Caio Pimenta aponta quais os filmes e atuações em todas as categorias deveriam sair premiados do Oscar 2025.
CURTAS-METRAGENS
Para começar, as categorias de curtas-metragens estão bem fracas neste ano. As animações dão um show em comparação às ficções em live-action e aos documentários.
O sombrio “Wander to Wonder”, sobre o abandono e a loucura de antigos fantoches de televisão após a morte do criador, seria premiado, assim como “Incident”, documentário que utiliza câmeras corporais e de vigilância para registrar mais um caso de violência policial nos EUA.
Para fechar, em ficção live-action, o vitorioso seria o croata “The Man Who Could Not Remain Silent”. Premiado em Cannes, a obra mostra um caso real durante a trágica guerra da Bósnia.
- Melhor Curta de Animação: “Wander to Wonder”
- Melhor Curta de Documentário: “Incident”
- Melhor Curta Live-Action de Ficção: “The Man Who Could Not Remain Silent”
CATEGORIAS TÉCNICAS
Passando agora para as categorias técnicas, a riqueza de detalhes levaria “Conclave” a ganhar duas categorias: Melhor Figurino e Design de Produção.
Maquiagem e Penteado não poderiam deixar de ser de “A Substância”, especialmente na parte final, com aquele macabro ser que se torna a protagonista.
Se “O Brutalista” tem algo realmente brilhante, é a Trilha Sonora de Daniel Blumberg. Caso ele não vença no Oscar, será uma das maiores injustiças da noite.
“Wicked” leva o meu voto de Efeitos Visuais, enquanto “Duna 2” seria eleito Melhor Som.
Aproveitando uma temporada nada empolgante em Direção de Fotografia, eu daria o Oscar para Jarin Blaschke, em mais uma grande parceria com Robert Eggers, agora por “Nosferatu”.
Já Sean Baker receberia a primeira estatueta dele com a Montagem ensandecida de “Anora”.
- Melhor Figurino e Design de Produção: “Conclave”
- Melhor Maquiagem e Penteado: “A Substância”
- Melhor Trilha Sonora: “O Brutalista”
- Melhores Efeitos Visuais: “Wicked”
- Melhor Som: “Duna 2”
- Melhor Direção de Fotografia: “Nosferatu”
- Melhor Montagem: “Anora”
DOCUMENTÁRIO, FILME INTERNACIONAL E ANIMAÇÃO
Em Melhor Documentário, “Trilha Sonora para um Golpe de Estado” ganha de goleada dos seus principais adversários – e olha que “Quatro Paredes” é um belo e importante filme.
Mas o longa sobre como o Congo foi utilizado, nos anos 1960, como marionete das grandes potências é um retrato cruel e bastante informativo da geopolítica mundial. E, como se não bastasse, ainda mostra como a cultura, a música e artistas são utilizadas para este domínio não apenas de território, mas também das mentes. Filmaço!
Filme internacional não precisa nem perguntar: “Ainda Estou Aqui” merece demais o Oscar.
Isso não significa, porém, que eu faça parte do time de detratores de “Emilia Pérez”. Reconheço muitas das falhas e fragilidades dos discursos, mas também vejo qualidades, especialmente na ousadia de usar o musical, gênero tão contestado e muito associado à leveza em Hollywood, para tratar temas espinhosos.
Melhor Animação é uma categoria que considero bastante equilibrada. “Robô Selvagem”, “Flow” e “Memórias de um Caracol” são obras, cada uma à sua maneira, muito boas, ao mesmo tempo que passam longe de serem clássicas.
Em filmes que se equivalem tanto, pesa para mim o fator Davi contra Golias. Logo, o Oscar ficaria com o gatinho mais valente do planeta.
- Melhor Documentário: “Trilha Sonora para um Golpe de Estado”
- Melhor Filme Internacional: “Ainda Estou Aqui”
- Melhor Animação: “Flow”
ROTEIROS E ATUAÇÕES
Considero Melhor Roteiro Adaptado uma das categorias mais fracas deste Oscar. Diante de um cenário nada animador, meu escolhido seria “O Reformatório Nickel”.
Já em Roteiro Original, apesar da tentação de “Anora”, ficaria com “A Substância” e a inteligência de satirizar a ridícula pressão pela beleza estética e o absurdo do etarismo. É o terror sendo utilizado como alegoria para mostrar os horrores da realidade.
Kieran Culkin, me desculpe, mas você não me convence no fraquíssimo “A Verdadeira Dor”. O Oscar de Ator Coadjuvante, se dependesse de mim, seria do Yura Borisov, o homem com o olhar que diz tudo.
Entre as mulheres, vou com a Academia e fico com a Zoe Saldaña, de longe o maior destaque de “Emilia Pérez”. Canta, dança e atua de forma brilhante.
Em Melhor Ator, fico dividido entre Colman Domingo e Ralph Fiennes, duas atuações brilhantes – o primeiro pela generosidade ao lado de seus colegas não-atores de elenco, e o segundo pelas tonalidades e dubiedades que oferece ao cardeal Lawrence no decorrer da trama.
Sobra, então, utilizar o critério de quem tem mais tempo de estrada e não teve tantas chances assim ao longo da carreira para vencer o Oscar.
Impossível não ser Fernanda Torres em Melhor Atriz.
Amo Mikey Madison e Demi Moore, mas a estrela de “Ainda Estou Aqui” seria uma vitória para quebrar paradigmas dentro da Academia, vingaria a derrota injusta da mãe e consagraria um trabalho de uma força e sobriedade absoluta, sem necessitar de exageros tão típicos vistos em papéis do gênero no cinema norte-americano.
- Melhor Roteiro Adaptado: “O Reformatório Nickel”
- Melhor Roteiro Original: “A Substância”
- Melhor Ator Coadjuvante: Yura Borisov, por “Anora”
- Melhor Atriz Coadjuvante: Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”
- Melhor Ator: Ralph Fiennes, por “Conclave“
- Melhor Atriz: Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui”
FILME E DIREÇÃO
Como deu para perceber ao longo da temporada, sou grande fã de “Anora” e, por isso, impossível não escolher Sean Baker em Melhor Direção.
Ele faz parecer fácil dar tanto controle e coesão aos diversos caminhos do filme sem se perder, fora nunca optar por caminhos fáceis e moralistas para uma história que sempre se mostra dúbia.
O melhor disparado dos cinco finalistas.
Não há como não escolher “Ainda Estou Aqui”, mesmo se o filme fosse uma bomba.
Afinal, imagina uma produção do Brasil ganhar na categoria máxima dos maiores lançamentos de Hollywood e conquistar a mesma honraria de clássicos como “Casablanca”, “O Poderoso Chefão” e “Titanic”?
Por outro lado, se fosse pelo lado mais racional, do filme que realmente considero o melhor, aí fico sem muita dúvida com “Anora”.
- Melhor Direção: Sean Baker, por “Anora
- Melhor Filme: “Ainda Estou Aqui”






















