Uma vitória garantida que ficou ameaçada, mas depois voltou a ser garantida.

Parece maluquice isso, mas foi o que aconteceu com Zoe Saldaña nesta temporada. Tudo para ter um final feliz: a estrela de “Emilia Pérez” conquistou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

Neste novo vídeo do Cine Set, eu explico os motivos que levaram a essa conquista.

MOTIVOS 1: ATUAÇÃO EXCELENTE

“Emilia Pérez” tem motivos e mais motivos para ser criticado, mas é verdade também que houve muito exagero em tratar o musical de Jacques Audiard como o pior filme da história.

Nesta Copa do Mundo que virou o Oscar 2025, o candidato francês virou uma espécie de Argentina.

Ainda assim, Zoe Saldaña praticamente passou batida nos ataques ao filme. E não é para menos: se há algo de bom em “Emilia Pérez”, é justamente ela.

Longe do glamour que nos acostumamos a vê-la em Hollywood, Zoe aparece abatida e cansada ao viver Rita, uma advogada sem esperanças de mudança para si e para o próprio México. O convite do chefão de um violento cartel chega como uma porta para sair daquela vida, mas, ao contrário, só a afunda ainda mais. Tudo isso converge no ponto alto de “Emilia Pérez”, quando a atriz brilha ao cantar e dançar com indignação em “El Mal”.

O musical é, disparado, o melhor trabalho da carreira dela – pena que o restante do filme não se ajuda em nada.

MOTIVO 2: PRESTÍGIO DE ZOE

Na loucura que foi a temporada de premiações de “Emilia Pérez”, Zoe Saldaña conseguiu sustentar o favoritismo do início ao fim por conta de dois fatores fundamentais.

O primeiro deles foi o prestígio da atriz: com duas das maiores franquias de Hollywood no currículo – “Avatar” e “Guardiões da Galáxia” –, Zoe vinha tentando dar o salto para filmes que disputam prêmios.

A primeira tentativa foi com um drama sobre Nina Simone, que se viu cercado de polêmicas, “A Lei da Noite” não foi muito longe, assim como “Amsterdam”, até a chegada de “Emilia Pérez”.

Típica trajetória de altos e baixos, de glórias e fracassos, que a Academia sempre reconhece quando chega o papel certo.

MOTIVO 3: CAMPANHA DA NETFLIX PARA CONTER ESTRAGOS DE GASCÓN

A Netflix, então, aproveitou esta imagem positiva para conter os estragos protagonizados por Karla Sofia Gascón.

Ao notar que “Emilia Pérez” estava ruindo, o streaming correu para salvar, pelo menos, as chances de Zoe.

Ela não perdeu muito tempo para condenar os tweets racistas e islamofóbicos da colega de elenco, fazendo uma separação muito clara entre a artista e a obra.

Com a saída de cena de Gascón, os holofotes foram todos para Zoe e Selena Gomez justamente no período de votação para os vencedores. Dessa forma, a Netflix conseguiu estancar a sangria e garantir a vitória de Melhor Atriz Coadjuvante, pelo menos.

MOTIVO 4: EVITAR RECORDE NEGATIVO

Também foi uma forma de evitar um vexame, afinal, se “Emilia Pérez” perdesse todas as 13 categorias em que disputava, entraria para a história como o maior derrotado do Oscar.

Tal recorde segue sendo de “A Cor Púrpura” e “Momento de Decisão”, ambos com 11 indicações e nenhuma vitória.

MOTIVO 5: FRAGILIDADE DAS RIVAIS

Por fim, a concorrência não ajudou em nada a tirar o favoritismo de Zoe Saldaña.

Isabela Rossellini aparece em apenas sete minutos e uma única cena realmente de destaque.

Ariana Grande terá a temporada de 2026 para correr atrás da estatueta. Já Monica Barbaro demorou para crescer, deixando a impressão de que a nomeação foi suficiente, enquanto Felicity Jones sofre com as resistências à duração excessiva de “O Brutalista”.

Agora, fico aqui pensando: será que Zoe Saldaña teria chances em Melhor Atriz?

Ok, que é uma temporada muito forte para Demi Moore, mas acredito que ela brigaria com chances de vitória, sim.