Caio Pimenta aponta categorias do Oscar 2026 com vencedores garantidos até mesmo antes das indicações.

FRANKENSTEIN E AVATAR NAS ÁRES TÉCNICAS

Sendo bastante conservador, dá para imaginar quatro áreas técnicas com vitoriosos certeiros para o dia 15 de março. 

“Frankenstein” caminha para três conquistas: transitando entre a fantasia e o drama, o figurino de Kate Hawley aparece tranquilo para ser premiado. Ganhou o Critics Choice, está na longlist do Bafta e concorre no sindicato da categoria. Ter “Wicked”, o atual ganhador, como principal rival favorece ainda mais. 

O panorama é semelhante para a Tamara Deverell em Design de Produção, também com o musical do Jon M. Chu como principal oponente. Venceu o Critics Choice, aparece no Bafta e está concorrendo nos sindicatos. 

A produção da Netflix deve garantir também Melhor Maquiagem e Penteado. A impressionante transformação física de Jacob Elordi para viver a criatura o torna sem concorrência.  

O streaming ainda conta com duas vitórias encaminhadas: “Guerreiras do K-Pop” será o ganhador de Melhor Animação. Levou o Globo de Ouro e o Critics Choice, lidera a corrida no Annie Awards e o real fenômeno cultural de 2025. Por mais que “Zootopia 2” carregue a herança do primeiro filme vencedor da categoria, traga a marca Disney e tenha feito uma excelente bilheteria, há como mudar o resultado. 

“Golden” também está certeiro em Melhor Canção Original. Claro que “I Lied to You” pode ser uma ameaça palpável, mas, o hit internacional chega como irresistível para a Academia.  As vitórias no Globo de Ouro e Critics Choice provam isso. 

Fechando as áreas técnicas, “Avatar: Fogo e Cinzas” é unanimidade em Melhores Efeitos Visuais. Mesmo que a concorrência seja forte com “Wicked: Parte 2’, “Pecadores” e “Frankenstein”, o trabalho feito pelo time liderado pelo James Cameron é tão revolucionário que a cada filme aprimora o setor em termos tecnológicos. Qualquer outro resultado seria um assombro. 

CHALAMET, BUCKLEY E ‘BATALHA’ IMBATÍVEIS

Das categorias principais, cinco estão com resultados 100% definidos. 

Rose Byrne até tenta, mas, não há como: Jessie Buckley será a vencedora de Melhor Atriz. A estrela de “Hamnet” já ganhou o Critics Choice e o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama. A tendência será ainda somar o SAG e, principalmente, o Bafta, onde joga em casa. Se a tragédia da personagem por si só já seria suficiente para comover o público, a grande atuação de Buckley somada à direção sem pressa e delicada de Chloé Zhao criam um combo perfeito para a primeira conquista da irlandesa. 

Por maior que seja a nossa torcida para o Wagner Moura, a realidade é que dificilmente este Oscar sai das mãos do Timothée Chalamet. “Marty Supreme” foi moldado para a vitória dele em Melhor Ator – acho, inclusive, que ele pensava que pudesse repetir o feito de Spencer Tracy e Tom Hanks ao emendar duas estatuetas consecutivas da categoria caso tivesse vencido por “Um Completo Desconhecido”.   

Há um clima favorável a ele em Hollywood para que isso aconteça, a campanha da A24 vem se superando nas ações e Chalamet está claramente disposto a fazer o caminho perfeito, evitando polêmicas e frases de efeito. Somente uma bobagem que ele possa vir a fazer para tirar Melhor Ator das mãos dele. 

Roteiro Adaptado, Direção e Filme estão nas mãos de “Uma Batalha Após a Outra”. Nem mesmo a conquista de “Hamnet” no Globo de Ouro com direito ao produtor Steven Spielberg no palco deve mudar o rumo do jogo. A superprodução da Warner surfa na narrativa de que chegou a hora da consagração de Paul Thomas Anderson, um dos maiores cineastas dos EUA nas últimas décadas ainda sem uma estatueta dourada. Logo, corrigir isso com três prêmios nobres seria ideal.  

Ainda que não dê para cravar 100% como todas as categorias que falei até aqui, Melhor Montagem também caminha para ser de “Uma Batalha Após a Outra”. Resumindo: o Oscar 2026 não deve reservar tantas emoções assim.