Nicole Kidman é uma das atrizes mais celebradas da indústria, entregando praticamente um ótimo filme todos os anos. Versátil, linda e talentosa, a australiana conta com o prestígio do público, da crítica e dos próprios pares, tanto que já trabalhou com nomes que vão de Stanley Kubrick a Lars Von Trier passando por Baz Luhrmann, Jonathan Glazer até Sofia Coppola.
Ainda assim, ela possui apenas uma estatueta em cinco indicações, números relativamente baixos para uma carreira com mais de três décadas no auge. Em 2025, ela deve aumentar estes índices com “Babygirl”, thriller sexual pelo qual foi premiada em Veneza como Melhor Atriz do festival.
Caio Pimenta analisa os pontos fortes e fracos da Nicole Kidman para ganhar o Oscar 2025 por “Babygirl”.
1. PONTO A FAVOR: VITÓRIA EM VENEZA
O primeiro motivo que leva a acreditar que Nicole Kidman pode sair ganhadora do Oscar de Melhor Atriz foi a premiação na categoria no Festival de Veneza. E não é apenas pela conquista importante por si, mas, pelo histórico entre os dois eventos.
Vivien Leigh, por “Uma Rua Chamada Pecado”, foi a pioneira em resultados iguais entre os dois eventos. Isso somente foi voltar a se repetir com Helen Mirren de “A Rainha”. Nos últimos anos quando Veneza passou a ser um destino importante para os estúdios de Hollywood lançarem seus candidatos, o status de Melhor Atriz na Itália como indicativo para o Oscar explodiu. Emma Stone e Olivia Colman fizeram a dobradinha, enquanto Vanessa Kirby, Penélope Cruz e Cate Blanchett foram, pelo menos, indicadas.
Por isso, o nome da Nicole Kidman parece hoje tão certo entre as finalistas e chegar no começo da temporada com um prêmio tão importante a coloca na dianteira em uma disputa que tem cara de ser embolada até o final.
2. PONTO A FAVOR: REGULARIDADE
O segundo ponto é a regularidade da estrela: são poucas as atrizes em Hollywood que conseguem emendar um projeto relevante atrás do outro como a Nicole Kidman.
Somente nos últimos sete anos, a australiana estrelou “O Estranho que Nós Amamos“, “O Peso do Passado”, “O Escândalo“, “Apresentando os Ricardos”, “O Homem do Norte” e, agora, “Babygirl”. Isso para não citar blockbusters como “Aquaman” e a premiadíssima série “Big Little Lies“.
E como deu para perceber, ela é aquele nome capaz de transitar tanto entre os filmes para explodirem na bilheteria como os mais voltados para festivais e o próprio Oscar. Isso é algo que a Academia costuma reconhecer.
3. POUCO RECONHECIMENTO NA ACADEMIA
Por isso considero que o terceiro ponto deste cálculo seja uma dívida que a premiação tem com ela. Cinco indicações e uma única vitória obtida há mais de 20 anos parece muito pouco para a Nicole Kidman.
A australiana poderia ter, pelo menos, 10 indicações caso fosse nomeada merecidamente por “Um Sonho sem Limites”, “De Olhos Bem Fechados”, “Os Outros“, “Dogville” e “O Peso do Passado”, tendo vencido com os longas do Alejandro Amenábar e Lars Von Trier.
Dependendo do andamento da temporada, a narrativa favorável a Nicole Kidman pode crescer, especialmente, se as outras candidatas não cresceram na corrida.
4. OUSADIA DE KIDMAN
O quarto motivo é a ousadia da Nicole Kidman em protagonizar “Babygirl”. Afinal, do alto dos seus 55 anos, a estrela protagoniza as sequências mais sensuais da carreira ao lado de um Harris Dickinson bem mais novo. Premiá-la poderia ser uma forma da Academia apontar que a indústria precisa ser mais ousada ao abordar o sexo em uma temporada de muitos filmes que tiveram o tema como assunto, entre eles, “Love Lies Blinding” e “Rivais”.
5. BOA ESTRATÉGIA DE LANÇAMENTO
Pensando em estratégia de campanha, a decisão da A24 lançar “Babygirl” no dia 25 de dezembro mostra-se bem interessante. É um período em que a temporada de premiações está aquecida com a divulgação dos preferidos da crítica, próximo ao Globo de Ouro e do início das votações dos indicados.
Haverá, sem dúvida, um grande alarde em torno dela para a estreia e a provocação de ser um thriller cheio de sexo chegando nas telonas no Natal. Se ser indicado e ganhar um Oscar precisa se fazer ser visto, com certeza, a Nicole Kidman trilha o caminho exato.
6. PONTO A FAVOR: GRANDE ANO DE KIDMAN
O último ponto favorável é o grande ano da estrela. A australiana fez de tudo: comédia romântica com Zac Efron, uma série de suspense e outra que foi sucesso na Netflix.
Por “O Casal Perfeito”, aliás, a Nicole Kidman ainda pode aparecer no Globo de Ouro e SAG nos prêmios de televisão. “Babygirl” é a joia da coroa da turma e um Oscar seria a consagração de uma temporada perfeita.
1. PONTOS CONTRA: CONSERVADORISMO
Se estes são mais do que bons motivos para justificar uma possível vitória da Nicole Kidman, por outro lado, há também razões para que ela acabe somente sendo indicada, mas, sem estatueta.
O primeiro deles está no conservadorismo: a resposta das urnas norte-americanas mostrou um EUA menos progressista do que imaginado por Hollywood. Mesmo em uma bem-vinda temporada em que o sexo voltou à baila nos cinemas, premiar um trabalho com forte teor sexual logo após a Bella Baxter de Emma Stone em “Pobres Criaturas” pode soar repetitivo demais para os votantes, ainda mais neste contexto. Desta forma, Saoirse Ronan, de “The Outrun”, ou Tilda Swinton, de “O Quarto ao Lado”, seriam opções menos divisivas.
2. PONTOS CONTRA: ESTIGMA DOS THRILLERS SEXUAIS
Desde que foi exibido no Festival de Veneza, “Babygirl” tem sido apontado como um “Cinquenta Tons de Cinza” melhorado, uma comparação, ao mesmo tempo, elogiosa e provocativa. Fora que há estigmas grandes em relação ao thriller erótico dentro da indústria – apesar da indicação da Glenn Close por “Atração Fatal” nos anos 1980, vale lembrar que Sharon Stone pelo já clássico “Instinto Selvagem” foi ignorada na temporada de 1993. Tenho dúvidas se vão levar o filme tão a sério para que a Nicole Kidman consiga se sustentar como favorita.
3. PONTOS CONTRA: FILME SEM FORÇA NA TEMPORADA
Exceção a Renée Zellweger e Jessica Chastain, todas as demais vencedoras do Oscar nos últimos anos estavam em produções fortes na temporada de premiações e indicadas a Melhor Filme. Até o momento, “Babygirl” não está sendo cotado para figurar entre os finalistas da categoria máxima do Oscar 2025 e nem mesmo figurar nos demais prêmios principais até por conta da preferência da A24 em relação a “O Brutalista” e “Sing Sing”.
Isso beneficia, principalmente, a Karla Sofia Gascón, de “Emilia Pérez”, e Mikey Madison, de “Anora”, produções que estarão certamente na briga por Melhor Filme, Direção, Roteiro, ou seja, muito mais sob holofotes do que “Babygirl”. Visibilidade é tudo no Oscar e pode prejudicar a Nicole Kidman.
No cenário atual, a australiana está na terceira posição atrás da Mikey Madison e Angelina Jolie, mas, pode reverter tranquilamente o cenário para se situar como a favorita em Melhor Atriz.



















