Seria o Oscar 2025 de Melhor Atriz o mais difícil de prever nos últimos anos?

Muitos nomes fortes em filmes queridos, ao lado de estrelas em busca da consagração definitiva.

Para encerrar o ano em grande estilo, trago um panorama de como está a corrida.

AZARÃO DA CORRIDA

O Globo de Ouro e o Critics Choice estão sendo bons termômetros para o Oscar: nos últimos 10 anos, o evento da HFPA acertou pelo menos quatro das cinco finalistas; já os críticos coincidiram com a lista da Academia entre 2018 e 2021.

Aqui, claro, é preciso dizer que o Globo de Ouro indica dobrado por conta da divisão entre comédias e dramas, mas o Critics também coloca mais concorrentes na categoria, com até 7 indicados.

Não ser indicada a nenhum dos dois prêmios é praticamente um fim de corrida: somente Andrea Riseborough, por To Leslie, e Penélope Cruz, por Mães Paralelas, conseguiram chegar ao Oscar sem passar pelo Globo de Ouro e Critics’. Se a estrela espanhola ao menos venceu em Veneza, Andrea foi uma das maiores surpresas das últimas edições.

Se o histórico se confirmar, Saoirse Ronan está praticamente descartada. The Outrun não conseguiu se firmar na temporada após o lançamento no Festival de Berlim no início de 2024. Um ano para a britânica esquecer, também por não ter conseguido emplacar em Atriz Coadjuvante com Blitz.

AS FAVORITAS ÀS INDICAÇÕES

Seis atrizes conseguiram estar nos dois prêmios:

Nicole Kidman, por Babygirl; Cynthia Erivo, de Wicked; Angelina Jolie, por Maria; Mikey Madison, por Anora; Karla Sofia Gascón, por Emilia Pérez; e Demi Moore, de A Substância.

Bater o olho neste sexteto e imaginar que, pelo menos, uma delas pode ficar de fora é de apertar o coração. De todas, acredito que duas são impossíveis de não serem indicadas.

Mikey Madison é a protagonista de um dos candidatos mais fortes do ano. Em Anora, ela tem a atuação de uma vida, mostrando toda sua beleza e talento, aliando drama e comédia de forma única. Premiá-la seria seguir uma tradição que já consagrou de Jessica Lange a Jennifer Lawrence.

Mesmo com o filme longe de chamar atenção na temporada, Angelina Jolie seguiu resiliente nas principais premiações até agora, nunca sendo esquecida.

A estrela traz outra linha adorada pela Academia: a interpretação de personagens históricos e mundialmente conhecidos.

Jessica Chastain, Renée Zellweger, Meryl Streep, Marion Cotillard, Helen Mirren e Reese Witherspoon ganharam assim neste século.

DISPUTA INTENSA

Agora, a coisa começa a ficar bagunçada, pois tudo está muito embolado.

Karla Sofia Gascón e Cynthia Erivo chegam fortes pelas forças de Emilia Pérez e Wicked, respectivamente, duas produções com grande potencial para conquistar um grande número de indicações.

Se a estrela espanhola tem a narrativa de ser a primeira artista trans indicada ao Oscar em uma personagem central de uma trama com essa temática, a Erivo traz o prestígio de ser quase uma EGOT e interpreta uma vilã histórica do cinema em grande atuação.

E o que dizer de Nicole Kidman? Nesta temporada, a australiana venceu Veneza e o National Board of Review.

Nos últimos 10 anos, quem ganhou no National Board apareceu sete vezes no Oscar.

Babygirl não conseguiu vingar na temporada e isso pode atrapalhá-la, porém, se há alguém capaz de driblar esse tipo de problema, essa pessoa é a atriz, pela grandiosa trajetória que construiu ao longo do tempo no cinema mundial.

Demi Moore, assim como A Substância, ganhou força com uma série de indicações e prêmios junto aos críticos dos EUA.

É evidente que há um olhar mais atento ao filme, o maior terror desde Corra!, mas continuo com um pé atrás por todo o grafismo e a nojeira na reta final, algo radical demais para o padrão médio da Academia.

Pode pesar a favor de Demi Moore o fato de ela nunca ter sido indicada ao Oscar. Logo, essa pode ser a maior chance de sua carreira desde Ghost. Fica o mistério de como a Academia pode reagir a isso.

CORRENDO POR FORA

Mas não acaba por aqui: há outras seis candidatas com possibilidades. Quatro delas estão bem para trás.

Pamela Anderson dá a impressão de que ficará com a inesperada indicação ao Globo de Ouro por The Last Showgirl. Acho muito improvável ela estar no SAG, Bafta ou Oscar.

Já Zendaya enfrenta o apagamento de Rivais, um grande filme lançado no primeiro semestre, com muitos fãs, mas que, infelizmente, não parece que vai se fortalecer a tempo para conseguir a virada.

Tilda Swinton joga com o prestígio e o carinho da indústria, porque O Quarto ao Lado, coitado, simplesmente não decolou na temporada.

E ainda tem Kate Winslet, buscando um segundo milagre com Lee, após aparecer de surpresa no Globo de Ouro devido a uma campanha intensiva.

Se Kate Winslet conseguir aparecer, será facilmente a pior indicação da carreira dela ao Oscar. O mundo, porém, há de ser justo, e não acho que isso aconteça. Até porque temos agora duas gigantes com atuações marcantes.

CANDIDATAS A SURPRESAS

Se foi esnobada pelo Globo de Ouro de forma surpreendente, Marianne Jean-Baptiste foi lembrada pelo Critics.

Mas ela foi além: também foi eleita a atuação do ano pelos críticos de Los Angeles por Hard Truths.

Vale destacar que todas as mulheres premiadas em LA, desde que não há mais separação por gêneros, foram indicadas ao Oscar.

Com certeza, vejo os britânicos puxando Marianne não apenas para a indicação, mas também para a vitória caso ela concorra. O Bafta, por exemplo, tem tudo para premiá-la.

E ainda tem Fernanda Torres: manter a candidatura forte até agora em meio a tantas gigantes de Hollywood, superando, inclusive, Tilda Swinton e Saoirse Ronan dentro da Sony Pictures Classics, mostra como a atuação da brasileira conquistou muita gente na indústria e na crítica.

A busca pelo voto internacional vem sendo a estratégia, tentando repetir feitos recentes de Sandra Hüller, Penélope Cruz e Yalitza Aparicio.

O ponto que pode pesar contra é se Ainda Estou Aqui será visto tanto quanto Wicked, Emilia Pérez, Babygirl e A Substância. O desafio será conquistar todos aqueles que se dispuserem a assisti-lo – e parece que isso está acontecendo.

Se as indicações ao Oscar 2025 fossem hoje, as finalistas a Melhor Atriz seriam:

  • Mikey Madison, por Anora
  • Angelina Jolie, por Maria
  • Nicole Kidman, por Babygirl
  • Marianne Jean-Baptiste, por Hard Truths
  • Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui