Caio Pimenta analisa os pontos a favor de Kleber Mendonça Filho na briga pela última vaga do Oscar 2026 de Melhor Direção.
NOMES GARANTIDOS
A corrida de Melhor Direção traz quatro nomes garantidos no Oscar 2026.
Paul Thomas Anderson é o amplo favorito da categoria por “Uma Batalha Após a Outra”. A vitória no Critics Choice deve ser a primeira dos prêmios televisivos e tem tudo para se repetir no Globo de Ouro, Bafta e Oscar, além do DGA. Para além da qualidade espetacular do trabalho, há a narrativa de que é um dos grandes cineastas da atualidade no cinema norte-americano ainda não premiado pela Academia.
Com “Pecadores” se consolidando como o principal rival de “Uma Batalha Após a Outra”, o Ryan Coogler também chega como nome cravado para Melhor Direção. O californiano joga com o fato de ter construído uma trajetória sólida na última década em Hollywood com “Fruitvale Station”, “Creed” e, claro, “Pantera Negra”. Será o segundo ano consecutivo em que uma produção de terror terá o diretor indicado: em 2025, foi a Coralie Fargeat com “A Substância”.
A Chloé Zhao é outro nome confirmado em Melhor Direção no Oscar 2026. Em “Hamnet”, ela consegue emocionar o público com uma história tocante, extraindo atuações brilhantes de Jessie Buckley e Paul Mescal, além de trazer o tom intimista característico dela visto em “Domando o Destino” e “Nomadland”. A presença marca uma volta por cima na carreira da chinesa após o fracasso de “Eternos”.
Por fim, tem o Jafar Panahi: o diretor iraniano de “Foi Apenas um Acidente” traz o simbolismo político de ser uma resistência ao regime do Irã e um marco da liberdade artística e de expressão. Também há o fator de um dos gigantes do cinema mundial na atualidade, sendo um dos raros nomes a ter vencido os prêmios máximos de Cannes, Berlim e Veneza. O filme chega com a credencial da Palma de Ouro e ser uma obra capaz de alternar de forma brilhante humor e drama, uma característica do iraniano.
A FORÇA DE KLEBER
Sobra uma vaga que está muito aberta com quatro candidatos na disputa. Dias atrás, eu diria que o Kleber seria o diretor com menos chances de indicação, mas, os últimos acontecimentos mostram como o pernambucano está subindo.
“O Agente Secreto” faz uma trajetória brilhante nos EUA com vitórias nos prêmios da crítica de Los Angeles, Nova York e a National Society of Film Critics. A conquista inesperada no Critics Choice e a boa bilheteria no circuito de arte norte-americano mostra como o longa está no centro das atenções.
Neste momento, o candidato do Brasil no Oscar 2026 é uma das produções mais em alta da temporada entre todas os concorrentes – se levar em conta apenas os internacionais, “O Agente Secreto” é aquele que mais cresce indiscutivelmente. Se o Globo de Ouro confirmar a vitória do Wagner Moura em Melhor Ator de Drama e ainda levar Filme Internacional, cria-se um clima extremamente favorável para as duas indicações na Academia nestas categorias e ainda Melhor Filme.
Nesta subida, vejo o Kleber se beneficiando demais para conseguir, pelo menos, uma indicação. Roteiro Original seria uma saída mais fácil, afinal, a concorrência se dá contra “Sorry, Baby” e “Jay Kelly”, candidatos mais fracos no Oscar 2026. Melhor Direção, entretanto, é extremamente viável pela abertura massiva aos estrangeiros nos últimos anos.
Para além dos anos 2010 em que os mexicanos dominaram o Oscar, a atual década abriu espaço para cineastas de língua não-inglesa em quase todas as edições. Foi assim com Bong Joon-Ho de “Parasita”, Thomas Vintenberg de “Druk”, Ryusuke Hamaguchi de “Drive my Car”, Justine Triet de “Anatomia de uma Queda” e Jacques Audiard de “Emilia Pérez“. Isso para não falar do sueco Ruben Östlund de “Triângulo de Tristeza” e a francesa Coralie Fargeat de “A Substância“.
TRIER, DEL TORO E SAFDIE: A BRIGA PELA ÚLTIMA VAGA
Claro que o Kleber Mendonça não é o único internacional na briga pela última vaga. O Joachim Trier sempre foi apontado como um nome certo, mas, “Valor Sentimental” passa por um momento de frieza nos EUA. Apesar das indicações do elenco nas categorias de atuação, o drama norueguês somente vê no Stellan Skarsgard alguma chance de vitória, mas, ainda assim, atrás do Benicio del Toro. Nem mesmo em Filme Internacional parece favorito. Corre o risco de ficar de fora de Direção.
Queridinho da Academia com 3 estatuetas, o Guillermo Del Toro também está no páreo. O mexicano somente foi indicado na categoria uma vez ao vencer por “A Forma da Água”. O grande trunfo dele é a possibilidade de “Frankenstein” ser um dos líderes da corrida graças às categorias técnicas. Com possibilidades de pintar em Roteiro Adaptado e o Jacob Elordi crescendo em Ator Coadjuvante, seria natural o Del Toro chegar em Direção.
A última opção seria uma aposta segura da Academia: por “Marty Surpreme”, Josh Safdie é uma escolha mais conservadora. Seria um nome do cinema norte-americano com aquela vibe de aceno à cena independente no melhor estilo Sean Baker. Seria uma forma de destacar um dos nomes fortes do futuro de Hollywood em uma parceria forte com o talentoso Timothée Chalamet. Por outro lado, não é uma direção tão brilhante como Josh fez ao lado do irmão Benny em “Bom Comportamento” e “Joias Brutas”.
De todos os candidatos pela última vaga, o Kleber está com o filme mais em alta na temporada, capaz de agradar os mais diversos tipos de votante pela sua capacidade de trabalhar gêneros diversos e traz um tom mais autoral em relação aos demais. Ele ainda corre por fora, mas, pode se beneficiar com o grande momento de “O Agente Secreto”.



















