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CAIO PIMENTA – ISABELA CATÃO EM CANNES
A passagem de Isabela Catão pelo Festival de Cannes reuniu muito do bom e um pouco do ruim que cerca a cena cultural brasileira e do Amazonas. De início, uma grande notícia: a estreia mundial de “Motel Destino” no maior festival de cinema do planeta e na disputa da Palma de Ouro, sendo o único concorrente da América Latina. Uma janela gigantesca para a talentosa atriz amazonense, protagonista de alguns dos mais importantes curtas do Estado nos últimos 10 anos. A ida para a França, entretanto, não é das mais fáceis, especialmente, partindo de Manaus. Tanto a Prefeitura de Manaus quanto o Governo do Amazonas inicialmente recusaram o apoio. Foi, então, que o Cine Set entrou em cena e criou uma vaquinha online. O público aderiu em peso e ainda pressionou as duas instâncias a contribuírem de alguma forma. Depois da pressão, o Governo estadual, então, resolveu rever a decisão e comprou as passagens aéreas. Na França, Isabela brilhou no tapete vermelho e foi aplaudida de pé junto com todo o elenco na sessão de gala do thriller erótico. Um reconhecimento merecido de uma atriz em ascensão no cinema brasileiro.
DANILO AREOSA – ISABELA CATÃO EM CANNES
Isabela Catão em Cannes para divulgação de “Motel Destino” foi uma coisa linda de se ver! É ótimo ver uma atriz da terrinha alçando voo internacional e se projetando em um dos grandes festivais de cinema do mundo. Que seja o primeiro degrau de outros grandes desafios que virão para esta talentosa atriz.
GUSTAVO JORDAN – BILHETERIA DE “AINDA ESTOU AQUI”
O sucesso de bilheteria de “Ainda Estou Aqui” deixou sua marca no público brasileiro. Por um lado, é admirável ver um filme atrair espectadores que costumam ir ao cinema apenas uma ou duas vezes por ano. Apesar de, na minha opinião, não necessariamente fortalecer o cinema nacional como um todo, o sucesso abre portas importantes. Por outro lado, esse tipo de popularidade frequentemente gera comportamentos exagerados, com o público agindo como uma torcida organizada, tornando o filme quase intocável e dificultando críticas ou discussões. Ainda assim, em um país onde produzir cultura é um desafio, o impacto positivo desse sucesso não pode ser ignorado, especialmente no potencial de mudar a forma como o poder público vê e financia o audiovisual e a cultura no Brasil.
IVANILDO PEREIRA – MEGALÓPOLIS NOS CINEMAS
Em uma era em que a arte é chamada de “conteúdo” – termo maldito do Vale do Silício – e o próprio público parece desvalorizar o cinema, Francis Ford Coppola, aos 85 anos, veio com um projeto que ele mesmo financiou, e que vai lhe dar prejuízo, para nos relembrar de uma época em que mais cineastas arriscavam tudo por sua arte. Megalópolis tem seus problemas – não chego a amá-lo – mas fico feliz pelo simples fato dele existir. Ame ou odeie, Megalópolis de Coppola elevou a discussão sobre cinema e, quem sabe, pode até virar um filme cult daqui há uns anos. Coisas mais estranhas já ocorreram, inclusive com obras do mesmo diretor.
LEONARDO VELOSO – BILHETERIA ‘AINDA ESTOU AQUI’
Mesmo com tantos acontecimentos em 2024, não posso deixar de citar a grande estrela do cinema brasileiro neste ano: “Ainda Estou Aqui”, aqueceu o cinema brasileiro e voltou a lotar salas com um desempenho que talvez não se tinha visto desde as comédias de Paulo Gustavo com os filmes “Minha Mãe é uma Peça”. O longo brasileiro causou emoção em vários espectadores, trouxe uma uma história real e necessária de ser lembrada para todos os brasileiros, além de se consagrar em grandes premiações internacionais. E até mesmo trazer um Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama para a talentosíssima Fernanda Torres.
LUCAS LOPES AFLITOS – A FORÇA DAS MULHERES 50+
Fernanda Torres, Yara de Moraes, Anne Hathaway, Kate Winslet, Julianne Moore, Natalie Portman, Tilda Swinton, Laura Dern, Demi Moore, Maria Fernanda Cândido, Angelina Jolie, Nicole Kidman, Pamela Anderson, Karla Sofía Gascón, Zoe Saldaña, Amy Adams, Marianne Jean-Baptiste, Julia Louis-Dreyfus, Michelle Yeoh, Glenn Close, Marjorie Estiano, Grace Passô, Francisca Lewin, Elisa Zulueta, Eka Chavleishvili, Catherine Deneuve e June Squibb. Sentiram o peso desses nomes? Pois bem, esse é o poder de mulheres 40+, 50+, 60+, 70+, 80+, 90+. Em uma indústria que coloca prazo de validade para atrizes ao redor do mundo e que envelhecer é um sacrilégio, portanto, não há substância eficaz em uma sociedade adoecida pela aparência e etarista, essas estrelas e outras tantas subvertem a ordem e estão produzindo e/ou protagonizando seus filmes em temas sensíveis, delicados, divertidos e históricos. Um acontecimento que vem ganhando força e tirando essas mulheres relegadas ao suporte do homem ou mães descompensadas, trazendo um leque de opções também dentro desses estereótipos, muito embora se fizermos um recorte de raça… deixa isso para um próximo assunto. Ao meu ver, o acontecimento do ano é a retomada do protagonismo feminino de mulheres maduras, de meia idade e quase centenárias, celebradas por seu talento em grandes e bons papéis. Algo que os noveleiros de plantão, como eu, sentimos falta em ver na televisão: protagonistas fortes e maduras.
LUCAS PISTILLI – O FENÔMENO “AINDA ESTOU AQUI”
Tem como cinéfilo brasileiro falar de 2024 sem falar do fenômeno “Ainda Estou Aqui”? O novo filme de Walter Salles conquistou o público em peso (tanto no Brasil quanto na gringa), gerando um acervo de memes, angariando uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional e dando o Globo de Ouro a Fernanda Torres – feito inédito para uma atriz brazuca. Enquanto escrevo essas linhas, o filme se aproxima do Oscar e fica a pergunta: será que agora vai?
MARCOS FARIA – LANÇAMENTO DE “MEGALÓPOLIS”
Não é todo dia que alguém do calibre de Francis Ford Coppola investe centenas de milhões da própria fortuna num misto de sci-fi com fantasia com alegoria política. Também não é todo dia que se testemunha um fracasso artístico tão grande. Adam Driver é um misto de Elon Musk e Coppola num filme que mostra que se tornar um magnata do vinho nem sempre faz bem aos sucos criativos.
PÂMELA EURÍDICE – ISABELA CATÃO EM CANNES
Todo final de ano, o Cine Set faz um balanço sobre o cinema amazonense. Em 2023, ano em que Adanilo esteve no Festival de Cannes, nossa previsão era de que em breve teríamos outro artista amazonense na Côte d’Azur. Cinco meses depois, Isabela Catão estava desfilando pelo tapete de um dos mais prestigiados festivais internacionais de cinema ao som de “Coração” do Aviões do Forró. Fruto do curso de Teatro da UEA, é uma prova viva de onde o investimento em educação artística pode nos levar (Sim, estou falando também da ausência de vestibular para audiovisual no estado do Amazonas).





















