CAIO PIMENTA – DISCUSSÃO MÃE E FILHA EM “MALU”
Uma chuva torrencial alagando uma casa esburacada dá menos dor de cabeça do que a discussão repleta de ressentimentos de mãe e filha. As explosões com falas cortantes feitas justamente para machucar saem das bocas de Malu e Joana como uma metralhadora que a tudo atinge. A escuridão realça o terror do momento conduzido de forma certeira por Pedro Freire para dar o palco todo para as atuações excepcionais de Carol Duarte e Yara de Novaes. O ápice do grande filme brasileiro de 2024.
DANILO AREOSA – IDA À SORVETERIA EM “AINDA ESTOU AQUI”
Ainda Estou Aqui tem várias grandes cenas – a do banho, a da família indo embora, a do pai beijando a filha antes de ser levado pelos militarem -, mas aquela que me conquistou foi a de sorveteria. Difícil não ficar despedaçado com o olhar de Eunice (Fernanda Torres) para as outras famílias e sentir na pele a ausência de Rubens. Sem dúvida, a mais emotiva do ano.
GUSTAVO JORDAN – FINAL DE “O MAL NÃO EXISTE”
Mesmo que eu geralmente veja grandes cenas emotivas no final de um filme como um “truque barato”, essa em particular me marcou profundamente. De certa forma, parece que o filme inteiro existe para culminar nesse desfecho, que pode soar confuso para muitos. No entanto, para mim, foi uma experiência tão indescritível que, ao terminar, senti a necessidade de reassistir o filme para processar o que havia acontecido. Afinal, ele nos deixa com a provocadora pergunta: será que o mal realmente não existe?
IVANILDO PEREIRA – FINAL DE TÊNIS EM “RIVAIS”
Tivemos grandes – e insanos – momentos no cinema em 2024. Afinal, foi o ano em que vimos tubarões no Coliseu, cenas tensas em Guerra Civil, e uma mulher sair das costas de outra em A Substância. No entanto, para mim, o momento mais individualmente empolgante do ano foi o final de Rivais: um duelo na quadra de tênis perfeitamente montado e executado, e que representou o clímax – no sentido sexual mesmo – no relacionamento dos três personagens do filme. Assista ao filme e chegue nesse desfecho: Não sinta vergonha de se levantar do sofá para vibrar e torcer.
LEONARDO VELOSO – EUNICE ASSISTINDO AS FITAS DA FAMÍLIA EM “AINDA ESTOU AQUI”
Eunice Paiva assistindo as gravações antigas de sua família e recordando lindos e singelos momentos de quando ainda vivia com seu amado marido, Rubens Paiva em “Ainda Estou Aqui”.
LUCAS PISTILLI – O ESPECIAL DE FIM DE ANO DE “A SUBSTÂNCIA”
Toda a ansiedade frenética de A Substância é incapaz de preparar o público para o seu desfecho apoteótico, que imagina uma versão “Carrie – A Estranha” dirigida por David Cronenberg. Seria impossível assisti-lo se não fosse tão cartunesca. Facilmente o momento mais “Que p—- foi essa??” do ano.
LUCAS LOPES AFLITOS – THELMA INDO BUSCAR UMA ARMA EM “THELMA”
Tantas cenas boas e impactantes, não é mesmo? Porém, escolho uma sequência triste e hilária protagonizada por June Squibb em “Thelma”, quando sua personagem, junto ao seu fiel escudeiro Ben (Richard Roundtree), decidem ir na casa de uma velha amiga, Mona (Bunny Levine), pegar um revólver para resolver um caso. Toda essa sequência me arrancou sinceras gargalhadas. O que é a Thelma em uma missão quase impossível em pegar o objeto em cima do armário? Hilária. Porém, voltamos à realidade quando a solidão, abandono e a perda de memória de Mona vem como um rastilho de pólvora para eles e para quem assiste. Um momento divertido, mas também de muita reflexão.
MARCOS FARIA – Jon Voight usa um lança-flechas para fingir ter uma ereção em “Megalópolis”
Não ironicamente, a primeira cena que me veio à cabeça quando fui pensar nesta categoria. Estariam, então, os apologistas da monstruosidade de Coppola certos? Só podemos ter uma certeza quanto a “Megalópolis”: eu não devo reassistir ao seu maçante desfile de platitudes tão cedo, mas esta foi uma ótima cena de se ver no cinema.
PÂMELA EURÍDICE – FINAL DE TÊNIS EM “RIVAIS”
A cena final de “Rivais” explica o tesão de Tashi pelo tênis, assim como mostra o quanto o filme de Guadagnino não é sobre o esporte, mas há muito tecido e discussões envolvidas e a se revelarem de forma sutil. Absolute cinema!
Me permito listar outros seis momentos que se eternizaram para mim na grande tela em 2024:
- O encontro dos irmãos von Erich no pós morte em “Garra de Ferro”;
- O encontro entre pais e filhas em “Daughters“;
- Paul Artreides reunindo os Fremen no final de “Duna Parte 2″;
- O ataque a Sofia em “Levante”;
- Hirayama dirigindo ao som de Feeling Good em “Dias Perfeitos”;
- A mensagem de Dayane para sua mãe em “Quando eu me encontrar”.





















