Caio Pimenta analisa o que fica das indicações ao Gotham Awards lideradas por “Anora” e “Nickel Boys” rumo ao Oscar 2025.
DIRETOR ESTREANTE
- Shuchi Talati – “Girls Will Be Girls”
- India Donaldson – “Good One”
- Alessandra Lacorazza – “In the Summers”
- Vera Drew – “The People’s Joker”
- Mahdi Fleifel – “To a Land Unknown”
O ganhador do Gotham de Direção Estreante somente vingou no Oscar da categoria em três ocasiões: a primeira foi com o Bennett Miller, de “Capote” seguido pelo Benh Zeitlin, de “Indomável Sonhadora” e Jordan Peele, por “Corra”. Nesta temporada, apenas um milagre para colocar qualquer uma das cinco finalistas no prêmio da Academia.
O mais importante, entretanto, aqui fica pelo simbolismo de ser uma lista majoritariamente feminina e de origens diversas – tem candidata indiana e outra de origem colombiana. O único homem, apesar de morar na Dinamarca, é palestino. Uma mensagem clara do Gotham de diversidade e novas possibilidades de olhares dentro do cinema.
ATOR/ATRIZ ESTREANTE
- Lily Collias – “Good One”
- Maisy Stella – “My Old Ass”
- Brandon Wilson – “Nickel Boys”
- Izaac Wan – “Didi”
- Ryan Destiny – “The Fire Inside”
Quanto aos atores, o Gotham faz uma dobradinha melhor com o Oscar: ao todo, oito ganhadores do prêmio então independente apareceram na Academia, entre eles, Amy Adams, por “Retratos de Família”, e o Timothée Chalamet, de “Me Chame pelo Seu Nome”.
Desta vez, a única possibilidade seria o Brandon Wilson: “Nickel Boys” tem a cara daquele filme querido dentro da indústria por muita gente e que não será esquecido. Nisso, ele poderá disputar a quinta vaga de Melhor Ator e uma vitória no Gotham pode ser importante para ajudá-lo a se consolidar. Chega como favorito aqui.
MELHOR ROTEIRO
- “Janet Planet”
- “Femme”
- “As Três Filhas”
- “Between the Temples”
- “O Mal Não Existe”
O drama da Netflix aparece como favorito da categoria e a única possibilidade de pegar uma indicação ao Oscar. Precisa ganhar aqui para crescer.
MELHOR DOCUMENTÁRIO
- “Dahomey”
- “Sugarcane”
- “Soundtrack to a Coup d’Etat”
- “Intercepted”
- “No Other Land”
- “Union”
Nas últimas três edições, o Gotham acertou, pelo menos, dois indicados no Oscar, entre eles, vencedores como “Summer of Soul” e “20 Days in Mariupol”. Isso coloca em ótima situação, principalmente, “Dahomey” e “No Other Land”.
O filme do Senegal chega credenciado pelo Urso de Ouro do Festival de Berlim, enquanto a obra palestina, também ganhador na Alemanha, está colecionando prêmios ao redor do planeta. Se “Soundtrack to a Coup d’Etat” traz um fato histórico pouco lembrado, “Union” surge com a temática trabalhista que a Academia nunca deixa passar. Não duvido que a lista do Oscar seja muito parecida com a do Gotham.
PRÊMIOS ESPECIAIS
Antes das categorias principais, vale destacar que “Piano de Família” irá receber o prêmio de Elenco, já conquistado em edições anteriores por “Os Sete de Chicago”, “A Favorita”, “Moonlight”, “Spotlight”, entre outros. Serve para sinalizar que há um carinho pelo filme, mas, não vejo como tão significativo para elevá-lo a um patamar diferente na temporada.
Já “Sing Sing” será homenageado com um prêmio de justiça social por mostrar um trabalho feito nos presídios norte-americanos de ajudar os prisioneiros através da arte. Para o filme da A24, é importante este reconhecimento para fortalecer a narrativa e para mostrar que, apesar do lançamento tímido nos cinemas no meio do ano, ele não será deixado em segundo plano.
MELHOR FILME INTERNACIONAL
- “Inside the Yellow Cocoon Shell” (Vietnã)
- “Vermiglio” (Itália)
- “Tudo o que Imaginamos Como Luz” (Índia)
- “Green Border” (Polônia)
- “Hard Truths” (Reino Unido)
Antes que os mensageiros do apocalipse cheguem, um recado: fiquem tranquilos! “Ainda Estou Aqui” não estar presente no Gotham não diz absolutamente nada para o Oscar. Esta é uma categoria relativamente nova na premiação – foi criada em 2020 – e não segue os critérios da Academia.
Logo, vemos produções que não estão na briga pelo Oscar como o indiano “Tudo o que Imaginamos como Luz” e o britânico “Hard Truths”. A boa notícia aqui é que o alemão “The Seed of Sacred Fig” também não foi lembrado, logo, tudo segue no zero a zero.
MELHOR DIREÇÃO
- Sean Baker, de “Anora”
- Ramell Ross, de “Nickel Boys”
- Payal Kapadia, de “Tudo o que Imaginamos como Luz”
- Guan Hu, de “Black Dog”
- Jane Schoenbrun, de “Eu vi o Brilho da TV”
Dificilmente, o Gotham não irá premiar o Sean Baker: ele é cria da cena independente norte-americana, um cara que começou fazendo filme com iPhone para chegar e ganhar a Palma de Ouro. Caso o favoritismo seja confirmado, será um cartão de visitas e tanto logo no começo da temporada.
Destaco também a presença do RaMell Ross: o diretor de “Nickel Boys” estreia na ficção após sucessos no documentário em uma adaptação complicada, mas, até agora bem-recebida nos festivais. Se ele vencer o Sean Baker, entra muito forte no páreo para ser indicado.
MELHOR COADJUVANTE
- Katy O’Brian, por “Love Lies Bleeding“
- Brigette Lundy-Paine, por “Eu Vi o Brilho da TV”
- Natasha Lyonne, por “As Três Filhas”
- Brian Tyree Henry, por “The Fire Inside”
- Yura Borisov, por “Anora”
- Kieran Culkin, por “A Verdadeira Dor”
- Clarence Maclin, por “Sing Sing”
- Guy Pearce, por “O Brutalista”
- Adam Pearson, por “Um Homem Diferente”
- Danielle Deadwyler, por “Piano de Família”
Aqui o Gotham resolveu se assumir como prévia do Oscar: esta categoria unificada com homens e mulheres começou em 2021 e, no máximo, coincidiu em três nomes com o prêmio da Academia. Muito possivelmente este número deve ser batido nesta temporada.
Isso porque os principais favoritos entre os homens estão no páreo, no caso, Kieran Culkin, Clarence Maclin e Guy Pearce. Já nas mulheres, apenas a Danielle Deadwyeller de nome mais cotado. Para a premiação, acredito que deva ficar entre os quatro.
A vitória aqui contribui em Melhor Ator Coadjuvante para se colocar um pouco à frente em uma corrida embolada, enquanto a estrela de “Piano de Família” se posiciona mais forte em uma disputa que, no momento, está concentrada entre Zoe Saldaña e Saoirse Ronan.
MELHOR ATUAÇÃO PRINCIPAL
- Marianne Jean-Baptiste, por “Hard Truths”
- Pamela Anderson, por “The Last Showgirl”
- Mikey Madison, por “Anora”
- Adrien Brody, por “O Brutalista”
- Colman Domingo, por “Sing Sing”
- Keith Kupferer, por “Ghostlight”
- Saoirse Ronan, por “The Outrun”
- Demi Moore, por “A Substância”
- Justice Smith, por “Eu Vi o Brilho da TV”
- Nicole Kidman, por “Babygirl”
O Gotham acertou cinco indicados de Melhor Ator e Atriz em 2023, mas, apenas um no ano passado. A tendência é que esta média suba significativamente nesta temporada. A lista da premiação traz muitos nomes que certamente estarão no Oscar, entre eles, o Adrien Brody, Mikey Madison, Saoirse Ronan e Colman Domingo. A Nicole Kidman também se aproxima cada mais da nomeação na Academia.
As indicações, de fato, foram boas para a Demi Moore, cada vez mais no radar apesar do horror corporal de “A Substância” afastar muita gente, Marianne Jean-Baptiste que vinha apagada nas últimas semanas, e, principalmente a Pamela Anderson, a qual precisava deste tipo de menção para diminuir as resistências ao nome dela.
MELHOR FILME
- “Anora”
- “Rivais”
- “Babygirl”
- “Um Homem Diferente”
- “Nickel Boys”
A grande pergunta é saber se “Anora” vai repetir os feitos recentes de “Nomadland” e “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” de repetir a dobradinha Gotham e Oscar em Melhor Filme. A comédia do Sean Baker é ampla favorita e será uma surpresa gigantesca se perder.
“Nickel Boys” e “Babygirl” ganharam força para brigar pelas últimas vagas de Melhor Filme. O grande problema do thriller com a Nicole Kidman é concorrência forte na A24 – “Sing Sing” e “O Brutalista” são muito certos. Daí, será que a Academia vai topar três obras do estúdio na categoria máxima? Até por isso não vejo muito horizonte para “Um Homem Diferente”.
Já o drama do RaMell Ross cresce gradualmente, mas, precisa de um investimento mais pesado da Amazon MGM para se consolidar. Por fim, “Rivais”, do mesmo estúdio, busca reagir com esta indicação ao Gotham, mas, até o momento, o sinto bem distante.






















