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As forças estão novamente se estruturando e cada facção se organiza da maneira como acredita poder ganhar a guerra no sexto episódio da segunda temporada de “Casa do Dragão”: Aemond sendo cruel e vingativo, Rhaenyra assumindo a espada e jogando homens ao fogo para domar dragões. Assim o capítulo amarra como cada um dos lados forja alianças entre si nesse momento da dança.

Do lado dos Verdes, vemos o governo de Aemond e suas imposições enquanto regente. Tenho a sensação de que sua liderança é um vislumbre do que teríamos com Daemon ascendendo ao trono. Diferentemente do irmão, o domador de Vaghar é impetuoso, cruel e mesquinho — e não seriam essas as características que vemos em Daemon tentando governar em Harrenhal? A intrepidez da juventude o domina e não permite que ouça a nenhum dos conselheiros, mas que sinta-se superior aos lordes e aqueles a quem deveria buscar alianças. Tal qual Daemon e a maioria dos homens da corte, Aemond parece acreditar que o melhor governo é aquele que se alicerça pela espada.

Nessa conjuntura, mãe e filho tem pela primeira vez um diálogo direto em “Casa do Dragão”. A expulsão de Alicent do conselho é mais uma manobra intrépida de Aemond, mas nos dá duas certezas que atestam o abismo entre a rainha verde e a rainha dos pretos. A primeira comprovação é que Alicent realmente está provando do próprio veneno. Se, no episódio anterior, ela foi silenciada, aqui seu pedido de exoneração foi concretizado e entregue junto ao convite de voltar a fazer apenas atividades domésticas. Será que ela esperava que as regras que tentou emplacar na enteada, não se estenderiam a ela? Uma leve ilusão, mas que nos dá uma mostra do tratamento que as futuras rainhas Targaryen receberão.

Em sua tentativa de oferecer ao filho um momento de lucidez, Alicent nos dá a segunda prova de sua diferença para Rhaenyra: a maneira como conhece a crueldade do filho e nunca fez nada em relação a isso. Aemond é vingativo e todas as ações que tomou desde o final da temporada anterior simbolizam seu processo de vingar-se de todos que se chocam com ele. A mãe não o quer governando, a retira do conselho. Cole se posiciona ao lado de Alicent, o manda para o campo de batalha. Aegon o bulina, atira fogo contra ele. O personagem está numa espiral crescente de vingança. Ele é isso e nada mais do que isso.

Nele vemos um complexo fortíssimo de mommy issues: Alicent o toca no rosto durante o diálogo e doeria bem menos nele se esse toque fosse um tapa. O diálogo evidencia que ela conhece seus traumas infantis, suas ações, mas manteve-se inerte a tudo isso. Não há mais como resolver e ela sabe disso. O peso de sua falha como mãe transpõe-se em sua conversa com Gwayne e a tentativa, anos depois, de saber como é o filho que cresceu longe dela. Sutilmente, Olívia Cooke mostra as fragilidades e alegria de vislumbrar aquele que não teve a toxidade da Fortaleza Vermelha e da mesquinharia de sua mãe em relação a enteada.

Ainda no campo dos diálogos marcantes do episódio, quero destacar o momento entre Larys e Aegon. O rei dos verdes parece finalmente despertar depois dos ferimentos de batalha e recebe duas visitas interessantes: o irmão e o pé torto. Se o parente é ameaçador, Larys entrega a Aegon o momento de maior empatia e afeto que este recebeu desde a primeira temporada. Ele é o único a contar ao filho de Viserys seu real estado e o que o futuro lhe aguardava, no entanto, ao mesmo tempo em que lhe ofereceu um caminho para lidar com isso. Não podemos nos deixar levar, há segundas intenções no passo do Pé Torto, mas há também beleza e lágrimas.

Do outro lado da Baía da Água Negra, o time dos Pretos parece mais uma vez estar a deriva da sala dos roteiristas, acredito que esse seja o melhor termo para identificar o que acontece ali em Pedra do Dragão. Aproveito o espaço para fazer um desabafo: pense na dinâmica de uma mulher que nunca ascendeu ao trono e tendo que brigar por ele, uma família em que os filhos do primeiro casamento dos cônjuges foram dados em casamento entre si, dragões que precisam ser domados, uma vila de pescadores assombrada pela presença de dragões e, apesar de tudo isso, ser o enredo mais fraco da trama. Com tantas coisas a serem exploradas, os Pretos parecem andar em círculos e não ter o aprofundamento da sua história.

Rhaenyra parece ter finalmente despertado e querer apagar, como dialoga com Jace, a visão de ser uma rainha sentada em seu trono enquanto os homens trabalham. Para isso, larga os livros e pega a espada. Diferentemente de Aemond que se distancia de tudo e de todos, ela ouve os conselhos, primeiro de seu filho, depois de Mysaria. E são eles que nos entregam dois dos momentos vivenciados pela sua facção neste episódio que merecem destaque.

O primeiro deles refere-se as sementes de dragão. A tentativa de domar Seasmoke me chama atenção pelo rito e tradição para aproximar-se do dragão, como se fosse uma invocação e louvor a essas criaturas. Junto a isso, a vestimenta dos cuidadores do fosso relembra a de monges orientais — como vemos em Avatar, a lenda de Aang, por exemplo. Já o conselho de Mysaria é o que dá nome ao episódio: “Os Plebeus”.

Esse deve ser o capítulo em que mais vemos o povo: temos cena na taberna, nas ruas de Porto Real e discutindo em casa. A fome continua a se alastrar pela capital e o Verme Branco usa isso para colocar Rhaenyra nas graças do povo oferendo-lhes alimentos. A jogada atesta o que Otto já havia falado anteriormente sobre a mudança de narrativa e esse ser um ponto importante para conquistar a guerra. Enquanto Aemond oferece banquetes e tem a antipatia dos plebeus, Rhaenyra se torna a justa, boa e benevolente. Comprovando o ponto de Maquiavel em “O Príncipe”.

O episódio finaliza com a perseguição de Seasmoke a Addam. Uma mostra irregular de como o plano de Jace ainda pode dar certo depois do destino de Steffon Darklyn. Isso são cenas dos próximos capítulos – ou temporadas.

Autor

  • Pâmela Eurídice

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (2018), integrante do Coletivo Elviras de Mulheres na Crítica Cinematográfica. Participou de duas edições do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (2018 e 2020), escreve para o Cine Set e produz conteúdo para internet.

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