De “O Segredo de Brokeback Mountain” a “Os Fabelmans”, Caio Pimenta traz um ranking das indicações ao Oscar da carreira de Michelle Williams.

5. Manchester à Beira-Mar – Oscar 2017

A pior indicação da carreira de Michelle Williams ao Oscar serve justamente para mostrar o tamanho de sua qualidade como atriz.

Em 2017, ela concorreu por “Manchester à Beira-Mar”, interpretando uma mãe que perde os filhos após uma tragédia doméstica. Durante boa parte do longa de Kenneth Lonergan, é possível questionar a indicação de Williams, sobretudo pelo pouco tempo de tela. Essa impressão cai por terra na comovente cena em que conversa com o ex-marido, se emociona ao perdoá-lo e pede que ele não se martirize pela morte dos filhos.

Se não serviu para lhe render o Oscar, essa sequência ao menos ajudou a consolidar a vitória de Casey Affleck. Naquela edição, Michelle perdeu para Viola Davis por “Um Limite Entre Nós”, um resultado justo, tanto pelo maior espaço da personagem quanto pela trajetória da atriz em Hollywood, que até então ainda não havia conquistado a estatueta.

4. Namorados para Sempre – Oscar 2011

Em sua segunda indicação ao Oscar, Michelle Williams aparece no quarto lugar com “Namorados para Sempre”. Apesar de considerar que o romance se excede em alguns momentos, é impossível negar a cumplicidade e o entrosamento da atriz com Ryan Gosling. Essa química permite uma conexão imediata com o público e ajuda a explicar por que o filme se tornou um dos romances mais queridos da década passada.

A indicação por “Namorados para Sempre” consolidou definitivamente Michelle dentro da Academia. Naquela temporada, porém, não havia qualquer possibilidade de vitória diante do domínio absoluto e justo de Natalie Portman por “Cisne Negro”.

3. SETE DIAS COM MARILYN – OSCAR 2012

A medalha de bronze pertence a “Sete Dias com Marilyn”. Quem duvidava da capacidade de Michelle Williams de incorporar o sex appeal da maior musa da história de Hollywood precisou pedir desculpas. Primeiro porque ela está belíssima, quase como uma entidade celestial. Mas, acima de tudo, porque oferece um novo olhar para Marilyn Monroe. A atriz explora sua fragilidade sem recorrer ao vitimismo, revelando como a estrela foi explorada de maneira cruel por muitos daqueles que a cercavam.

“Sete Dias com Marilyn” marcou sua segunda indicação consecutiva ao Oscar de Melhor Atriz. A temporada de 2012 foi dominada por Meryl Streep em “A Dama de Ferro”, uma vitória que considero discutível. Para mim, a Academia poderia ter premiado Michelle Williams sem qualquer contestação. Rooney Mara, extraordinária em “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, também seria uma escolha bastante superior.

2. O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN – OSCAR 2006

“O Segredo de Brokeback Mountain” rendeu a primeira indicação da carreira de Michelle Williams ao Oscar. E era impossível ignorá-la. A atriz humaniza uma personagem que poderia facilmente ser detestável ao retratar sua incredulidade diante da descoberta de que o marido é gay. Ela equilibra com precisão o medo de perder a família idealizada e o amor incondicional pelo personagem de Heath Ledger. A cena em que descobre o relacionamento dos protagonistas permanece inesquecível.

No Oscar de 2006, Michelle teve pela frente Rachel Weisz por “O Jardineiro Fiel”. Pode-se até argumentar que houve uma fraude de categoria, já que a atriz britânica ocupa papel central no drama de Fernando Meirelles. Mas, considerando que concorreu como coadjuvante, não considero injusto o resultado. A indicação, pelo menos, abriu definitivamente as portas da Academia para Michelle Williams.

1. OS FABELMANS – OSCAR 2023

Não havia como ser diferente: “Os Fabelmans” representa a maior indicação da carreira de Michelle Williams ao Oscar. A atriz capta com precisão o fascínio de Steven Spielberg pela mãe e a influência dela sobre a formação artística de um dos maiores cineastas da história. O olhar encantado diante das descobertas do filho, a paixão pela vida e o inconformismo com aquilo que não desejava para si transbordam em cada gesto e expressão. Uma das grandes atuações da década.

O Oscar de 2023, infelizmente para Michelle Williams, foi um dos anos mais competitivos da categoria de Melhor Atriz. De um lado estava Michelle Yeoh, impulsionada pelo fenômeno de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e pela narrativa de uma artista frequentemente subestimada por Hollywood. Do outro, Cate Blanchett entregava em “Tár” um trabalho que muitos consideram o melhor de sua carreira. Um triplo empate não teria sido uma má solução.

MAIOR ESNOBADA – WENDY E LUCY

A parceria entre Michelle Williams e Kelly Reichardt já produziu excelentes filmes, como “O Atalho”, “Certas Mulheres” e “Showing Up”.

Nenhum deles, entretanto, alcança a força de “Wendy e Lucy”, no qual a atriz interpreta uma jovem que enfrenta dificuldades financeiras enquanto lida com o desaparecimento do cachorro e um carro quebrado.

Uma eventual indicação serviria também para reconhecer uma das parcerias mais consistentes do cinema norte-americano contemporâneo.