Pioneira nos estudos da radioatividade e a primeira mulher a receber um prêmio Nobel, Marie Curie já ganhou diversas produções biográficas no cinema com o propósito de retratar parte de sua vida. ‘Radioactive’ é o filme da vez e investe no talento de Rosamund Pike para dar vida à cientista com foco dividido entre sua vida pessoal e profissional. O resultado é um registro competente em apresentar a personalidade ao público, porém, sem ser igualmente bem-sucedido em criar uma narrativa consistente. 

A trama conta a história da Marie (Rosamund Pike) e sua luta em ser ouvida e respeitada pela comunidade científica de sua época, além de retratar seu casamento e as descobertas científicas ao lado de seu marido, Pierre Curie (Sam Riley), em especial importantes elementos químicos que trazem à tona a radioatividade. Em um segundo momento, o longa também apresenta momentos históricos em que suas descobertas impactaram a sociedade. 

Como protagonista, a “garota exemplar” Rosamund Pike consegue ser um dos principais atrativos do longa. Tanto o figurino quanto a maquiagem e cabelo fazem um grande trabalho em recriar a cientista, porém, é possível perceber que a atriz buscou entregar uma performance completa, criando gestos próprios para este papel, sendo um verdadeiro sucesso. Já o restante do elenco nem chega perto do mesmo destaque, não apenas pelas limitações de suas performances, como também devido às construções de personagem superficiais no roteiro. 

NADA ENVOLVENTE

Mantendo um ritmo acelerado, a montagem de “Radioactive” é extremamente problemática: nos primeiros 30 minutos, existem muitos cortes em uma tentativa desesperada de apresentar os primeiros anos de Marie na ciência, sendo extremamente perceptível a vontade de encurtar o filme ao máximo. Essa constância se mantém quando o assunto é a vida pessoal da personagem, onde os acontecimentos sempre se desenvolvem muito rapidamente sem deixar o público acompanhar gradualmente a evolução da cientista, entregando uma personagem já fragilizada pelo roteiro a Pike. 

Com o objetivo de enfatizar a importância de Curie para o mundo moderno, “Radioactive” passa a alternar a história da protagonista com acontecimentos futuros em que suas descobertas foram essenciais. Apesar de não contribuir nada para a montagem assumir maior dinamismo, a simulação desses momentos históricos ajuda muito a relacionar o conteúdo explicado anteriormente sobre elementos químicos e tornar fácil de entender a linha de raciocínio científico dos Curie. 

Outro ponto positivo em relacionar histórias diversas com a personagem é entender sua reação ao uso de suas descobertas indevidamente. Pois, apesar de contribuir bastante com a ciência e até mesmo medicina, os estudos de Curie também foram adaptados para desenvolver a radioatividade em armas químicas, podendo mostrar um cientista lidando com os efeitos negativos de suas descobertas sem se basear em um enfrentamento melancólico e óbvio.   

Para amenizar a montagem frenética do início ao fim do longa, a trilha sonora é muito bem adaptada para despistar momentos mais corridos, inserindo uma sensação de maior aproveitamento narrativo. Assim, mesmo com um ótimo tema, ‘Radioactive’ não consegue ser um filme extremamente envolvente, sendo seus grandes benefícios a atuação de Pike como protagonista e a própria importância de Curie e suas descobertas. Devido a temática e seu aprofundamento, o longa não é totalmente uma perda de tempo, embora a história pudesse ter sido melhor adaptada. 

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