De Glen Powell a Ralph Fiennes, Caio Pimenta traz as previsões iniciais para a aguardada disputa de Melhor Ator do Oscar 2025.

CORRENDO POR FORA

2024 é o ano de Glen Powell. O galã estrelou a divertida comédia romântica “Todos Menos Você”, roubou a cena em “Twisters” e se destacou em “Assassino por Acaso”. Sua versatilidade qualifica bem todas as nuances que o texano traz para a excelente comédia de Richard Linklater. Infelizmente, ele deve passar bem longe do radar da Academia e da própria Netflix para a campanha.

Jude Law tenta terminar com o jejum de 20 anos sem indicações ao Oscar, mas “The Order” passou despercebido em Veneza. A tendência é que o britânico nem sequer seja lembrado na temporada.

Harris Dickinson torce para que Nicole Kidman faça um milagre para além de Melhor Atriz. Caso a australiana consiga puxar o filme para mais categorias, talvez o astro de “Babygirl” consiga vislumbrar algo. O cenário, entretanto, parece praticamente impossível para ele.

Depois de interpretar Steven Spielberg em “Os Fabelmans”, Gabriel LaBelle faz Lorne Michaels, criador e produtor do “Saturday Night Live”. Por um lado, Hollywood adora ver jovens estrelas representando grandes astros da história do show business – como Austin Butler e Andrew Garfield. Por outro, um filme em que o protagonismo é dividido entre um elenco numeroso pode pesar contra o jovem ator.

Nicholas Hoult chega com a missão de ser o último protagonista de um filme dirigido por Clint Eastwood. Interpretando um jurado com um sério dilema moral, o britânico de 34 anos tem a maior chance de dar um salto na carreira. O sucesso de “Jurado Número 2” junto à crítica e ao público determinará suas chances de indicação.

Por “Os Fantasmas Ainda se Divertem”, Michael Keaton é mencionado pela imprensa norte-americana como uma possibilidade em Melhor Ator. É uma das maiores surpresas da temporada; embora ele esteja bem na fantasia de Tim Burton, acreditar em uma indicação ao Oscar parece demais.

Elliott Heffernan tentará um feito raro em Melhor Ator: uma indicação para um intérprete infantil. O garoto é o protagonista de “Blitz”, onde faz o filho de Saoirse Ronan no meio dos ataques nazistas à Inglaterra na Segunda Guerra Mundial. A única vez em que uma criança concorreu ao prêmio foi em 1931, com Jackie Cooper por “Skippy”.

Tom Hanks pode ser querido por todos, mas a Academia não tem uma relação recente tão boa com o astro: apenas uma indicação nos últimos 20 anos. Mesmo retomando a parceria com Robert Zemeckis após o sucesso de “Forrest Gump”, acredito que “Here” terá destino semelhante a “Relatos do Mundo”, “O Pior Vizinho do Mundo”, “Elvis” e “Sully”, ou seja, nada de indicação.

Jharrel Jerome corre por fora em “Unstoppable”, mas pode subir na temporada. Ele interpreta Anthony Robles, atleta de luta livre campeão nacional que alcançou este feito mesmo sem uma das pernas. É o típico personagem de superação que a Academia adora consagrar, mas ele precisará de uma campanha mais robusta, algo que a Amazon/MGM ainda não fez.

O foco do estúdio está em “Nickel Boys”, drama dirigido pelo estreante RaMell Ross. Com isso, Ethan Herisse e Brandon Wilson, que interpretam jovens em situações terríveis em um reformatório da Flórida, saem ligeiramente na frente na disputa de Melhor Ator. Mesmo assim, as chances para ambos são baixas neste momento.

Andrew Garfield completa o time dos azarões com “Todo o Tempo que Temos”. A dobradinha com Florence Pugh joga a favor, mas a competição interna na A24 com Daniel Craig, Colman Domingo e Adrien Brody complica qualquer sonho de indicação.

POSSÍVEIS SURPRESAS

Agora é a vez do time que tenta surpreender em Melhor Ator. Embora haja muita gente à frente deles, quem sabe não consigam arrancar de última hora? É o caso de Paul Mescal.

Se “Gladiador 2” realmente corresponder às expectativas do que a imprensa norte-americana alardeia sobre o épico de Ridley Scott, o jovem ator poderá alcançar sua segunda indicação. Paul Mescal sempre será comparado a Russell Crowe, mas seu talento e a memória afetiva do público e da crítica por “Aftersun” são pontos favoráveis.

Se Jesse Eisenberg não conseguir uma vaga em Melhor Direção, quem sabe não consiga aqui? “A Verdadeira Dor” é uma dramédia que funciona bem pela troca entre os atores, alcançada por ele e Kieran Culkin. Os elogios da crítica e o carinho do público nos festivais em que passou são indicativos. Contudo, ele enfrentará dois desafios: superar a concorrência interna na Searchlight Pictures com Timothée Chalamet e a resistência de setores da Academia que podem considerar seu estilo de atuação cansativo.

Joaquin Phoenix busca o feito de ganhar Melhor Ator pelo mesmo personagem. No longa deste ano, o astro adiciona a veia musical às esquisitices de Arthur Fleck, o Coringa. O maior problema será a perda do fator novidade: embora ele esteja excelente em “Delírio a Dois”, já não há o mesmo impacto em vê-lo como o vilão novamente, o que pode ser fatal para sua vaga no Oscar. Se conseguir a improvável indicação, ele se juntará a Bing Crosby, Peter O’Toole e Paul Newman, que receberam duas indicações pelo mesmo personagem.

Jesse Plemons é um nome discreto, mas se tornou uma unanimidade entre seus pares, desejado por cineastas como Martin Scorsese, Jane Campion, Steven Spielberg, Paul Thomas Anderson e Adam McKay. Yorgos Lanthimos entrou na lista com “Tipos de Gentileza”, onde Plemons se destaca nas três histórias. Sua vitória no Festival de Cannes como Melhor Ator deixa claro seu prestígio e a possibilidade de ser o quinto nome surpresa na lista do Oscar.

Hugh Grant também pode surpreender. Em “Herege”, o astro das comédias românticas se arrisca no terror ao interpretar o dono de uma casa que inferniza a vida de duas jovens missionárias. Embora o cinema de gênero não seja bem visto pela Academia, a curiosidade de ver Grant no terror pode levar muitos votantes a prestigiar o filme e talvez indicá-lo em uma das melhores fases da carreira.

GRANDES CHANCES

Os próximos três candidatos estão disputando uma vaga no Oscar de Melhor Ator e todos têm grandes chances de chegar lá.

John David Washington é o principal nome da Netflix na categoria. O protagonista de “The Piano Lesson” confia no bom retrospecto das adaptações do dramaturgo August Wilson em Melhor Ator para conseguir sua primeira indicação. Em 2017, Denzel Washington quase levou a estatueta com “Um Limite Entre Nós”, assim como Chadwick Boseman em 2021 com “A Voz Suprema do Blues”.

Daniel Craig teve sua vaga, antes considerada certa, abalada pelo desempenho abaixo das expectativas de “Queer” no Festival de Veneza. Perder para Vincent Lindon em Melhor Ator na Itália complicou sua situação em uma disputa acirrada, inclusive dentro da A24. Contudo, a coragem do ex-007 de encarar cenas tórridas de sexo gay pode ser considerada pela Academia ao decidir sobre a última vaga.

Sebastian Stan vive um grande ano na carreira com premiações em Berlim e elogios em Cannes. O Soldado Inverno da Marvel chega com duas possibilidades: com “A Different Man”, ele precisará superar a intensa concorrência na A24, enquanto “O Aprendiz” enfrenta a aversão natural de Hollywood em relação a Donald Trump. Ele ainda corre o risco de disputar votos contra si mesmo.

OS FAVORITOS

Chegamos, então, aos favoritos na disputa do Oscar 2025 de Melhor Ator. Dos quatro nomes na dianteira, apenas um corre pequeno risco de ficar de fora.

“A Complete Unknown”, guardado a sete chaves pela Searchlight Pictures, tem a missão de ser a cinebiografia tradicionalista de Bob Dylan. O fato de não ter sido exibido em festivais até agora gera desconfiança, mas, se cumprir o que se espera, Timothée Chalamet deve entrar forte na disputa pela vitória. Com apenas 28 anos, ele se tornou um dos atores mais requisitados de Hollywood, e interpretar um gênio da cultura americana seria o ápice.

O histórico recente da Academia permite a Chalamet sonhar com a estatueta: Rami Malek como Freddie Mercury, Austin Butler como Elvis Presley e Bradley Cooper como Leonard Bernstein mostram isso.

Após ganhar o Oscar por “O Pianista”, superando astros como Jack Nicholson e Daniel Day-Lewis, esperava-se que Adrien Brody fosse imparável. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. “O Brutalista” chega como uma segunda chance, com um desempenho extremamente elogiado.

Embora não se possa dizer que seja uma retomada de carreira como a de Brendan Fraser ou Renée Zellweger, há uma sensação de resgate em relação a Adrien Brody que pode fortalecer sua narrativa. Isso, somado ao fato de que seu filme tende a ser um dos mais indicados e premiados, cria uma combinação promissora.

As indicações ao Oscar deste ano foram suficientes para provar o carinho da Academia por Colman Domingo. A estrela de “Rustin” deixou Leonardo DiCaprio para trás na disputa por Melhor Ator. Nesta nova temporada, ele deve repetir o feito com “Sing Sing”, onde interpreta um prisioneiro que encontra novos caminhos por meio da arte.

Além do tema tocante para a Academia, Colman Domingo atua com não-atores que interpretam versões de si mesmos, um desafio enorme para qualquer intérprete. No entanto, a baixa bilheteira do lançamento de “Sing Sing” em julho — com uma arrecadação de apenas US$ 2 milhões nos EUA — pode atrapalhar, caso a A24 não realize uma campanha eficaz para promover o longa.

Por fim, há quem, neste momento, parece ser o favorito à vitória. Embora possa não ser o mais amado, é difícil encontrar um cinéfilo que não goste de Ralph Fiennes. Com esse prestígio, o astro chegará ao Oscar 2025 com “Conclave”. Liderando um elenco de grandes nomes, ele busca um reconhecimento que a Academia lhe deve, já que conta apenas com duas indicações ao longo da carreira: “A Lista de Schindler”, em 1994, e “O Paciente Inglês”, em 1997.

Todo esse hiato e seu talento amplamente reconhecido serão peças decisivas. Caberá à Focus Features fortalecer “Conclave” para que o drama de Edward Berger impulsione Ralph Fiennes rumo à vitória.

SE AS INDICAÇÕES FOSSEM HOJES, OS FINALISTAS SERIAM…

  • Adrien Brody, por “O Brutalista”
  • Colman Domingo, por “Sing Sing”
  • Jesse Plemons, por “Tipos de Gentileza”
  • Ralph Fiennes, por “Conclave”
  • Timothée Chalamet, por “A Complete Unknown”