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Vencedor do Festival de Gramado em 2025, Cinco Tipos de Medo é um grande drama romântico e de suspense que se passa na periferia de Cuiabá. O longa retrata o impacto da criminalidade local na vida de vários personagens distintos cujas trajetórias se cruzam de forma ímpar. 

Através de cada personagem, a trama busca explorar alguns dos maiores medos da humanidade: o medo de ir ao médico; o medo de lugares  fechados; o medo da solidão; o medo de ficar sem dinheiro; e, curiosamente, apenas  em quinto lugar, o medo da morte. O longa expande a ideia do curta-metragem que o originou Três Tipos de Medo (2016), adicionando eficientemente ao corpo de personagens um jovem casal protagonista, a grande alma da narrativa. 

O músico Murilo, interpretado por João Vitor Silva (de O Agente Secreto), e a belíssima enfermeira Marlene, interpretada por Bella Campos, se conhecem de forma inesperada. No hospital, após um incidente que leva à perda da mãe, ele tem seu primeiro contato com a moça, que acaba reencontrando-o em outra ocasião e o reconhecendo. Aqui, o roteiro de Bruno Bini (também diretor de Cinco Tipos de Medo) trabalha de forma singular as oportunidades belas que até mesmo as tragédias e as desventuras são capazes de proporcionar, bem como a ânsia de Marlene em buscar refúgio do relacionamento abusivo com Sapinho (Xamã), um líder do tráfico de drogas do bairro onde vive. O elenco principal se completa com Ivan (Rui Ricardo Diaz), homem sedento por vingança que se torna justamente o advogado do traficante, e Luciana (Bárbara Colen), policial que luta para capturar Sapinho.

Esse mosaico de figuras ambíguas, complexas e trágicas, desumanizadas pela estrutura de violência na qual estão inseridas, faz a trama se mover de modo intrigante e sempre envolvente. A partir delas, Bruno Bini aborda como a beleza das relações genuínas pode não sobreviver à brutalidade do crime organizado e das relações tóxicas. Não à toa Murilo, o único sem nada a esconder, seja o grande protagonista pela transformação de um homem com boas intenções em um mundo vil. Um mote que remete à novela Vidas Opostas (2006-2007) da Rede Record, celebrada na época como bem-vinda mistura de Cidade de Deus e Romeu e Julieta.

Bella Campos e João Vitor Silva convencem como um doce casal apaixonado. O jeito dele, ingênuo e simples, e o dela, tímido e afetuoso, com voz quase sussurrada, mas marcante, constroem uma química essencial para a narrativa. Aliados às atuações, o roteiro intrincado, que distribui bem o tempo de tela e os arcos dos personagens, a trilha sonora melancólica e a montagem equilibrada dentro de sua não linearidade — sem confundir o espectador — fazem da obra um destaque no cinema nacional.

Apesar de multifacetado, Cinco Tipos de Medo é simples e desprovida de qualquer pretensiosidade para além da objetividade do que se vê em ação. Com tanto a se contar, o longa é ágil, sem nunca parecer apressado, ainda que com ritmo sereno sem nunca parecer enfadonho. Uma história de romance clássica em meio a um pano de fundo trágico que sufoca esse amor sempre ressoa como testamento inevitável da condição humana.

Autor

  • Formado em Design pela Universidade Federal do Amazonas. Designer Gráfico e ilustrador, encontrou nas animações de cinema e TV que via na infância o amor pelo Audiovisual. Roteirista, editor, artista de storyboard e diretor, trabalhou em curtas e médias-metragens locais. Também já deu as caras como coralista e ator de teatro musical.

    Quando não está produzindo filmes, ama falar sobre eles. Escrevia sobre cinema em blogs pessoais e eventualmente produz vídeos para o YouTube através de seu canal de cultura pop, o Nerdtown, onde expressa sua nerdice e cinefilia, analisando e teorizando filmes, séries e animações preferidas, além de quadrinhos. Fã árduo da saga Star Wars.

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