O Timothée Chalamet bateu na trave nesta última temporada de premiações: apesar da vitória no SAG, ele não foi páreo em Melhor Ator no Oscar para Adrien Brody, de “O Brutalista”.
De qualquer forma, o astro novaiorquino deixou bem claro como está mais próximo do que nunca da primeira estatueta. E ela pode vir em 2026 com “Marty Supreme”, o novo filme de Josh Safdie.
Neste novo vídeo do Cine Set, eu falo sobre o que leva Timothée Chalamet a ser um dos favoritos para Melhor Ator no Oscar 2026.
https://youtu.be/yJ0NtfZ4Cp8
O filme: Marty Supreme e a força de um papel real
Antes de tudo, vamos conhecer por qual trabalho Chalamet pode vir a ser indicado. Ele será o protagonista de “Marty Supreme”. A produção da A24 traz a história de uma lenda norte-americana do pingue-pongue que desafiava a todos.
E uma atuação baseada em uma personalidade do mundo real sempre é bem-vista pela Academia.
Neste século, 14 personagens baseados em figuras reais venceram contra 12 ficcionais. Essa margem cresceu nos últimos anos com as conquistas de Cillian Murphy, Will Smith, Rami Malek, Gary Oldman, Leonardo DiCaprio, Eddie Redmayne e Matthew McConaughey.
A24 em cena: múltiplas apostas e pesos diferentes
O longa dirigido por Josh Safdie, desta vez separado do irmão com quem fez “Bom Comportamento” e “Joias Brutas”, traz Gwyneth Paltrow — também cotada para o Oscar de Atriz Coadjuvante — no elenco.
“Marty Supreme” deve ser uma das principais apostas da A24 na temporada, estúdio que conquistou dois dos últimos três Oscars da categoria com Brendan Fraser, em “A Baleia”, e Adrien Brody, por “O Brutalista”.
O estúdio ainda terá à disposição “If I Had Legs I’d Kick You”, focado em Rose Byrne para Melhor Atriz; “The Drama”, com Robert Pattinson e Zendaya; e mais dois filmes pesados.
A A24 jogará com “Highest 2 Lowest”, suspense comandado por Spike Lee e estrelado por Denzel Washington. O lançamento em Cannes, porém, não empolgou tanto quanto se imaginava. Também está na lista “Coração de Lutador”, drama do Benny Safdie — irmão do diretor de “Marty Supreme” — com Emily Blunt e Dwayne Johnson.
Entre Chalamet e The Rock: quem a A24 vai escolher?
Aliás, será interessante ver quem a A24 irá priorizar. Por um lado, Dwayne Johnson segue um caminho parecido ao de Mickey Rourke e Brendan Fraser: uma estrela de Hollywood respeitada mais pelos filmes de ação encontrando um projeto que também realça seu lado artístico — com direito a uma transformação visual radical.
Do outro lado está Timothée Chalamet, já consolidado neste circuito de premiações e em busca da terceira indicação da carreira e da primeira vitória. A grande fase dele pode pesar não apenas para superar a concorrência de Dwayne Johnson, como também favorecê-lo rumo ao prêmio.
Chalamet em alta: prestígio e ambição
O novaiorquino é, hoje, o ator jovem mais prestigiado de Hollywood. Luca Guadagnino, Greta Gerwig, Woody Allen, Adam McKay e Wes Anderson já se encantaram pelo talento do ator. A última temporada de premiações deixou claro como Chalamet subiu de patamar perante os pares.
Dois dos 10 indicados a Melhor Filme no Oscar 2025 o tinham como protagonista. “Duna 2” provou que Chalamet pode ser um astro de blockbuster sem dificuldade — já tinha feito isso antes com “Wonka” e o próprio primeiro filme da série de Denis Villeneuve. Já em “Um Completo Desconhecido”, ele segura o tranco com brilhantismo ao viver Bob Dylan, um dos maiores gênios da história dos EUA.
Quase lá: o SAG, o discurso e o respeito dos pares
Foi por um triz que ele não quebrou o recorde de ser o mais jovem premiado da categoria na história. E o discurso ao receber o SAG foi muito bem-visto na indústria: ao ganhar o Sindicato dos Atores, Chalamet afirmou que quer estar entre os gigantes da história do cinema, como Marlon Brando e Daniel Day-Lewis, além de lendas do esporte como Michael Phelps e Michael Jordan.
Poderia soar arrogante se fosse um ator sem talento ou apenas no primeiro sucesso da carreira. Porém, Chalamet prova a cada trabalho que fala sério. É aquele caso de ambição positiva de alguém que não se ilude com a quantidade de Oscars ou blockbusters que fará ao longo da vida. E quem pode duvidar, diante do reconhecimento que os próprios pares dão a cada novo projeto?
Cenário atual: quem pode ameaçar Chalamet?
Para a temporada do ano que vem, duvido que a narrativa a favor de Chalamet fique devendo a qualquer um dos seus concorrentes.
George Clooney atravessa uma fase tão ruim que uma possível indicação por “Jay Kelly” serviria apenas para reerguer sua carreira. Uma segunda estatueta é improvável. Oscar Isaac, por “Frankenstein”, luta pela primeira indicação — assim como Michael B. Jordan, por “Pecadores”, e Wagner Moura, por “O Agente Secreto”.
Brendan Fraser, por ter vencido recentemente, parece fora do páreo com “Rental Family”. Jesse Plemons, apesar do prestígio crescente, não tem uma narrativa tão forte quanto a de Chalamet.
No máximo, quem vejo com grandes chances de duelar no mesmo patamar é Jeremy Allen White. Consagrado por “O Urso”, ele encara o desafio de viver Bruce Springsteen, um dos maiores nomes da história do rock nos EUA. Considerando o histórico de sucesso com esse perfil de papel, ele é um nome para ficar de olho.
Claro que todo esse cenário pode mudar com os lançamentos dos filmes nos festivais do segundo semestre e com a repercussão das demais atuações masculinas. Agora, se “Marty Supreme” corresponder a tudo o que se espera dele, Timothée Chalamet chega não apenas como um candidato sério, mas como o favorito a Melhor Ator no Oscar 2026.
















