Caio Pimenta compara a atual safra dos indicados ao Oscar de Melhor Filme com as seleções dos últimos 50 anos. 

OS FILMES DO OSCAR 2021 

Dos oito filmes indicados à categoria máxima, para mim, o melhor de todos disparado é “Bela Vingança”. 

O filme da Emerald Fennell consegue pegar uma gama de gêneros – drama, suspense, terror, comédia, policial – e misturar tudo isso dentro de uma crítica ácida sobre a cultura do estupro, machismo e traumas. Tudo isso com uma atuação fantástica da Carey Mulligan. 

Daí, a gente parte para dois filmes muitos bons: “Nomadland”, o mais belo dos filmes indicados com um desempenho excelente da Frances McDormand e uma direção brilhante da Chloé Zhao a partir de uma história melancólica sobre as raízes esquecidas dos EUA. Já “O Som do Silêncio” traz um design de som imersivo e atuações sensíveis de Riz Ahmed e Paul Raci. 

Um degrau abaixo, mas, ainda em alto nível, nós temos “Judas e o Messias Negro”.

A partir daí, o negócio começa a ficar complicado. 

“Minari” é um competente drama com ótimo elenco e um olhar intimista e pessoal do diretor Lee Isaac Chung, mas, cá entre nós, quantos filmes deste time já vimos por aí?

“Mank” é uma produção que fica pelo meio do caminho: é possível reconhecer todas as qualidades técnicas e o olhar pessimista de Fincher sobre a política e a indústria do cinema, porém, nunca chega a empolgar como os demais longas do diretor. Já “Os Sete de Chicago” é o mais fraco dos indicados: um drama de tribunal dos mais comuns.  

Como disse em vídeos anteriores aqui no canal, “Meu Pai” ainda não vi, mas, estou com fé de que pode chegar no mesmo patamar de “Bela Vingança”. As críticas da imprensa internacional são as melhores possíveis. 

Diante disso, acho a seleção de indicados a Melhor Filme boa com um filme acima da média e outros três muito bons. Agora, ao mesmo tempo, não é tão empolgante assim.

E neste aspecto, a gente vai precisar de um certo distanciamento histórico para ver se, de fato, é isso mesmo. Afinal, o clima péssimo trazido pela pandemia e a dificuldade de acesso a estas produções para uma parte do público impede aqueles debates mais acalorados. 

Agora, seria essa lista inferior a outras anos do Oscar? Para isso, vou comprar com algumas de indicados nos últimos 50 anos. 

ANOS 1970 E 1980 

Al Pacino em O Poderoso Chefão - Parte 2

No auge da Nova Hollywood quando os diretores tiveram voz até então inédita na indústria, a seleção do Oscar de Melhor Filme foi espetacular. 

Em 1972, tivemos clássicos como “Operação França”, “Laranja Mecânica” e “A Última Sessão de Cinema”; três anos depois teve “O Poderoso Chefão 2” e “Chinatown”; 1976 com “Um Estranho no Ninho”, “Tubarão”, “Um Dia de Cão” e “Barry Lyndon”;, e 77 com “Rocky”, “Taxi Driver” e “Todos os Homens do Presidente”. 

Talvez nesta época, só a lista de 1971 quando “Patton” foi vencedor em cima de “Aeroporto”, “M.A.S.H” e “Love Story”, fosse inferior a atual. 

Já nos anos 1980 ficou mais fácil porque o Oscar viveu um dos seus piores momentos. 

E olha que começou a época começou bem com “Kramer Vs Kramer”, “Apocalypse Now” e “All That Jazz”.

Em 1981, teve “O Homem Elefante” e “Touro Indomável”. Depois, somente em 1987 com “Platoon” e “Hannah e Suas Irmãs”. 

A seleção do Oscar 2021 superou facilmente 1984 quando “Laços de Ternura” venceu, 1986 ano de “Entre Dois Amores” e 1989 com “Rain Man”. 

ANOS 1990 E 2000 

O crescimento do cinema independente e o surgimento de uma nova geração de grandes diretores americanos como os irmãos Coen e Quentin Tarantino fez o Oscar voltar a um nível interessante. 

Em 1992, “O Silêncio dos Inocentes” venceu uma concorrência que trazia “JFK” e “A Bela e a Fera”, enquanto “A Lista de Schindler” superou filmaços como “O Piano” e “Vestígios do Dia” em 1994.

No ano seguinte, “Forrest Gump” esteve ao lado de “Um Sonho de Liberdade” e “Pulp Fiction”. Ainda que “Titanic” tenha sobrado em 98, a seleção teve ainda os excelentes “Melhor é Impossível” e “Los Angeles – Cidade Proibida”. 

Dos anos 1990, a lista atual, no máximo, venceria 1990 quando “Conduzindo Miss Daisy” ganhou o Oscar, 1997 ano de “O Paciente Inglês” e 99 com “Shakespeare Apaixonado”.

Já nos anos 2000, o nível volta a ajudar a temporada atual. 

O primeiro ano até que foi bom com “Beleza Americana”, “O Informante” e “O Sexto Sentido”.

Em 2002, o musical “Moulin Rouge” e “A Sociedade do Anel” eram os grandes filmes daquela temporada.

Já 2008 contou com dois clássicos modernos: “Onde os Fracos não têm Vez” e “Sangue Negro”. 

O Oscar 2021, porém, supera fácil 2007 quando “Os Infiltrados” venceu “Babel” e “Pequena Miss Sunshine” e, principalmente, 2009 quando Melhor Filme teve “Quem Quer ser um Milionário?” superando “Benjamin Button” e “O Leitor”. 

ANOS 2010 e 2020

A lista do Oscar deste ano não faria feio para o que a gente viu na década passada. 

Exceto por “Bastardos Inglórios”, o Oscar 2010 trouxe uma lista bem mediana, incluindo, o fraco “Um Sonho Possível” e os apenas corretos “Educação”, “Um Homem Sério” e “Preciosa”.

2013 também foi bem ruim com os superestimados “Argo”, “Lincoln” e “Indomável Sonhadora”, além do péssimo “Os Miseráveis”.

Com as presenças dos para lá de questionáveis “Green Book”, “Vice” e “Bohemian Rhapsody”, a lista de 2019 não fica mesmo atrás de 2021. 

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Resumo da ópera: ainda que nada empolgante, a lista de Melhor Filme do Oscar 2021 não faz feio para o que já vimos em edições anteriores da festa. Para mim, fica no meio do caminho como era a temporada de 2012 com “O Artista”, “Meia-Noite em Paris” e “A Árvore da Vida” ou 2005 com “Menina de Ouro”, “O Aviador” e “Em Busca da Terra do Nunca”.  

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