Da iniciativa de inclusão de gênero e racial até a alteração na data da cerimônia do Oscar de 2021, Caio Pimenta analisa o melhor e o pior das mudanças feitas pela Academia.

MUDANÇA DA CERIMÔNIA 

A cerimônia do Oscar só foi adiada em três ocasiões:  em 1938 pela inundação de Los Angeles; em 1968 pelo assassinato de Martin Luther King, e em 1981 com a tentativa de assassinato do então presidente Ronald Reagan. 

Como adiantado aqui no canal, o Oscar mudou de data. Saiu do dia 28 de fevereiro para o dia 25 de abril de 2021. Por conta de todo o caos da pandemia da COVID-19, essa alteração levou dois motivos em conta: primeiro, a finalização de muitos filmes que podem concorrer ao prêmio que ainda precisam passar pelo desfecho da pós-produção; o segundo é uma janela de exibição nos cinemas um pouco mais para que rendam maior bilheteria. 

Essa mudança altera também o período de elegibilidade dos candidatos ao Oscar: poderão concorrer produções lançadas entre 1o de janeiro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Isso ajuda os estúdios, claro, para dar maior tempo, porém, corre o risco de muitos bons filmes lançados neste primeiro semestre serem esquecidos.  Como, por exemplo, “Destacamento Blood”, o novo filme do Spike Lee, e “A Assistente”, com um ótimo desempenho da Julia Garner. 

Algo interessante vai ser o Festival de Berlim 2021: afinal de contas, sem Cannes e um Festival de Veneza provavelmente esvaziado, o evento alemão pode acabar sendo o grande evento de cinema escolhido por Hollywood para o lançamento de possíveis candidatos ao Oscar. 

10 INDICADOS EM MELHOR FILME 

Uma mudança importante prevista para começar a valer no Oscar 2022 é que a categoria de Melhor Filme terá 10 indicados obrigatoriamente. Vale lembrar que até 2009 eram apenas cinco indicados. Esse número aumentou para o dobro no ano seguinte e ficou aberto para entre 5 e 10 a partir de 2012. 

Particularmente, eu sou contrário a essa medida. Entendo que é uma busca da Academia em tentar maior diversidade entre os indicados com mais filmes dirigidos por mulheres ou estrelados por negros na disputa. Porém, eu temo demais que o nível caia da disputa. 

Em 2010, por exemplo, quando eram obrigatórios 10 indicados, vimos entre os finalistas o fraquinho “Um Sonho Possível”, o apenas correto “Educação” e “Distrito 9”. Já em 2011, a gente teve uma lista melhor, porém, ainda assim dava para dispensar “Inverno da Alma” e “127 Horas”. 

Nem todo ano vai funcionar essa ideia e vou demonstrar isso de forma mais clara no vídeo da próxima segunda-feira.  

A HORA DA INCLUSÃO? 

Para mim, a mais importante mudança no Oscar deve ser anunciada no próximo de 31 de julho. A Academia confirmou que está estudando formas de estimular a representatividade e participação de negros em produções que buscam disputar o prêmio. Essa medida não vale para o Oscar 2021. 

A Academia vem sendo assombrada ao longo dos últimos anos pela questão da representatividade negra na premiação. A hashtag #OscarSoWhite foi importante para dar visibilidade a um problema histórico que voltou a acontecer em 2015 e 2016 quando nenhum ator, atriz ou diretor negro foi indicado ao Oscar.  

Houve tentativas de mudar isso capitaneadas, principalmente, pela Cheryl Boone Isaacs, uma mulher negra que comandou a entidade durante quatro anos. Entre as medidas foi o aumento do número de membros, trazendo para a Academia mais negros, mulheres, latinos, europeus, asiáticos. Ainda assim, apenas 32% dos integrantes dela são mulheres e 16% não são brancos. E o #OscarSoWhite neste ano, com a indicação solitária da Cynthia Erivo, de “Harriet”, entre os intérpretes negros. 

Caso se confirme uma possível exigência da Academia, ela mexe na estrutura, na base da indústria. O Oscar é apenas um reflexo de Hollywood; se a indústria é machista e permite pouco espaço as minorias, fatalmente, a premiação vai demonstrar o mesmo. Agora, com a Academia cobrando uma postura mais inclusiva, ela encara o problema de frente como se espera de uma entidade tão prestigiada com potencial para mudar verdadeiramente os rumos do cinema. 

Além disso, a Academia vai promover um painel comandado pela Whoopi Goldberg para debater justamente a questão racial nos cinemas. 

UNIFICAÇÃO DAS CATEGORIAS DE SOM 

Atendendo a um pedido dos próprios profissionais da área, as categorias de som serão unificadas. Então, esqueça todos aqueles tutoriais sobre o que é mixagem e o que edição de som.

A partir de agora, é uma só categoria e eu aprovo. Acho que é algo mais simples, de entendimento fácil para todo mundo e você premia o conjunto de profissionais da área.

Ninguém sai perdendo com isso. 

GOVERNORS AWARDS 

Por fim, a festa do Governors Awards não será realizada neste ano. Ela tradicionalmente acontece entre outubro e novembro, concedendo homenagens a grandes nomes da indústria. São Oscars honorários, humanitários e o Irving Thalberg.  

Também tem servido para a Academia reconhecer gênios que nunca conseguiram vencer o Oscar normal. O David Lynch ganhou em 2019 e, no anterior, foi a vez da Agnes Varda. 

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