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Bradley Cooper. Ah, Bradley Cooper! Quem diria que aquele ator de papéis coadjuvantes e sem grande relevância nos anos 2000, teria um boom tão grandioso com a trilogia de “Se Beber, Não Case” e, a partir disso, tornar-se-ia uma grande estrela e um nome em potencial na indústria, acumulando nada mais que 12 indicações ao Oscar no período de dez anos. Sendo cinco na categoria de atuação (quatro de ator e um de coadjuvante) e cinco de melhor filme (enquanto produtor).
Não há dúvidas que Cooper é um artista que busca reconhecimento profissional e desvincular a imagem de galã impregnada por sua estética padronizada. Contudo, essa busca desenfreada por validação do seu talento e esmero se confunde – com toda razão -, com arrogância e ausência do chamado feeling em se desconectar do peso da legitimação do seu talento e comprometimento com a arte.
Dito isso, é notório que o ator/diretor quer reconhecimento como um multiartista. E não há nada de errado nisto, porém, essa busca o faz cair sempre na cilada do quase, isto é, na linha tênue entre o bom e ruim no sentido artístico da coisa. Isso ficou explícito no regular e estranhíssimo “Maestro” (2023) e agora em “Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On?)”.
O longa é inspirado na vida do comediante John Bishop. O ator Will Arnett (que marcou minha adolescência com “Bem-Vindo à Prisão”, 2005) em uma de suas viagens à Europa assistiu ao seu show e enxergou um potencial roteiro e, juntamente com Cooper e Mark Chappell (“Veja Como Eles Correm”, 2022), estas seis mãos assinam esse texto baseado no caos matrimonial do humorista.
A obra conta a história do casal Novak, Alex (Arnett) e Tess (Laura Dern, ótima!) que, depois de vinte anos de casados decidem se separar. Não por traição, falta de amor ou algo do tipo, a rotina esfriou a relação. O não dito, o conformismo e acomodação esfriou o relacionamento de pouco mais de 26 anos. Nessa crise de meia idade, de tentar assimilar o que está acontecendo e analisar seus sentimentos e anseios, Alex acaba caindo de paraquedas em um total acaso no mundo do stand up. É naquele pub fechado, escuro e com muitos desconhecidos que ele encontra uma espécie de terapia contando os infortúnios de sua nova condição e como a vida o levou até ali. E ele começa a ser reconhecido nesse nicho específico.
Percebam que, neste breve resumo, eu disse que o filme conta a história do casal. Porém, o que vemos é somente a perspectiva de Alex. Os sentimentos, angústias e necessidades básicas de Tess aparecem quase como uma nota de rodapé para justificar as tomadas de decisões do homem. E isso não acontece somente com os protagonistas. O casal de amigos, Christine (Andra Day, exalando carisma) e Balls (Cooper, dez tons acima) também enfrentam uma crise conjugal. Mas só Balls ao longo do filme reclama da sua situação profissional, do seu lugar no mundo e da sua vontade de separar. Enquanto sua esposa é relegada à uma cena totalmente trivial demonstrando também a sua vontade de sair dessa união.
Cooper, portanto, coloca a mulher nesse lugar da racional chata, da debochada que pesa o clima (Christine), intransigente; enquanto o homem de meia idade pode ser imaturo, inconveniente, porém é carismático. Em determinado momento na cabine de imprensa olhei para um amigo de Cine Set sentando ao meu lado e ele disse a seguinte frase: “ele está querendo fazer o seu próprio O Lado Bom da Vida”. Como podem notar, não deu certo. As piadinhas infames, a escolha de Will Arnett como protagonista que, em certos momentos se confunde com o próprio Bradley Cooper no excesso de closes, e o vai e vem de um roteiro que soa interessante na primeira metade, mas que se perde na própria urgência do diretor na sua busca por validação, o comprometendo penosamente que se arrasta por pouco mais de duas horas de projeção.
Em um momento na indústria que a juventude e seus dilemas estão cada vez no centro, é interessante ver esse lado de um relacionamento maduro, de pessoas comuns de meia idade, ideias e ideais adiados em prol da união, dos filhos, da casa, cachorros, enfim, tudo que se pressupõe no senso comum do que é um casamento feliz e confortável. Bradley Cooper navega por esse lugar, entretanto mostra-se perdido em não saber ancorar de uma maneira convincente e arrebatadora como percebemos que era isso o que ele queria. Sinto informar que, isso não só não ficou de pé, como amoleceu e esfriou.













