Se alguém me dissesse que existe um filme com Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris e Woody Harrelson, eu logo diria que tinha tudo para ser um filmaço, porém, estamos falando de “Venom: Tempo de Carnificina” e isso, infelizmente, é autoexplicativo. A continuação simplesmente consegue repetir todos os erros do primeiro longa: história pobre, uma atuação descompromissada ao extremo de Tom Hardy, piadas ruins e diversos clichês.

Ainda que fosse esperado a sequência traçar uma narrativa semelhante, Andy Serkis (“Mogli: Entre Dois Mundos”) na direção e o oscarizado Robert Richardson (‘Django Livre’, ‘Era Uma Vez em Hollywood’) como diretor de fotografia poderiam indicar melhorias significativas na história. Mas, não é o que acontece.

A trama apresenta Eddie Brock (Tom Hardy) em seu novo normal ao dividir o corpo e vida com o simbionte Venom. Assim, ele volta ao ofício de jornalista fazendo matérias especiais sobre o serial killer Cletus Kasady (Woody Harrelson), entretanto, um encontro entre ambos gera um novo simbionte, o Carnificina, o qual se torna uma ameaça para Eddie e Venom.

O ‘MENOS PIOR’

No primeiro momento, o filme estabelece bem a dinâmica entre Eddie e Venom tirando sarro de como o simbionte poderia viver pacificamente entre os humanos já que seu alimento favorito são cérebros. Isso determina bastante o humor de “Tempo de Carnificina” como uma ferramenta presente e até mesmo necessária para a história funcionar.

Apesar de 90% das piadas serem forçadas ou sem graça, a inserção no roteiro é feita de forma bem mais natural em comparação ao primeiro filme, onde não existia tanta fluidez ao mudar do humor para a ação.

Assim, estabelecida a relação entre a dupla protagonista, o vilão Carnificina é apresentado da forma mais básica possível. Cletus é descrito como um serial killer horrível, prestes a ser sentenciado à pena de morte, mas nada aprofundado sobre esses crimes é mostrado ao público; apenas parte de sua vida é narrada pelo próprio para constar que existiu algum trabalho de personagem. Devido a sua natureza maligna, ele facilmente aceita Carnificina como simbionte e os dois possuem Eddie como alvo.

VAZIO E FÁCIL DE ESQUECER

Em meio a esse embate de Eddie/Venom e Cletus/Carnificina, Anne Weying (Michelle Williams) e Frances Barrison (Naomie Harris), interesses amorosos de ambos, respectivamente, são frequentemente negligenciadas pela narrativa. Basicamente, as duas apenas cumprem o papel de “ponto fraco” para eles e são lembradas pela história quando o roteiro permite e se cansa de mostrar a luta de CGI. É realmente assustador ver duas atrizes do nível de Michelle Williams e Naomie Harris serem escaladas para papéis tão reduzidos e quase insignificantes.

Outro aspecto esquecido pela narrativa é a própria motivação para o Carnificina ir atrás do Venom. Cletus e Eddie, por exemplo, possuem história e uma motivação para seu embate. Porém, no caso dos simbiontes, em nenhum momento o filme faz questão de justificar a razão desta perseguição já que o Carnificina apenas afirma precisar destruir seu criador e a única maior explicação disso é a fala “pode existir apenas um de nós”. E fica por isso mesmo: o público que aceite esse motivo.

Nos aspectos mais técnicos, não existe nada de tão animador também nem mesmo Robert Richardson na fotografia. Exceto pelo embate final na sequência da igreja, “Venom: Tempo de Carnificina” poderia ter sido feito por qualquer DP dos montes existentes em Hollywood e não pelo ganhador de três Oscars. Também existe certo mérito no design de produção pela construção visual dos lugares ligados ao serial killer Cletus e na importância de marcar visualmente a presença do vermelho Carnificina. E só.

Apesar dos pesares, “Venom: Tempo de Carnificina” é curto, segue uma estrutura básica de roteiro (normalidade-conflito-confronto-desfecho) à risca sem se alongar e apenas cumpre o papel de dar continuidade a história do Venom. Fora isso, é apenas mais um filme vazio e fácil de esquecer e ainda se apoia no desfecho satisfatório para induzir uma impressão positiva no público – o que na realidade é mais efeito de sua cena pós-crédito e não do próprio final sobre Venom e Eddie.

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