Com apenas quatro anos de existência, a Fita Crepe Filmes conseguiu um importante feito em sua curta trajetória neste sábado (30): o projeto da produtora, “O Barco e o Rio”. foi o vencedor dos pitchings do Mercado Audiovisual do Norte – Matapi 2019. A conquista garante a ida, com passagem e hospedagens pagas, para participar do Talent Coprodution Meeting, do Festival de Guadalajara 2020.

A proposta apresentada pelo diretor e roteirista Bernardo Ale Abinader é fazer de “O Barco e o Rio” um longa-metragem. O projeto já foi rodado como um curta no primeiro semestre deste ano com Carolinne Nunes e Isabela Catão de protagonistas. As filmagens aconteceram todas em um barco na orla da cidade de Manaus.

Segundo Abinader, no longa-metragem, a ideia é conseguir ir além de um único cenário para percorrer a orla de Manaus, explorando as possibilidades visuais oferecidas pela região como, por exemplo, o convívio entre bares e igrejas, além, claro, de desenvolver mais as personagens. “O Barco e o Rio” traz a história de duas irmãs antagônicas que herdam o barco da família.

A mais velha e conservadora, Vera (Catão), vê no patrimônio a vida dela, passando os dias transportando mercadorias e passageiros. Já Josi (Nunes) não gosta das restrições da irmã; possui cabeça aberta, mas vê a vida mudar devido a uma gravidez inesperada. A dinâmica da relação entre as duas e a possibilidade de um aborto são os pontos de conflito do curta. O lançamento de “O Barco e o Rio” está previsto para 2020.

Diferente do previsto, o Matapi acabou premiando mais dois projetos dos pitchings: idealizado pela Rizoma Audiovisual e defendido por Gustavo Soranz, ” Por que Kamña matou Kiña?” também foi agraciado pelo Festival de Guadalajara, enquanto “Céu”, da Artrupe Produções, poderá participar do NordesteLab, evento de marcado da região Nordeste, com direito a hospedagem, transporte e alimentação pagas pela organização.

Fundadores da Fita Crepe Filmes, Bernardo Abinader e Valentina Ricardo no Matapi 2019

CONHEÇA MAIS SOBRE A FITA CREPE

Criada em 2015 por Ana Oliveira, Bernardo Ale Abinader e Valentina Ricardo, a Fita Crepe Filmes e Artes Cênicas já produziu três curtas-metragens: “Os Monstros”, “Amém” e “A Goteira”. Por este último projeto, a direção de fotografia de Valentina recebeu menção honrosa no Festival Olhar do Norte 2019.

Além do audiovisual, a Fita Crepe promove o ‘Roda na Praça’, espetáculo artístico circense feito em praças públicas no Amazonas. Contemplado pelo Funarte, o projeto já passou por cidades como Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Manacapuru, além de Manaus.

CONHEÇA MAIS SOBRE O MATAPI

Parceria entre a Dabacuri Projetos e Produções, de Liliane Maia, e Leão do Norte, de Carlos Barbosa, Clemilson Farias e Rodrigo Grillo, o Matapi surgiu trouxe um modelo de evento de audiovisual inédito em Manaus: nenhum filme – curta, média ou longa – foi exibido; o foco era em tratar o setor como um negócio gerador de empregos e renda.

Nos moldes de eventos como NordesteLab, Seminário Audiovisual Para Produtoras Independentes (SAPI) e RioContent, o Matapi promoveu palestras com profissionais do mercado nacional desde questões sobre direitos autorais, o papel do roteirista nos ambientes de mercados e laboratórios até o panorama da produção independente na Região Norte.

Com parceria da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, Sebrae e do Impact Hub Manaus, o Matapi 2019 conta com patrocínio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), através do Fundo Setorial do Audiovisual, e da Agência Nacional do Cinema (Ancine).




‘3×4’: na simplicidade, a imensidão dos sentimentos

“3×4” marca ótima estreia de Juliana Tizatto na direção e roteiro a partir de grandes atuações de Andira Angeli e Isabela Catão.

‘Tarde Dentro da Tarde’: um rio de lugares comuns

Já que o rio sempre teve especial destaque nos filmes de Rafael Ramos, Tarde Dentro da Tarde talvez seja apenas um caso de leve maré baixa.

‘Jamary’: fantasia amazônica perdida em sucessão de problemas

Do básico do plano-contraplano a uma história sem rumo, Jamary, de Begê Muniz, se mostra uma grande confusão.

“A Terra das Estrelas Distantes”: a eterna busca do que é ser amazônida

“A Terra das Estrelas Distantes” parece querer nos lembrar, que a verdade do nosso passado também permanece escondida de nós mesmos.

‘Flores Secas’: melodrama de Arnaldo Barreto cai na maior armadilha dos curtas-metragens

Com tantos personagens e pretensões temáticas, Flores Secas, de Arnaldo Barreto, não consegue dar conta de praticamente nada que aspira.

Crítica | ‘As Versões que você fez de mim’, de Roger Barbosa

“As versões que você fez de mim” tenta ser intimista e reflexivo, mas a construção do protagonista se distancia desses dois aspectos.

‘Antes de Hoje’: curta carece de densidade ao abordar juventude marcada pela pandemia

Curta de James Bentes, ‘Antes de Ontem’ peca com superficialidade e sem contundência para tratar de jovens na pandemia.

‘Sete Cores da Amazônia’: longa amazonense experimenta altos e baixos extremos

Dirigido por Ana Lígia Pimentel, “Sete Cores da Amazônia” se atrapalha em trama urbana, enquanto cresce ao partir para a floresta.

‘Obeso Mórbido’: conto cru sobre obsessão, corpo e identidade

Obeso Mórbido é um forte conto sobre um indivíduo e suas lutas obsessivas e o vazio interminável do homem e seus (des)prazeres.

‘Márcia Antonelli – Das Palavras à Sobrevivência’: cinema de luta, memória e identidade

Mariellen Kuma entrega um curta metragem que usa as palavras para dar o tom ao seu cinema e mostrar como a jornada, quando reconhecida, entrelaça afetos.