Caio Pimenta traz uma nova lista de candidatos ao Oscar 2026 com destaque para o desfecho de “Wicked” e a retomada da dupla de “A Pior Pessoa do Mundo”.
DRAMA LBGT COM O´CONNOR E MESCAL
Já que o assunto é Cannes, inicio a lista com “The History of Sound”, candidato à Palma de Ouro. Novo filme do sul-africano Oliver Hermanus, diretor de “Viver”, traz o Josh O´Connor e Paul Mescal como estudantes de música de um conservatório da Nova Inglaterra, que se apaixonam em uma história que promete fugir dos caminhos comuns de dramas LGBTQIAPN+.
O Paul Mescal é o produtor de “The History of Sound”, obra que enfrentou muitos adiamentos ao longo dos últimos anos. A distribuição do filme será feita nos EUA pela MUBI. Além do O´Connor e Mescal, o elenco ainda traz o Chris Cooper, premiado no Oscar por “Adaptação”. Vale ficar de olho como será a repercussão na França para estimar com maior precisão as chances mirando o Oscar.
DAFOE DE OLHO EM MELHOR ATOR
Com quatro indicações e nenhuma vitória, Willem Dafoe é um dos nomes mais prestigiados de Hollywood. Isso tanto para blockbusters como “Homem-Aranha” e “Aquaman” como para obras de diretores conceituados como Sean Baker, Yorgos Lanthimos e Wes Anderson.
O astro terá mais uma chance de, finalmente, sair vencedor na Academia. Em 2026, Dafoe chega com “Late Fame”. O drama mostra um poeta que publicou um livro tempos atrás sem receber grande atenção. A obra, entretanto, acaba sendo resgatada por jovens artistas que passam a valorizá-lo. A Greta Lee, de “Vidas Passadas”, também faz parte do elenco, enquanto o roteiro é de Samy Burch, indicada ao Oscar por “Segredos de um Escândalo”.
Um tema pertinente para o setor artístico sempre chama a atenção dos votantes da Academia. Com um astro já merecendo um Oscar não é de hoje como Willem Dafoe, “Late Fame” pode dar trabalho na temporada de premiações.
DIRETOR DE “NEMO” E “WALL-E” NA LIVE-ACTION
Andrew Stanton. Pode não ser um nome de diretor que você associe imediatamente, mas, certamente os filmes dele você assistiu – e amou. Afinal, foi ele quem comandou “Wall-E” e “Procurando Nemo”.
Agora, 13 anos depois do fraco “John Carter”, Stanton retorna aos filmes live-action com “In the Blink of an Eye”. A ficção científica apresenta três histórias interconectadas que exploram a história do mundo, abordando temas como esperança, conexão e o ciclo da vida. Segundo a imprensa americana, “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, “Magnólia” e “Interestelar” são influências do roteiro que chegou a entrar na Black List, a prestigiada lista dos melhores roteiros ainda não produzidos por Hollywood.
Kate McKinnon e Rashida Jones são as protagonistas do filme previsto para estrear na Hulu ainda neste ano. A dúvida é se será considerado um candidato ao Oscar ou ao Emmy como filme feito para televisão.
A CHANCE DE VINGAR ‘TITANE”
Dando uma volta ao redor do planeta, hora de falar da francesa Julia Ducournau. A diretora venceu a Palma de Ouro em 2021 com “Titane” e até chegou a ser cotada para a disputa de Melhor Direção no Oscar 2022. O estilo pesadão e surreal do longa francês, entretanto, não encantou a Academia – a abertura para obras do tipo veio somente com “A Substância” três anos depois.
Ducournau buscará a primeira indicação ao Oscar com “Alpha”. O filme se passa nos anos 1980 acompanhando uma garota de 13 anos que, ao retornar da escola com uma tatuagem misteriosa no braço, se torna alvo de rumores dos colegas que contraiu uma grave doença – uma insinuação à Aids, segundo a imprensa internacional. Será mais um terror corporal da francesa que promete não poupar o público.
O lançamento ocorre no Festival de Cannes na disputa da Palma de Ouro. Caso “Alpha” vença, a Ducournau se torna a primeira mulher a ganhar o prêmio máximo na França por duas vezes. Produtora responsável pelas campanhas vencedoras de “Parasita” e “Anora”, a Neon será a distribuidora internacional do terror.
Se a porta aberta por “A Substância” não se fechar, “Alpha” pode ter boas chances de aparecer no Oscar.
PARK CHAN-WOOK DESAFIA TABU PERANTE A ACADEMIA
A relação do Park Chan-wook com a Academia não é nada boa. Afinal, o Oscar o ignorou mesmo com sucessos mundiais como “Oldboy” e “A Criada”. Nem mesmo quando a indicação era dada como certa, o diretor sul-coreano conseguiu êxito: “Decisão de Partir” foi uma das maiores esnobadas recentes em Melhor Filme Internacional.
Este histórico coloca uma desconfiança sobre as perspectivas de “No Other Choice” para a temporada de premiações. A trama é uma comédia sarcástica de um sujeito que, ao perder o emprego após 25 anos e não conseguir se reposicionar no mercado de trabalho, parte para um plano radical: matar os rivais dos processos seletivos que participa.
Se você já viu este plot antes, fique tranquilo que você não está maluco: “No Other Choice” é uma adaptação de um romance do Donald E. Westlake que já havia sido levada para os cinemas com o Costa-Gravas no filme “O Corte”, de 2005. Minha aposta é que o lançamento ocorra no Festival de Veneza, mesmo evento onde “Ainda Estou Aqui” começou a trajetória vitoriosa rumo ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
REENCONTRO DO TIME DE “A PIOR PESSOA DO MUNDO”
“A Pior Pessoa do Mundo” foi uma das grandes novidades do Oscar 2022 ao ser indicado a Melhor Filme Internacional e Roteiro Original. A dupla responsável pelo sucesso, o diretor e roteirista Joachim Trier e a atriz Renate Reinsve, tentam repetir o feito com “Sentimental Value”.
O drama mostra duas irmãs – uma atriz de teatro e a outra uma dona de casa – se lidando com a morte da mãe e precisando se reconectar com o pai, um diretor de cinema. Ele oferece o papel de protagonista do novo filme para a filha, porém, ela recusa. Durante uma retrospectiva da obra dele, o personagem do Stellan Skarsgård conhece uma atriz de Hollywood vivida pela Elle Fanning, oferecendo, então, o papel principal a ela. As gravações na Noruega serão uma tentativa de uma retomada das relações familiares.
“Sentimental Value” está na corrida pela Palma de Ouro no Festival de Cannes 2025. A distribuição também fica por conta da Neon. A distribuidora certamente está de olho em Filme Internacional e, claro, nas categorias principais.
HUNGRIA FORTE DE NOVO?
Ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional por “O Filho de Saul”, o László Nemes lança “Orfão” neste ano. Ambientado em 1957, um ano após a Revolução Húngara, o drama mostra um garoto de 12 anos morando apenas com a mãe e a esperança do retorno do pai após o fim da guerra. Eis, então, que surge um homem estranho e bem violento alegando ser o tal pai. Resta ao menino proteger a família de qualquer forma.
Com distribuição europeia da MUBI já garantida, “Órfão” deve ser lançado nos festivais do segundo semestre com grandes chances de ser em Veneza. O longa é baseado em memórias da vida do próprio diretor.
Uma história com perfil de Oscar. Se vai conseguir, é outra história, mas, que é possível visualizá-lo na corrida pela temporada de premiações, isso é.
AINOUZ EM INGLÊS NOVAMENTE
Após “Jogo da Rainha” passar longe de chamar a atenção da crítica e público mundial, o Karim Aïnouz volta a fazer uma produção falada em inglês com “Rosebush Pruning”. Se no drama de época britânico, ele contou com Jude Law e Alicia Vikander, desta vez, o brasileiro terá Riley Keough, Elle Fanning, Jamie Bell, Elena Anaya e Pamela Anderson no elenco.
A obra é uma releitura contemporânea de “De Punhos Cerrados”, o primeiro longa da carreira do italiano Marco Bellocchio. A trama gira em torno de uma família disfuncional que vive isolada em uma propriedade rural, lidando com doenças genéticas e tensões internas. O protagonista, um jovem epiléptico, trama o assassinato de seus familiares como forma de romper com a opressão familiar e o peso da tradição.
O roteiro está nas mãos do Efthimis Filippou, parceiro de Yorgos Lanthimos em “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado“. Havia uma expectativa de que “Rosebush Pruning” seria escolhido para a seleção da Palma de Ouro em Cannes pela boa relação do Karim Ainouz com o evento francês. Com a não seleção, a desconfiança sobre o filme foi inevitável. Vamos torcer para que o longa estreie em algum evento de peso neste segundo semestre.
JACKMAN E HUDSON LADO A LADO
Sentindo falta de uma cinebiografia musical? Não seja por isso: “Song Sung Blue” traz a trajetória do casal Mike e Claire Sardina, um casal de músicos de Milwaukee que, enfrentando dificuldades, encontra uma nova chance ao formar a banda cover de Neil Diamond chamada “Lightning & Thunder”. O filme explora os altos e baixos da vida artística e pessoal do casal, destacando temas como amor, perseverança e a busca por sonhos.
O Hugh Jackman e a Kate Hudson são os protagonistas do filme com direção e roteiro do Craig Brewer, conhecido por “Meu Nome é Dolemite”. O lançamento está programado para o Natal deste ano.
Para a temporada de premiações, acredito que a força do filme esteja mesmo nas suas duas estrelas, atores que são reconhecidos pela experiência em musicais e cantarem muito bem. De cabeça, lembro aqui dos Oscars da Sissy Spacek e Reese Witherspoon, respectivamente, por “O Destino Mudou sua Vida” e “Johnny & June”. Quem sabe a história não se repita?
‘WICKED 2’: O OSCAR VEM?
Para fechar, temos o segundo e último filme de “Wicked”. O musical do Jon M. Chu teve um grande desempenho no Oscar deste ano com 2 vitórias em 10 indicações, além de bons desempenhos nos principais eventos da temporada e uma bilheteria acumulada superior a US$ 750 milhões.
Logo, a continuação e desfecho da trama é altamente aguardado pela indústria e o público. Caso mantenha o nível do primeiro filme, consegue ficar na cota de blockbusters da lista de Melhor Filme do Oscar e manter ainda as indicações de Cynthia Erivo e Ariana Grande.
Agora, se “Wicked 2” for ainda maior, a Universal Pictures certamente irá mirar na indicação do Jon M. Chu em Melhor Direção e, principalmente, em conquistas nas categorias principais. Será um desafio, claro, mas, não impossível: há um carinho grande de Hollywood pelo musical por todo o sucesso na Broadway e a presença de um elenco apostando na diversidade cria uma narrativa ideal para uma possível vitória.





















