Concorrente do Pará na Mostra Amazônia do Festival Olhar do Norte 2024, “Rezadeira” é um filme muito mais interessante quando parece confiar nas próprias imagens. Os detalhes de cada foto transposta na tela e os sons dizem muito. Dizem bem mais do que uma narração que começa bem como uma fábula da memória, mas que acaba como uma descrição do que está na tela.

Dirigido pelo trio Heric Ferreira, Diego Maia da Costa e Lucas da Conceição, o curta é contado com distanciamento (tanto temporal quanto físico), em fragmentos, como uma história que terminou de forma abrupta, bem exposta em uma elipse que se prolonga. As relações entre natureza e comunidade são entrelaçadas pelas tradições que a avó do narrador carrega em sua enfermaria da terra.

O filme é um exercício de um cinema que quer fazer perguntas para que o espectador responda de forma individual. Mas, ao tirar a força das imagens em detrimento de uma condução didática demais, “Rezadeira” fica pelo caminho.

Autor

  • Camila Henriques

    Crítica de cinema afiliada à Abraccine e votante do Globo de Ouro. Integra o Coletivo Elviras, que reúne críticas de cinema de todo o país. Podcaster que ama um filme com cara de sábado à noite. Fã de novelas mexicanas, sempre arruma uma forma de associar A Usurpadora com o filme que acabou de assistir.

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