Um órgão macabro na trilha, uma capa de chuva amarela à la “It”, um bocado de luzes coloridas e planos holandeses. Com fartas pinceladas, está pintado o clima de horror cartunesco onde “Um Mal Necessário” se desenvolve. Usando a velha premissa fáustica do acordo com o tinhoso, o filme se estrutura como uma série de vinhetas cômicas. Surpreende que o diretor e roteirista Lucas Martins consiga atochar tantas situações em apenas 14 minutos.
O tom faz lembrar o dos curtas iniciais de Guillermo del Toro, especialmente seu “Geometría”, de 1987, com premissa similar. Presentes também estão as supracitadas luzes coloridas, bem à maneira dos giallos mais alucinantes. Até mesmo o apartamento do protagonista, sujeito pacato que simplesmente quer um pouco mais de sucesso na vida, é inundada pelo vermelho.
A caracterização de Mefistófeles, espécie de James Dean/Marlon Brando platinado, também diverte. Há até um monstro com tentáculos que faz lembrar um “À Beira da Loucura” ou um “Alucinações do Passado”.
Na verdade, se há um problema com o filme, é de timing. Algumas piadas pedem por uns frames a menos; já certas pausas pedem por bem menos tempo de tela.
Isso significa que Um Mal Necessário nunca atinge a energia maníaca que parece almejar; não, ele está mais para um Sam Raimi dietético. O que restam são as situações absurdas – um duelo de faroeste que irrompe, um personagem na TV que atira no protagonista, um taxista assassino. Imaginativo, claro, mesmo que não tão exilerante quanto soa no papel.
Mas é difícil não terminar o curta com uma boa impressão desse Lucas Martins. As ideias ele já tem. Falta “despirocar” um pouco mais.












