Terremoto, Twister, O Impossível, Além da Vida, O Ônibus Perdido… São incontáveis os filmes que relatam desastres naturais como fator narrativo primordial. Produções desse cunho nunca perderam espaço no cinema; pelo contrário, a cada ano, novas histórias aparecem nesse prisma. Em Chamas, filme disponível no Prime Vídeo, mostra a tragédia escorada em um drama de sobrevivência familiar.

Na trama, Dave (Peter Facinelli) mora em uma espécie de trailer com a esposa grávida Sarah (Fiona Dourif), o filho Clay (Asher Angel) e o pai idoso doente George (Lance Henriksen). Mesmo com alguns dilemas e desentendimentos entre si, a família toca a vida até que um incêndio toma conta da grande região florestal em que vivem, ganhando proporções imensas.

Desde a partida, Em Chamas busca nos fazer simpatizar com a família por meio do cotidiano que os cerca: Dave assume a função de ser o líder do grupo com tudo partindo dele; seja na questão de incentivo ao filho, o tratamento com o pai doente que não quer se cuidar e no apoio à gravidez avançada da esposa. O roteiro de Nick Lion e Ron Peer nada se faz sutil na maneira com que introduz os personagens e isso vira um agravante, pois a narrativa se apressa um bocado para pular essas questões e chegar logo na parte do fogo. 

Com essa posição, não demora para os focos de incêndio atingirem a região e a história finalmente avançar. De início, existe a impressão de um caso isolado em certo ponto da floresta, mas logo se mostra imprecisa quando um novo local se apresenta em chamas. Nisso, a direção sob cargo – do já citado roteirista – Nick Lion e de Peter Facinelli (sim, o protagonista, também codirige aqui) oferece uma nova ótica ao intercalar o contexto da família junto da central de emergência que atende os necessitados. Essa decisão de fracionar os lados é interessante pela forma de exibir pontos de vista diferentes da tragédia, todavia, com o andamento, revela-se oca, pois não aprofunda mais segmentos que seriam especiais – como o Corpo de Bombeiros e equipes de resgates -, restando ao filme, apenas a visão de uma atendente da central e com o senso de urgência restrito à família principal. 

Rodeada por uma vegetação extensa, a área fica submissa ao fogo e tão breve é alastrada e consumida de forma deliberada. O fogo, afinal, é o grande antagonista da história pois sempre se põe como implacável em um estado em que, não importa onde e como os personagens seguem, as chamas estarão no encalço de forma inabalável. 

Nesse sentido, valendo da tensão, o filme expõe muito bem o desespero do grupo em escapar dos incêndios de todas as formas. Na estrada, floresta e, até mesmo, no lago, o grupo se desloca e encontra inúmeros desafios e consequências obtidas pelas condições arrasadoras. Curtas tomadas aéreas de helicópteros de resgate evidenciam o caos encontrado na floresta e demais regiões. A direção de fotografia acerta em condensar a escuridão da madrugada com o laranja flamejante do fogo que parece interminável. 

Para tanto, Em Chamas é um filme que não sai em nenhum momento do lugar-comum de sua natureza. Dada a destreza de seus personagens para escapar do fogo, bem que a obra podia ter tomado como lição um pouco desse esforço e vontade a fim de arriscar um pouquinho mais que fosse.