De Emma Stone a Angelina Jolie, Caio Pimenta traz as previsões iniciais para a aguardada disputa de Melhor Atriz do Oscar 2025.
CORRENDO POR FORA
A lista começa com as atrizes que têm poucas chances, correndo por fora. Duas ganhadoras da categoria estão nesta situação.
Após a consagração por “Pobres Criaturas”, a tendência é que Emma Stone fique de fora em 2025. Embora tenha se destacado em três papéis ousados, a estrela não está no auge da forma nesta nova parceria com Yorgos Lanthimos. É possível que ela fique de fora nesta temporada.
“Lee” era o filme perfeito para Kate Winslet conquistar seu segundo Oscar, uma vez que a atriz interpreta a modelo que se tornou correspondente de guerra da revista Vogue durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, por ser tão moldado para a premiação, o longa de Ellen Kuras não empolgou o suficiente para ser considerado novamente. Tudo indica que essa tentativa ficará para uma próxima oportunidade.
Com um ar de cansaço em meio à guerra e à intolerância, Kirsten Dunst representa bem o estado de parte da população diante dos conflitos ao redor do planeta em “Guerra Civil”. Sua personagem foge do perfil heroico ou vilanesco atribuído aos jornalistas no cinema. Por isso, e devido ao filme estar em segundo plano na temporada, é difícil que ela chegue ao Oscar.
Robin Wright está em “Here”, um dos filmes incertos da temporada. A atriz retoma a parceria com Tom Hanks e Robert Zemeckis após “Forrest Gump”. O revival e o fato de nunca ter sido indicada ao Oscar podem jogar a favor dela, mas, até o momento, Wright corre bem por fora.
Lady Gaga coloca todas as fichas em uma virada junto ao público com a estreia de “Coringa: Delírio a Dois” nos cinemas. Apesar dos elogios, a recepção ao seu trabalho em Veneza não alcançou a aclamação de “Nasce uma Estrela”. Sendo a única chance da Warner na categoria, existe a possibilidade de ela ser indicada como Atriz Coadjuvante, caso o estúdio perceba que a corrida nessa categoria esteja mais favorável.
Depois de conseguir sua primeira e aguardada indicação, Florence Pugh surge com “Todo o Tempo que Temos”. O romance, exibido no Festival de Toronto, recebeu críticas razoáveis, destacando a química esperada entre ela e Andrew Garfield. A questão é saber se ela conseguirá se destacar em meio a concorrentes mais fortes. Pugh permanece no jogo por ser uma das atrizes jovens mais prestigiadas da atualidade.
Os sites norte-americanos apostam que “Wicked” pode impactar a temporada quando for lançado em novembro, pois se trata da adaptação de um dos musicais mais amados da Broadway. Se cumprir o que promete, Cynthia Erivo pode se destacar como Elphaba, especialmente considerando que foi indicada por “Harriet”, um drama que depende muito de sua atuação.
Por outro lado, o trauma recente de “Cats” gera desconfiança em adaptações da Broadway para o cinema, e não faltam motivos para isso.
Fechando este primeiro pelotão, temos Zendaya. Em um mundo ideal, ela seria um nome quase certo, pois seu desempenho em “Rivais” é impressionante. A estrela movimenta as peças em um jogo de sedução. No entanto, o longa de Luca Guadagnino precisa ser resgatado na temporada; por ter sido lançado no primeiro semestre, acabou ficando para trás. Talvez o apoio dos críticos e do público nas redes sociais ajude em uma recuperação, mas isso hoje parece improvável.
POSSÍVEIS SURPRESAS
Subindo na corrida ao Oscar de Melhor Atriz, temos uma estrela em busca da primeira indicação.
Demi Moore chega com “A Substância”. Sua coragem e entrega são admiráveis em uma história que remete a sua própria imagem, lidando com a exigência pela beleza absoluta. Porém, o estilo pesado do terror de Coralie Fargeat parece estar a anos-luz do que o Oscar costuma prestigiar. Além disso, a MUBI não possui um histórico forte na Academia para campanhas desse tipo.
Entretanto, é possível que uma estratégia tente colocá-la na categoria de Atriz Coadjuvante, alegando o grande tempo de cena de Margaret Qualley. A dúvida é se essa abordagem terá sucesso; pessoalmente, acho que não.
Se “The Brutalist” se apresentar como um candidato forte para o Oscar 2025, o elenco deve ser considerado nas categorias de atuação. Em Melhor Atriz, Felicity Jones é uma das apostas. O problema é que o drama de Brady Corbet concentra a ação em Adrien Brody e Guy Pearce. Assim, comparada a outras candidatas com protagonismo mais evidente, Jones corre o risco de ser esquecida na corrida.
Desde o início do ano, “Thelma” está no radar do circuito indie e dos críticos norte-americanos, especialmente por conta da atuação de June Squibb, que tem recebido muitos elogios. A veterana pode se apoiar no discurso contra o etarismo em Hollywood e na possibilidade de bater o recorde de atriz mais idosa indicada ao Oscar, já que completa 95 anos em novembro.
No entanto, “Thelma” tem distribuição da Magnolia Pictures, uma empresa com muito menos poder de investimento para campanhas em comparação a gigantes como Netflix, Sony Pictures e Neon. Isso torna a jornada de Squibb mais difícil.
Para encerrar o time das possíveis surpresas, temos Pamela Anderson. A musa de “Baywatch” está no elenco de “The Last Showgirl”, onde interpreta uma dançarina que precisa se reinventar após o encerramento do show de 30 anos. A possibilidade de indicação começou a surgir no Festival de Toronto, onde ela foi bastante elogiada, apesar de o filme ter sido considerado apenas mediano.
O principal obstáculo será a resistência que seu nome pode enfrentar em vários setores da Academia. Jennifer Lopez, por exemplo, enfrentou dificuldades semelhantes e foi esnobada em uma indicação considerada certa por especialistas em “As Golpistas”. Embora seja possível, como demonstraram os casos de estrelas estigmatizadas como Mickey Rourke e Kim Basinger, a concorrência é pesada.
GRANDES CHANCES
Agora, vamos falar das atrizes com grandes chances e que estão brigando, na minha visão, por duas vagas em Melhor Atriz. Aqui estão dois nomes lutando para romper o jejum de vitórias.
Saoirse Ronan permanece um nome forte na categoria, mesmo com “The Outrun”, lançado nos festivais de Berlim e Sundance no início de 2024. Além de interpretar a protagonista, uma mulher tentando se recuperar do vício em drogas, ela também assume a função de produtora, algo bem-visto na indústria.
“The Outrun” não é o único filme de Ronan neste ano; ela também está cotada para Atriz Coadjuvante por “Blitz”, de Steve McQueen. Pensar em uma indicação dupla não é absurdo; se acontecer, ela se tornará a mais jovem a obter esse feito. Resta saber em qual categoria ela terá mais chances: se fosse apostar, iria na categoria secundária.
Amy Adams enfrentará uma missão mais desafiadora. Além da trama inusitada de “Canina”, o filme recebeu reações mistas no Festival de Toronto, com mais críticas negativas do que positivas. Para dar a volta por cima, a Searchlight Pictures terá que investir em um novo olhar sobre a maternidade no longa e, claro, na força de sua estrela. Isso, no entanto, não será uma tarefa fácil.
Em “Babygirl”, Nicole Kidman aposta no histórico recente das vencedoras de Melhor Atriz em Veneza. Emma Stone, Olivia Colman, Vanessa Kirby, Penélope Cruz e Cate Blanchett conseguiram essa dobradinha. Aqui, a australiana se beneficia por topar encarar as cenas mais sensuais e provocativas de sua carreira nesta fase. Se foi indicada por trabalhos menos impactantes como “Lion” e “Apresentando os Ricardos”, há uma boa chance de repetir a dose aqui.
Marianne Jean-Baptiste volta triunfalmente em “Hard Truths”, sua nova parceria com Mike Leigh, com quem foi indicada ao Oscar por “Segredos e Mentiras”. A exibição em Toronto foi elogiada, apresentando uma personagem que provoca sentimentos ambivalentes. Ela precisa que o filme ganhe força para se destacar na corrida.
Julianne Moore ou Tilda Swinton? Ou as duas? A Sony Pictures enfrentará esse dilema ao decidir quem disputará Melhor Atriz por “O Quarto ao Lado”. O ideal, para evitar riscos, seria deslocar uma delas para a categoria de coadjuvante. Dada a força do longa na temporada e o prestígio de ambas, quem quer que seja escolhida chegará forte.
Caso a Sony opte por não deslocar nenhuma delas para coadjuvante, o que é uma tendência atual no cinema norte-americano, Tilda e Julianne terão que repetir um feito que aconteceu apenas cinco vezes na história do Oscar, sendo a última com Geena Davis e Susan Sarandon em “Thelma e Louise”. Essa estratégia, no entanto, pode resultar na divisão de votos, criando um cenário complicado.
Dá para acreditar em Fernanda Torres. Variety, Next Best Picture e The Hollywood Reporter apontam a estrela de “Ainda Estou Aqui” com grandes chances em Melhor Atriz. A brasileira passou por Veneza e Toronto extremamente elogiada pela crítica e pelo público. Com a recente abertura da categoria para atuações em língua não-inglesa, como as de Sandra Hüller, Penélope Cruz e Yalitza Aparicio, o cenário é altamente favorável.
VAGAS GARANTIDAS
Mikey Madison é o nome do momento em Hollywood. Com apenas 25 anos, a atriz encontra o papel de sua vida em “Anora”. Seu talento, beleza e carisma são tantos que há quem a compare, no filme de Sean Baker, a Julia Roberts em “Uma Linda Mulher”. Dificilmente a Academia abrirá mão dela na lista das cinco finalistas, e sua indicação deve lembrar casos como os de Ana de Armas em “Blonde” e Jennifer Lawrence em “O Lado Bom da Vida”.
A Academia deve fazer história com a indicação de Karla Sofia Gascón, a primeira de uma atriz trans. Ela interpreta a personagem título em “Emilia Pérez”, antes da transição, mesclando poder e vulnerabilidade. A vitória do elenco feminino em Cannes mostrou a força do trabalho da estrela espanhola, e acredito que a narrativa poderosa, aliada ao excelente desempenho no musical de Jacques Audiard, a coloca com uma possibilidade real de vitória.
Por fim, Angelina Jolie busca retornar à festa da Academia com “Maria”, após estar afastada desde “A Troca”, em 2009. Esta é uma típica cinebiografia moldada para o Oscar, trazendo a história de uma lenda da música clássica a um público mais jovem. A Netflix deve investir pesado para fazer um dos maiores nomes de Hollywood voltar a conquistar o Oscar após 25 anos.
Vale ressaltar que, nesta nova fase como embaixadora da paz e artista engajada na direção e produção, Angelina Jolie ainda não possui um Oscar para chamar de seu. A grande questão é saber se o filme convencerá a Academia; em Veneza, o longa de Pablo Larraín foi recebido de forma morna pela crítica. Pode ser que ocorra o mesmo que aconteceu com “Jackie” e “Spencer”, quando as indicações foram suficientes para Natalie Portman e Kristen Stewart, respectivamente.
SE FOSSE HOJE, AS FINALISTAS SERIAM…
- Angelina Jolie, por “Maria”
- Mikey Madison, por “Anora”
- Karla Sofia Gascón, por “Emilia Pérez”
- Saoirse Ronan, por “The Outrun”
- Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui”
































Cade as interpretes negras hein canal!!! Estamos de olho hein!!!
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