O curta “Sapraquifa”, de Max Michel (“O Compromisso”), acompanha um casal interpretado por Rafael César (“Controle”) e Karol Medeiros (“Terra Nova”) durante a pandemia que tenta transformar o canal deles no YouTube em uma fonte de renda. A ideia é criar um vídeo viral forjado, simulando uma atividade sobrenatural em uma casa abandonada em Iranduba. 

É sempre interessante ver histórias desse tipo inseridas num contexto amazônico. Somente a descrição do filme poderia fazer pensar em um filme de terror independente found footage onde o casal se perde no sobrenatural da floresta e é até muito bom quando percebemos que é algo diferente, mas ainda inovador e chamativo para esse nicho.

O elemento sobrenatural não é o foco principal, diferentemente de filmes como A Bruxa de Blair, onde a lenda já é introduzida logo no início, até mesmo no título. Aqui, o casal não está à procura de algo sobrenatural; eles já partem com a convicção de que nada é real. Ao assistir, é possível até imaginar que nada de sobrenatural realmente ocorrerá. A trama se sustenta nesse mistério, deixando o espectador sem saber o que esperar. 

O mistério em “Sapraquifa” é cuidadosamente construído, mantendo muitas informações ocultas, incluindo o significado do próprio título, o que instiga a curiosidade do espectador. Esse clima de incerteza funciona bem, já que, ao longo do curta, várias possibilidades surgem de maneira sutil, sem deixar claro qual direção a trama tomará. A imprevisibilidade dos eventos contribui para criar uma atmosfera de tensão, mantendo o público intrigado até o desfecho.

Ainda que seja perceptível a busca por uma ousadia nos planos com usos de drone, por exemplo, o que realmente se destaca são as partes mais simples. As cenas gravadas no estilo vlog e os diálogos despretensiosos trazem autenticidade ao curta, diferenciando-o de outras produções locais que costumam focar no terror desde o começo.

No entanto, o maior desafio de “Sapraquifa” é o tempo. Por ser um curta, o filme acaba gastando muito de sua duração na preparação, com a ação e o terror concentrados apenas nos minutos finais, que embora bons, parecem apressados. Fica a sensação de que o curta é apenas o começo de algo maior, uma introdução para um filme que, infelizmente, não existe.

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