Na segunda temporada de The White Lotus, Meghann Fahy foi um dos grandes destaques por construir uma personagem cheia de personalidade e, ao mesmo tempo, muito complexa — capaz de flutuar de um sentimento a outro com uma naturalidade que prendia quem assistia. É exatamente essa fluidez que ela traz para Drop – Ameaça Anônima, um suspense de situação-limite em que a grande pergunta é: “quem será?”
Nos créditos iniciais, o nome de Michael Bay aparece como produtor, o que já me arrancou uma risadinha de canto de boca, como quem diz: “tô pronto”. E, apesar de o filme não ter nada a ver com o estilo explosivo de Bay, os cortes bruscos nos diálogos em plano/contraplano são incômodos. Chegam a causar uma náusea chata de acompanhar esses momentos, que servem basicamente para preparar o ambiente antes do enclausuramento que vem a seguir.
Como já falei, Meghann Fahy havia me chamado atenção antes — e aqui ela dobra suas expressões faciais e corporais para entregar uma personagem inquieta, cheia de dúvidas, mas que não pode demonstrar isso a ninguém sem provocar consequências. É exatamente esse dilema que dá ritmo a Drop – Ameaça Anônima, criando diversos caminhos possíveis dentro daquele restaurante, com os suspeitos todos ali, ao redor.
O roteiro é assinado por Jillian Jacobs e Christopher Roach, dupla que já entregou Verdade ou Desafio (2018) e Ilha da Fantasia (2019). Roach também trabalhou em Sem Escalas (2014), de Jaume Collet-Serra — e é essa linguagem que mais me veio à mente durante o filme: um jogo de tensão em um só ambiente, cheio de suspeitos, onde o “gato e rato” acontece sem que os jogadores se vejam, usando dispositivos como parte essencial da narrativa. Isso é muito bem sustentado pela fotografia de Marc Spicer, responsável pelos dois capítulos de Escape Room (2019/2021), filmes que também brincam com espaços pequenos e com a sensação de expansão e múltiplas possibilidades dentro deles.
Outro filme que me veio à cabeça foi Voo Noturno (2005), de Wes Craven, onde um “encontro” toma rumos imprevisíveis. Mas, ao contrário do longa de Craven, aqui o diretor Christopher Landon aposta mais nas ameaças externas. Tudo está ao redor e sob os olhos da protagonista — mas nada ela enxerga. E o encontro vira apenas mais um item numa longa lista de suspeitas que o filme vai construindo, criando um ambiente claustrofóbico.
Drop diverte com o jogo constante de ação e consequência ao longo de toda a narrativa — algo que o diretor já vinha ensaiando nos dois filmes de A Morte te Dá Parabéns (2017/2019). Essa repetição de situações, extraída de seus projetos anteriores, também serve para moldar a protagonista, bagunçar expectativas e brincar com estereótipos, mesmo que o filme siga, linha por linha, a cartilha do gênero. No final das contas, Drop – Ameaça Anônima é aquele tipo de filme que você começa, termina e sai da sessão com um sorriso no rosto.














