De Eva Victor a Tânia Maria, Caio Pimenta traz as maiores atuações esnobadas nas indicações ao Oscar 2026.
MICHAEL STUHLBARG E LEE BYUNG-HAN
O primeiro desta lista é um querido: o Michael Stuhlbarg pode nunca conseguir um papel de protagonista, mas, o quanto ele rouba a cena é impressionante. Em “Depois da Caçada”, o californiano faz de novo ao interpretar o marido da Julia Roberts.
São poucas as cenas dele, mas, suficientes para dar uma complexidade enorme à história, afinal, é um sujeito mais velho que sabe não estar mais no auge da forma, não despertando o prazer da esposa que, apesar das turras, ama demais. Este cuidado resulta em uma proteção para além da conta e culmina em uma cena excelente dele na cozinha entrando inúmeras vezes. Se o longa do Luca Guadagnino tivesse ido longe no Oscar, a vaga em Ator Coadjuvante certamente era possível.
Posso não ser muito fã de “A Única Saída”, mas, não dá para negar como o Lee Byung-hun está excelente. O sul-coreano encarna o desespero, a humilhação e sensação de fracasso de um sujeito tentando encontrar um trabalho após ser demitido da empresa em que atuava por décadas. Com humor, sarcasmo e drama, fica impossível não nos conectarmos com o protagonista.
Esta esnobada, entretanto, nem dá para ficar tão chateado assim, afinal, se o Lee Byung-hun estivesse forte no páreo, colocaria a indicação do Wagner Moura em grande risco. Logo, sinto muito, mas, tente na próxima.
Como disse no último vídeo, o Tonatiuh é uma das grandes revelações de 2025. A missão dele era extremamente ingrata por reprisar um papel que rendeu o Oscar ao William Hurt na versão de “O Beijo da Mulher-Aranha”, fora que é um personagem com grande risco de cair na caricatura. Ainda assim, ele driblou muito bem os desafios, conferindo energia a um musical frio por muitas vezes, superando em léguas de distância Jennifer Lopez e Diego Luna. Um nome para ficar de olho para o futuro.
“Uma Batalha Após a Outra” emplacar todo o seu elenco principal menos a Chase Infiniti é de uma crueldade sem tamanho. Desde o momento em que aparece em cena, Paul Thomas Anderson consegue captar bem a força da atriz que, em nenhum momento, se inibe diante de estrelas como Leonardo DiCaprio e Sean Penn. Pesou o fato de uma ser uma iniciante no cinema duelando com nomes mais conhecidos da indústria como Kate Hudson e Emma Stone.
Josh O´Connor teve um ano brilhante em 2025 com as atuações exaltadas em “Vivo ou Morto”, “A História do Som” e “The Mastermind”. Justamente por este último que acho que ele merecia a indicação ao Oscar: um malandro melancólico responsável pelo roubo de um quadro de uma cidadezinha sonolenta dos EUA. É uma antítese do que era o George Clooney de “Onze Homens e um Segredo” em uma obra excelente da Kelly Reichardt. Tanto o filme quanto a diretora e o britânico mereciam maior reconhecimento na temporada.
Que dupla fazem Tessa Thompson e Nina Hoss em “Hedda”. Pelo lado da protagonista, ela encontra o maior papel da carreira em uma atuação sedutora e frágil coexistindo lado a lado, enquanto a estrela alemã encarna com toda intensidade e desespero uma mulher que vislumbra uma porta de saída para a opressão masculina em plenos anos 1950.
Considero realmente absurdo ambas não terem sido devidamente valorizadas na corrida ao Oscar. Imaginar que a lista de Melhor Atriz fechou com Kate Hudson e Ariana Grande sempre esteve no radar em coadjuvante, enquanto as Thompson e Hedda ficaram o tempo todo em segundo plano é algo não faz sentido.
Falar de quem merecia mais destaque na temporada é falar de Tânia Maria. A dona Sebastiana de “O Agente Secreto” é a luz no meio da escuridão, sendo o ponto de desafogo em meio à tanta tensão de um país sufocado pela ditadura militar. Cada fala dela, cada sacada genial faz o público abraçar quase de imediato a personagem dela em uma atuação arrebatadora da potiguar.
Tudo o que falei sobre a Nina Hoss também vale para a Tânia Maria. Como Ariana Grande, Emily Blunt, Gwyneth Paltrow entraram na conversa de Atriz Coadjuvante e não houve espaço real para nenhuma delas chegarem? Coisas do Oscar.
Para fechar, Eva Victor foi uma das gratas surpresas de 2025 com “Sorry, Baby”. O desafio dela foi imenso ao atuar, dirigir e roteirizar no primeiro longa da carreira. Mais do que isso, ela consegue trazer o hiato da vida de uma pessoa, o tempo em que tudo paralisa para que seja possível entender um trauma devastador para a tela. Da alegria dos sonhos ao choque passando pela gradual e difícil recuperação, Eva brilha em cena em um papel excelente.



















