principais concorrentes não são muito conhecidos do grande público, a importância desse fator aumenta.

FATOR 7: CAMINHO RUMO AO OSCAR

O último motivo está no próprio caminho rumo ao Oscar. Wicked duela pesado com Anora no Globo de Ouro e chega forte no Critics. Vencendo os dois, dá um bom salto. Nos precursores do prêmio da Academia, as maiores chances são nos sindicatos dos produtores, sempre de olho em hits de bilheteira, e no SAG, devido ao elenco talentoso, inusitado e com grande diversidade entre os protagonistas.

OS PROBLEMAS

Por outro lado, há duas pedras no caminho ao Oscar: a primeira é que Wicked é o capítulo inicial da história. Há sempre um grande temor em premiar o primeiro filme e a sequência ser uma bomba. Isso remete a O Senhor dos Anéis: mesmo A Sociedade do Anel e As Duas Torres sendo grandes filmes, a Academia esperou Peter Jackson concluir a saga com O Retorno do Rei para consagrá-lo. Não duvido que a Academia segure um pouco desta vez também.

E o segundo é o próprio timing da premiação: em um mundo tão tensionado com guerras e embates políticos por todos os lados, premiar Wicked daria a sensação de que o Oscar vive em Nárnia, optando pelo mundo da fantasia em vez de dramas com temáticas mais urgentes. Esse é um fator que pode pesar para muitos votantes, especialmente os internacionais.