A quarta parte dos candidatos ao Oscar 2027 se concentra nos blockbusters de Hollywood com destaque para “Duna 3” e “Michael”.
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‘MICHAEL’: CINEBIOGRAFIAS SEGUEM FORTES?
Queen, Elvis Presley, Bob Dylan… Lendas da música estiveram presentes nas últimas edições do Oscar com grande destaque. Em 2027, o Rei do Pop busca se juntar ao grupo.
“Michael” é a adaptação do sucesso da Broadway para os cinemas. O longa, dirigido por Antoine Fuqua, faz aquilo que as cinebiografias oficiais fazem de melhor: drama linear com grandes virtudes técnicas, precisão na recriação de momentos icônicos e boas atuações, deixando as polêmicas de lado.
A produção da Universal Pictures está vivendo os altos e baixos de um longa do gênero: a crítica não morreu de amores, enquanto o público foi pego pela nostalgia, com enormes bilheterias na estreia. Nada muito diferente do que se viu com “Bohemian Rhapsody”, vencedor de quatro estatuetas na edição de 2019.
Mirando o Oscar, “Michael” está em uma situação delicada: por um lado, existe o carinho da indústria por um ícone da cultura pop, capaz de fazer com que possíveis falhas sejam relevadas. A possibilidade de um bom desempenho nas categorias técnicas — design de produção, figurino, maquiagem e penteado são indicações mais do que possíveis — pode ajudar a alavancar as chances de ficar entre os 10 finalistas de Melhor Filme.
Por outro lado, a vida de Michael Jackson foi observada tão de perto ao longo do tempo e está tão viva na memória de todos que as omissões, que pouco afetaram “Um Completo Desconhecido”, por exemplo, aqui podem ter um peso maior. Somando isso ao cansaço do gênero, ao fato de que haverá um segundo filme para concluir a história e ainda ao lançamento tão distante da temporada, “Michael” pode acabar sendo esquecido no Oscar 2027.
‘NÁRNIA: O SOBRINHO DO MAGO’: PRESTÍGIO DE GRETA GERWIG
Greta Gerwig conseguiu um feito e tanto ao fazer “Barbie” cair nas graças da Academia, concorrendo em oito categorias e vencendo uma estatueta. Por isso, não será surpresa vê-la novamente, desta vez com a adaptação de “Nárnia”.
“O Sobrinho do Mago” foca no período anterior aos eventos mostrados nos filmes dos anos 2000. A história acompanha o menino Gregório e sua vizinha Polly entrando no bosque mágico que dá acesso a outros mundos. Carey Mulligan e Daniel Craig são os nomes mais conhecidos do elenco.
A Netflix planeja o lançamento nos cinemas dos EUA no Dia de Ação de Graças, com a chegada oficial ao streaming no Natal. A estratégia para superproduções desse tipo é pular o circuito de festivais para mirar no circuito comercial.
Dos quatro longas-metragens dirigidos por Greta Gerwig, “Lady Bird”, “Adoráveis Mulheres” e “Barbie” chegaram ao Oscar de Melhor Filme. Logo, não duvide que ela consiga repetir o feito.
‘THE UPRISING’: GREENGRASS NA LUTA CONTRA A MÁ FASE
Já Paul Greengrass atravessa uma fase bem complicada no Oscar: “O Ônibus Perdido” se juntou a “Relatos do Mundo” e “22 de Julho” como produções que decepcionaram na temporada de premiações.
Desta vez, o diretor britânico busca dar a volta por cima com “The Uprising”. O drama de época se passa na Inglaterra do século XIV, devastada pela peste, e acompanha um camponês que desencadeia uma rebelião contra o rei Ricardo II e, sem querer, se torna uma lenda da resistência.
Andrew Garfield e Jamie Bell são os protagonistas da produção. A Focus Features anunciou o lançamento comercial de “The Uprising” para o dia 11 de setembro, um dia após o término do Festival de Veneza. Logo, já não deve ser um evento do qual a produção participará. Toronto está fora do radar, e Telluride parece uma possibilidade remota.
Precisa ser um grande sucesso ou contar com um apoio britânico massivo para conseguir chegar forte na temporada, visto que essa estratégia está longe de ser brilhante por parte da Focus Features.
MARVEL EM DOSE DUPLA: ‘HOMEM-ARANHA’ E ‘VINGADORES’
A Marvel retorna aos cinemas em dose dupla neste ano. “Homem-Aranha: Um Novo Dia” será o primeiro, chegando às telonas em julho. A história traz como vilões Escorpião e Tentáculos e ainda apresenta as consequências dos acontecimentos do último longa, que reuniu as três gerações do aracnídeo.
Já “Vingadores: Doutor Destino” traz a quarta reunião dos principais heróis da Marvel, desta vez ao lado dos X-Men e do Quarteto Fantástico. Até Robert Downey Jr. retorna, agora como o vilão e personagem-título da aventura. A estreia acontece no dia 17 de dezembro.
Se, no auge da Marvel, “Guerra Infinita” e “Ultimato” não conseguiram espaço nas categorias principais do Oscar, considero bastante improvável que “Doutor Destino” chegue à premiação. O espaço para ambos será nas categorias de sempre: Melhores Efeitos Visuais e, talvez, Melhor Som, Maquiagem e Penteado e Figurino.
DISNEY/PIXAR E NINTENDO NA BRIGA POR MELHOR ANIMAÇÃO
“Cara de um, Focinho do Outro” e “Toy Story 5” são as apostas da Disney/Pixar para retomarem o predomínio em Melhor Animação.
A aventura do castor já arrecadou mais de US$ 360 milhões ao redor do mundo desde o lançamento, em março deste ano. Se os números não são tão empolgantes, as críticas foram ainda menos. Uma produção esquecível do estúdio, que pode repetir o destino de “Elio”, ou seja, conseguir uma indicação apenas se a temporada for muito fraca.
Já Woody e Buzz buscam a terceira vitória da série na categoria. A memória afetiva do público com os personagens pode ajudar bastante, como aconteceu no quarto filme. “Toy Story 5”, pelo menos, traz um ponto de partida interessante, capaz de justificar esticar a história: a substituição dos bonecos físicos por aparelhos eletrônicos.
A maior bilheteria do ano até agora, entretanto, pertence à Universal Pictures com “Super Mario Galaxy”. A animação soma mais de US$ 750 milhões ao redor do planeta. Mirando o Oscar, porém, é muito difícil ser indicada: se o primeiro filme, que era razoável, foi ignorado, a péssima continuação — um compilado de efeitos visuais sem rumo — não deve aparecer.
GODZILLA EM NOVA YORK
O surpreendente vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2024 retorna com o objetivo de destronar as superproduções de Hollywood.
“Godzilla Minus Zero” tira a história do Japão e vai para os EUA, especificamente Nova York. Com isso, a expectativa do diretor e roteirista Takashi Yamazaki é expandir ainda mais a força da série, ampliando o público ocidental.
Godzilla em Nova York não é novidade: no fim dos anos 1990, tivemos uma história do monstro na Big Apple protagonizada por Matthew Broderick e Jean Reno. “Minus Zero” estreia em novembro nos EUA e deve brigar novamente no Oscar por Efeitos Visuais e, talvez, Melhor Som. Mais do que isso, acho muito improvável.
‘DUNA 3’: VILLENEUVE SERÁ RECONHECIDO?
“Duna 3” será o blockbuster com mais chances de brilhar na temporada de premiações. Além da força nas categorias técnicas, em que já venceu sete estatuetas, a Warner espera recolocar a produção em Melhor Filme após a esnobada no segundo longa. Denis Villeneuve também está de olho na indicação em Melhor Direção como reconhecimento pela condução da trilogia como um todo. Quanto ao elenco, parece improvável pensar em alguém indicado neste momento.
Minha grande dúvida é o quanto “Duna” é uma série realmente querida. Sinto que há mais respeito e reconhecimento pela qualidade técnica do que necessariamente paixão pelos filmes. Nesse sentido, vejo a trilogia de Denis Villeneuve mais próxima de “Avatar” do que de “O Senhor dos Anéis”: enquanto os filmes de James Cameron sempre participam, as obras de Peter Jackson foram fortes nos Oscars em que competiram, a ponto de dominar a edição de 2004.
Pode até chegar a Melhor Filme em 2027, mas está muito longe de qualquer chance de vitória.


















